Desconstruindo o mito do CEO

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Mitos e super-heróis nos inspiram. Alimentam a nossa crença com um poder sobrenatural. Nos encorajam a ir além dos limites ordinários.

Mas eles também nos trazem uma frustração em ser… simplesmente normal.

Seguir os mesmos passos de um mito é uma proposta sobre-humana. Aproveitam aqueles que se divertem na jornada e aprendem boas lições. E se frustram aqueles que esperavam um resultado mitológico, impossível.

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Homem de Ferro

Uma coisa é comer pipoca assistindo ao próximo e sua celebração da livre iniciativa que salva o mundo onde o governo é impotente. Outra coisa é ler biografias reais e celebrar os feitos alcançados pelo CEO da vez.

Ou seria tudo a mesma coisa?

Depende de como nos relacionamos com a mitologia. A construção de mitos é uma tarefa lúdica para contadores de histórias, lucrativa para grandes corporações, efetiva para governos, crucial para religiões.

Muito do que conhecemos da história desses empresários talentosos foi cuidadosamente produzido por diferentes profissionais encarregados de encontrar o melhor ângulo.

E, quanto mais experiente for o CEO, geralmente mais refinado ele ou ela estará na arte de modelar sua imagem pública. Nosso olhar pode esquecer o humano para apenas ver o ícone, o ídolo.

Concordo que é muito útil ter ícones inspiradores. Modelos de referência compartilhando táticas que funcionaram. Ao mesmo tempo, esse "como faz" se torna cada vez mais commodity na Internet. E a idolatria por sua natureza exagera benefícios e cria expectativas irreais.

A série Papo Executivo trouxe ar fresco para quem estava cansado de mais do mesmo.

Sempre que converso com jovens empreendedores, eles me relatam que sentem um grande desafio: separar as fontes de informação confiáveis do que é um marketing exagerado e tendencioso.

O CEO-mito tem seus pontos fortes exagerados. Cada palavra é cuidadosamente inserida em um discurso ensaiado. A fórmula inclui revelar certos pontos fracos para mostrar o aspecto humano do empresário, garantindo a humildade e simpatia. O ícone precisa deixar rastros a serem seguidos.

O CEO-mito é uma poderosa arma no arsenal da empresa. Consegue mais simpatia e admiração pelas marcas, traz mídia espontânea, abre portas para eventos, parcerias e novos projetos.

Pelo lado positivo, o CEO-mito cumpre valioso papel em um ecossistema empreendedor. Um empresário de sucesso que compartilha sua história, seus acertos, suas táticas e estratégias pode multiplicar os resultados ao inspirar novos empreendedores.

Me parece que o problema acontece quando perdemos autenticidade. É triste quando não estamos mais diante de uma pessoa real, que foi substituída por um ator que regurgita frases prontas como um autômato.

Na competição entre diferentes CEO-mito em mostrar resultados cada vez mais mirabolantes e suas técnicas infalíveis, o ser perde espaço para o fazer. É a separação entre a ética do caráter e a ética da personalidade.

Os conceitos de ética do caráter e ética da personalidade são definições trazidas no livro Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Steven Covey.

A ética da personalidade está repleta de táticas, macetes e soluções instantâneas para conseguir resultados rápidos. Infelizmente, ela também inclui muitas abordagens manipulativas que estimulam seus praticantes a fingir interesse, simular respeito, insinuar escassez, intimidar e aplicar técnicas de persuasão para chegar onde se deseja.

Já a ética do caráter está mais voltada aos valores fundamentais como a coragem, paciência, integridade, humildade.

Convido você a assistir ao vídeo abaixo com Sergio Chaia, que é um executivo cheio de resultados excepcionais alcançados na carreira. Mas que não segue o caminho da idolatria ou da ética da personalidade. Ao contrário, que tem a virtude de se comunicar como uma pessoa normal como cada um de nós:

Link YouTube

O que vemos acima não é um vídeo sobre como fazer networking, como dominar o mercado, como esmagar competidores ou técnicas para lucrar mais.

É um bate-papo raro em que um empresário aceita gravar uma conversa em que compartilha um pouco da sua ética do caráter. Sem começar a vender qualquer quinquilharia (ou vender a si próprio) no meio da conversa.

E isso é lindo de ver.

Os outros vídeos do Papo Executivo:

Link YouTube | Quem dá as cartas (Entrevista com Celso Forster)

Link YouTube | Dívida, prosa e poesia (entrevista com Antonio Seixas)

Link YouTube | Tem certeza que isso é urgente? (entrevista com Ulisses Zamboni)


publicado em 29 de Outubro de 2013, 09:00
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Seiiti Arata

Gosta de ajudar pessoas e fazer amigos. E ainda recebe dinheiro pra isso. Fundador da Arata Academy.


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