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Como é insustentável, enganoso e perigoso tomar refúgio no esporte

Ou quando algo bom pode se tornar uma armadilha para a nossa própria mente

Como é insustentável, enganoso e perigoso tomar refúgio (atrelar/apostar sua felicidade, ânimo, bom humor, propósito) no esporte.

É insustentável porque o esporte em si nunca será fonte de felicidade genuína. Não importa quantos quilômetros a gente correr, quantas horas a gente nadar, quantos gols a gente fizer, uma hora ou outra nosso corpo não vai mais conseguir praticar, e, se nossa felicidade depender disso, estaremos em sérios problemas. Sem contar que a maioria dos esportes só treina uma mente competitiva e não uma mente ampla, amorosa, acolhedora, o que, invariavelmente, vai levar a sofrimentos futuros quando essa mente competitiva começar a procurar oponentes fora do ambiente esportivo.

É enganoso porque mexer o corpo pode trazer um bem estar, um cansaço, uma mente calma, um otimismo, um sensação de estar avançando, uma sensação de propósito e de sucesso, totalmente delusórias. Pode acreditar, por mais que a gente ache que ao final de uma maratona vencemos, as aflições (ciúmes, raiva, ressentimento, falta de paciência, carência etc.) estão todas ali, prontas pra entrar em ação.

E é perigoso porque viver para o esporte – e consequentemente o corpo saudável – é bem visto e incentivado em nossa sociedade e cultura. Alguém bonito/sarado/saudável dizer que não vê sentido em continuar treinando ou dizer que não é feliz desse jeito, é quase um afronta, algo inconcebível.

Pratiquem esportes, mas não depositem nele a esperança de felicidade última.

Obs.: este texto foi originalmente publicado no Facebook do autor e editado para publicarmos aqui no PapodeHomem.


publicado em 15 de Novembro de 2016, 00:00
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Marcos Bauch

Nascido na Bahia, criado pelo mundo e, atualmente, candango. Burocrata ambiental além de protótipo de atleta. Tem como meta conhecer o mundo inteiro e escreve de vez em quando no seu blog, o De muletas pelo mundo.


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