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Como explicar o homem? – Parte 1

"Uma conversa." Assim o site Edge se define. Apesar de usar poucas palavras para mostrar a que veio, o site é caldeirão de boas ideias, reflexões do mais alto intelecto e personalidades do mundo científico e literário. Por ano, desde 1998, o Edge lança uma pergunta a intelectuais, e suas respostas param no site e depois viram livro. A pergunta deste ano é intencionalmente vaga:

"Qual é sua explicação mais bonita, elegante ou profunda?"

Esta questão levanta uma dúvida: explicar o quê? Não se sabe, e isso cabe a cada um dos intelectuais convidados a responder a pergunta. E foram 192 mentes pensantes, cada uma em busca de uma explicação para algo de sua área.

Neste artigo, o primeiro de três, faremos um resumo do que se explicou acerca da natureza humana com ênfase na racionalidade.

Racionalidade limitada como explicação para muitas de nossas doenças

Por Mahzarin Banaji, psicóloga e professora de Ética Social do Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard

O meu candidato à explicação mais profunda e satisfatória das últimas décadas é a ideia de racionalidade limitada. A ideia de que seres humanos são inteligentes em comparação com outras espécies, mas não inteligentes o bastante de acordo com seus próprios padrões. (...)

A visão da natureza humana que se desenvolveu nas últimas quatro décadas sistematicamente mudou a explicação para quem somos nós e por que fazemos o que fazemos. Somos propensos a erros na maneira em que nos encontramos. A explicação se dá, não devido às nossas intenções malignas, mas por causa da base evolutiva da nossa arquitetura mental, da maneira como lembramos e aprendemos alguma informação, da forma como somos afetados por aqueles que nos cercam e por aí vai. Somos racionais de maneira limitada porque o espaço de informações no qual realizamos nosso trabalho é imenso em comparação às capacidades que temos, incluindo limites severos da percepção de consciência, da habilidade de controlar o comportamento, e de agir de acordo com nossas próprias intenções.

A partir desses limites na racionalidade geral, podemos olhar também para o compromisso ético de padrões – mais uma vez, a história é a mesma: a intenção de prejudicar não é o problema. E sim (...) a maneira como algumas informações têm um papel desproporcional na tomada de decisões, na habilidade de generalizar ou generalizar excessivamente, e na vulgaridade de atitudes erradas que tipificam a vida cotidiana. Estas são as causas mais potentes das falhas éticas dos indivíduos e das instituições.

Na segunda parte, traremos insights sobre a natureza humana de acordo com a teoria de conflito entre os sexos. Na terceira, usaremos a filosofia para dialogar sobre como afetamos e somos afetados pelos outros. Nenhuma delas é um ponto final, mas sim uma vírgula. Não são verdades absolutas e têm a função apenas de iniciar uma conversa. Na sua opinião, o que a autora disse é relevante ou ela fugiu completamente da curva? Quais são os pontos fortes no raciocínio, e quais precisam ser revistos? Conhece ideias que complementem ou retifiquem o artigo?


publicado em 19 de Fevereiro de 2012, 12:14
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Rodolfo Viana

É jornalista. Torce para o Marília Atlético Clube. Gosta quando tira a carta “Conquiste 24 territórios à sua escolha, com pelo menos dois exércitos em cada”. Curte tocar Kenny G fazendo sons com a boca. Já fez brotar um pé de feijão de um pote com algodão. Tem 1,75 de miopia. Bebe para passar o tempo. [Twitter | Facebook]


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