Não me dê parabéns, apoie um desses projetos | Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é uma data política, que pede ação efetiva para a equidade entre os gêneros

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Mamãe me deu parabéns hoje pela manhã. Fui recíproca. Você também deve estar enlouquecendo com as notificações do seu grupo da família por aí – além dos habituais bom dias em comic sans sobre uma foto do nascer do sol, não param de chegar as falaciosas homenagens às mulheres pelo seu dia.

Voltemos à fita para as razões históricas disso. O mais simbólico dos eventos que impulsionaram a oficialização de um dia internacional da mulher aconteceu em 1911 e foi o incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York.

O acontecimento matou 149 pessoas, entre eles 123 mulheres, em sua maioria imigrantes e pobres, que trabalhavam sob penúria e exploração a indústria têxtil. A somar nessa conta, também em Nova York, está o protesto de mais de 15 mil mulheres reinvindicando o sufrágio feminino e justiça de trabalho que havia acontecido antes, em 1909.

Isso significa que o Dia Internacional da Mulher é um ato político. O nascimento da data marca não uma comemoração a se parabenizar, mas uma luta a se lembrar, entender, consolidar. Marca mais do que a necessidade de reflexão, a urgência da ação em favor da equidade entre os gêneros.

Por desconhecimento das razões históricas, ignorância das diferenças ou até mesmo ingenuidade, o significado do dia de hoje foi transcrito para a celebração do falacioso estereótipo da natureza feminina – o símbolo do carinho, do acolhimento, da beleza. O símbolo do materno como função direta da mulher.

A naturalização dessas características inscreve sobre as mulheres uma caixinha de comportamento à qual se conformar, ao mesmo tempo em que limita o acesso masculino a todos os territórios relativos às emoções e ao cuidado com o outro. Não é bom e nem feliz pra ninguém. Não é comemorativo.

Não me dê parabéns por estarmos todos presos nesses papeis.

A importância da data, no entanto, não se perde nem um pouco. A proposta aqui é a retomada do sentido político e militante do Dia Internacional da Mulher: a ação no sentido da equidade entre os gêneros.

Se nesse dia você se sente impelido à ação, mas desconhece formas diferentes e mais proveitosas de promover a equidade entre os gêneros, saiba que o clichê nunca foi tão verdadeiro: de passinho e em passinho chegaremos lá.

Surgiu, nas redes sociais, uma ação foda: esse docs com 21 projetos direcionados aos direitos das mulheres que estão sendo financiados coletivamente e precisam de ajuda.

Escolhi sete projetos pra puxar a roda e dar o gostinho, mas você pode escolher o que mais lhe apetecer. A lista inteira está aqui.

Não me dê parabéns, apoie a equidade de gêneros.

Feminicidade

O projeto vai ocupar São Paulo com cartazes, palestras e histórias sobre as nossas mulheres. A ideia é fortalecer o empoderamento feminino e compartilhar experiências.

Pra quem é de São Paulo, o Guilherme, nosso diretor de conteúdo, falará sobre o espaço do homem na igualdade de gênero às 10h do dia 12 de março. Rolarão diversas outras falas antes e depois da dele. Tudo isso de graça, na ViLinda, em Pinheiros (R. Simão Álvares, 784).

SOS Mulheres Vítimas de Violência

Focadas no combate à violência doméstica, seja ela física ou emocional, as agentes do Bem Querer Mulher atuam voluntariamente acolhendo e achando abrigo para mulheres violentadas. Agora, elas precisam de apoio financeiro e de um salário.

Maternativa

Surgida do questionamento de duas mulheres sobre a volta ao mercado de trabalho depois do nascimento de um filho, a ação promove encontros, orientação e debates, além de unir e empoderar mães empreendedoras.

Das cicatrizes que transbordam luta

Dentro do necessário recorte do feminismo negro, esse curta faz uma denúncia ao racismo sofrido pela mulher negra. Todas as vezes em que parei pra ouví-las, aprendi muito.

AzMina

Um novo modelo de revista para mulheres. Sem querer cagar regra e te dizer como você deve se vestir ou chupar seu/sua parceira/o sexual, mas debatendo as experiências de ser mulher no mundo.

Onde está o sorriso da Juju?

O livro infantil escrito pela psicóloga Marília Gurgel será uma ferramenta de abordagem preventiva, para que as crianças se relacionem com a história e possam reconhecer a situação e, se necessário, contá-la aos pais ou responsáveis.

Lar das Mãezinhas

São 33 as habitantes do lar pra senhoras de baixa renda, e elas estão sofrendo com uma infiltração e necessidades de reforma na casa em que moram.


publicado em 08 de Março de 2016, 13:25
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Marcela Campos

Tão encantada com as possibilidades da vida que tem um pézinho aqui e outro acolá – é jornalista pela USP, professora e instrutora de saúde reprodutiva. Modera uma comunidade de quase quinze mil mulheres e não tem preguiça de bater um papo bom.


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