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Como aprendi a parar de procrastinar e a gostar de me soltar

Uma maneira menos agressiva de abordar a produtividade vs procrastinação

Uma das coisas que sempre me desespera sobre a tara de ser mais produtivo é como isso, no final das contas, não contribui em muita coisa pra nos fazer ter vidas melhores, mais serenas e mais felizes. 

Em geral, esse discurso acaba vindo das pessoas que querem lucrar o máximo possível com a nossa força de trabalho (ou com a nossa atenção, se for pra usar um paradigma mais atual) e não tem a menor intenção de contribuir para a nossa saúde ou bem estar.

Assim, quando compramos essa ideia, o resultado costuma ser ainda mais ansiedade, pressa e frustração. Afinal, somos humanos. Não dá para ficar 100% do tempo produzindo freneticamente, sendo criativo, inovador, sagaz e proativo. Não dá. 

Em algum momento a máquina 'sobreaquece' e você precisa descansar. E aí, claro, sua produtividade cai e o seu tão almejado objetivo mostra sua natureza impossível, trazendo consigo toda a carga negativa que as falhas costumam trazer.

Gosto do texto do Leo Babauta, traduzido a partir do Zen Habits, por ele mostrar uma alternativa menos afoita à produtividade. Ao invés de fazer mais pressão, correr mais, fazer mais, ranger os dentes e suar a camisa, ele propõe soltar, relaxar, deixar pra lá.

Enfim, se livrar da necessidade interna desmedida de estar sempre a par de tudo que criamos para nós.

Aqui embaixo o texto traduzido na íntegra.

Como aprendi a parar de procrastinar e a gostar de me soltar, por Leo Babauta

"As pessoas encontram muita dificuldade em se soltar de seu sofrimento. Por um medo do desconhecido, elas preferem o sofrimento que lhes é familiar." -Thich Nhat Hanh

O fim da procrastinação é a arte de se soltar.

Minha vida inteira fui um procrastinador, pelo menos até poucos anos atrás. Eu postergava as coisas até o último momento do prazo final, já que sabia que iria conseguir. Eu passava nas provas da escola depois de estudar de última hora, eu escrevia artigos na última hora de um prazo – mas, enfim, eu executava as tarefas.

Até que eu não conseguia mais. Procrastinar me fez perder os prazos, vez após vez. Me estressava. Meu trabalho ficava comprometido quando eu o fazia no fim do prazo. Pouco a pouco comecei a perceber que a procrastinação não estava me ajudando em nada. De fato estava me causando muitos problemas.

Mas eu não conseguia parar. Tentei muitas coisas. Tentei aperfeiçoar a agenda, e me focar em objetivos, criar um sistema de responsabilidade pessoal, e a técnica Pomodoro de Completar as Tarefas. Todos estes métodos são excelentes, mas eles não duram para sempre. No longo prazo, nada funcionou.

Isso porque eu não estava focando o problema na raiz de tudo.

Eu não tinha percebido qual a habilidade que me salvaria da procrastinação.

Até que aprendi sobre aprender a me soltar.

A prática de se soltar apareceu primeiro quando eu estava largando o cigarro. Eu tinha que me soltar da “necessidade” de fumar, o uso do cigarro como muletas para lidar com estresse e problemas.

Então aprendi que precisava me soltar de outras necessidades falsas que estavam me causando problemas: açúcar, junk food, carne, compras, cerveja, posses. Não estou dizendo que nunca me entrego a nenhuma dessas coisas, mas eu me soltei da ideia de que são necessárias. Foi do meu apego insalubre a elas que me soltei.

Então aprendi que as distrações e a falsa necessidade de verificar meu e-mail e as notícias e outras coisas online... também estavam me causando problemas. Era isso que causava minha procrastinação.

Então eu aprendi a me soltar dessas coisas também.

Aqui está o processo que usei para me soltar das distrações e das necessidades falsas que causam a procrastinação:

  1. Presto atenção ao sofrimento que me causam, mais tarde, em vez de apenas o prazer/conforto temporário que me dão naquele momento.

  2. Penso na pessoa que quero ser, na vida que quero viver. Disponho minhas intenções para fazer o bom trabalho que acredito dever fazer.

  3. Observo minha ânsia de checar as coisas, de me entregar ao conforto da distração. E então reconheço que quero escapar do desconforto de algo difícil com o conforto de fazer algo familiar e fácil.

  4. Reconheço que não preciso daquele conforto. Eu posso ficar no desconforto e nada de muito ruim vai acontecer. De fato as melhores coisas acontecem quando eu aceito o desconforto.

E então eu sorrio, e respiro, e me solto.

E passo a passo, eu me torno a pessoa que quero ser.

‘Você só pode realmente perder aquilo a que se agarra.’ -Buda

publicado em 13 de Junho de 2015, 00:00
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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