Como fazer uma prateleira de cinto de couro e madeira

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Quantas vezes você viu algo com dupla função que realmente funcionasse esteticamente?

Calças com zípers no joelho que viram bermudas, sofás que também são camas e o infame sapatênis são alguns dos exemplos mais comuns.

O homem me parece sempre atraído pela funcionalidade e praticidade de todas as coisas, mas até onde isto pode se tornar uma armadilha meu amigo? Sou um estudioso de Moda e Estilo e, como estreante aqui no PapodeHomem, minha proposta será sempre analisar da maneira mais profunda as situações estéticas do nosso cotidiano.

Voltemos a “armadilha”. Os objetos, quaisquer que sejam, estão sempre carregados de uma memória social que é fruto de experiências que adquirimos ao longo da vida. Nós olhamos uma mesa de madeira e enxergamos firmeza e solidez enquanto se virmos uma mesa de plástico poderemos enxergar agilidade e praticidade.

A mesa do QG do PapodeHomem é uma bela peça de firmeza e solidez.

O que fará você achar bonita uma mesa ou a outra serão as qualidades sociais que você almeja e encontrou em cada uma delas.

Este é o motivo de em grande parte dos casos a beleza ser algo relativo.

Pense num sapatênis. Ao tentar criar um objeto com duas memórias sociais diferentes dividas igualmente, a formalidade de um sapato perante a casualidade de um tênis, nós estamos enfraquecendo e tirando a autenticidade original deste novo objeto, memórias com o mesmo peso sempre irão se confundir. Se não conseguimos entender, menos atraente será aos nossos olhos. (pensei em arte moderna por ex.)

Ou seja, grande parte da beleza visual do objeto reside na compreensão de sua natureza verdadeira.

Quer dizer que é impossível aliar qualidades opostas em um mesmo produto?

Pelo contrário!

O segredo é manter uma raiz verdadeira mais marcada e adicionar uma nova qualidade de maneira sutil e menos óbvia, respeitando os limites da memória social principal.

Um ótimo exemplo é o calçado dockside. Ele se assemelha a um sapato quando pensamos no design de sua forma, porém, alguns detalhes o tornam diferente dos demais. Seu couro costuma ser mais colorido e parte do seu material é mais rústico (como o cordãozinho lateral), o que faz com que ele possa ser usado também de um modo mais casual (um homem pode calçá-lo usando uma roupa mais formal ou bermuda e camiseta). Esse respeito em manter uma essência principal e adicionar de maneira sutil e não literal outra essência é o que mantém o produto atraente, pois mantém a compreensão da memória em vista.

Não é a toa que o sapatênis se torna cada vez mais esquecido enquanto o dockside se mantém como um item clássico do vestuário masculino.

Pensando com essas informações, fica mais fácil entender (de maneira racional) o que faz com que algo seja visto como feio ou bonito.

Entendendo isso, você terá um domínio muito maior sobre sua própria imagem e sobre a estética das coisas que você possui.

E para finalizar aqui vai uma idéia bem legal de como aplicar este beneficiamento de memórias sociais na prática: uma prateleira de madeira e couro que você pode fazer com as próprias mãos.

Essa é a cara da belezinha

O antagonismo entre ser um homem másculo e uma pessoa de conteúdo desaparece de maneira simples.

A memória social de uma estante emana cultura, seja por sustentar livros ou, como neste caso, também por ter plantas específicas, que exigem cuidado e conhecimento. É da estante a principal memória social neste caso.

Agora veja que ela é presa a parede de uma maneira rústica, o que irá emanar automaticamente um bom tanto de masculinidade a coisa toda.

Para construir essa prateleira, você irá precisar de algumas poucas coisas:


  • 4 cintos:

  • Martelo;

  • Caixa de pregos;

  • Lápis;

  • Trena;

  • 2 prateleiras de madeira.

Os ingredientes da brincadiera

1. Com o lápis e ajuda da trena, faça um risco de 5cm da extremidade, dos 2 lados.

2. Pregue o cinto na prateleira de baixo (inclusive a lateral).

3. Apoie no chão para verificar altura. Deixe 25cm de distancia entre uma prateleira e outra (opcional) e pregue a prateleira de cima.

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Para fazer com que a adição da memória complementar (rústica) se dê da maneira mais sutil possível, foi utilizado um cinto, item extremamente masculino e viril, mas que ao mesmo tempo está 100% ligado a um estilo clássico e social do homem.

Aposto que assim como eu, você também quer esta estante na casa, estou correto?

2

Lembre-se: as roupas que você usa e os objetos que você tem não farão nada sozinhos. Eles apenas servem para te ajudar a mostrar ao mundo o que você pensa e sente.

Portanto se você não tiver conteúdo, não é uma estante que vai mudar isso.

3

Pronto. agora é só marcar a parede para não ficar torto e pregá-la.


publicado em 25 de Outubro de 2012, 08:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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