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E quando chegamos à nossa montanha e encontramos outras montanhas?

Ou como Schopenhauer foi aparecer indiretamente em uma animação fofinha e positivista

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"Inspirado pela paisagem pitoresca do Lake District, 'The Walk' é um curta-metragem sobre o simples prazer de colocar um pé na frente do outro."

Norte da Inglaterra, um parque nacional cheio daquela vegetação de um verde intenso, que contrastam com o cinza pálido das pedras e o prateado dos lagos. Um vídeo bonito que, segundo a afirmação acima feita por seus idealizadores, é para mostrar simples prazeres.

Shoppenhauer veria um baita pessimismo nesse final, e ambas as interpretações seriam corretas. Vemos foco, calma, atenção, a narrativa aguça o nosso sensorial, sons e texturas, bichos e água, a vida que flui de fora pra dentro da gente. 

Ele tem tudo planejado, conhece as coisas como ninguém, sabe observar, a hora de seguir e de parar. Planejado, preciso, ele continua e o suor e o vento não o fazem desistir. Com vontade e atitude, ele chega lá.

O cume, o ponto máximo da montanha que o desafiava. Terminamos de ver a animação com certa excitação e a sensibilidade de ver o dever dele cumprido. Ou o enfado da conquista, como poderia descrever o filósofo alemão, ao dizer que a felicidade é a busca eterna de preenchimento impossível, o desejo do que não se tem, conseguir o que se queria e já não o desejar mais e passar a desejar outra coisa. Repetidamente.

Uma montanha que mostra apenas outras montanhas maiores. A vitória é apenas uma bobeira do passado, diante dos desafios que estão à frente. 

Sucesso, anseios, os planejamentos que fazemos para as nossas carreiras, para as vidas que queremos levar, várias montanhazinhas que escalamos para nos deparar com mais. Virar CEO antes dos 30 anos. E daí? Comprar o apartamento dos sonhos. E daí?

São metas erradas? Anseios que não devemos ter?

 Quem sou eu para apontar algum caminho. Mas a questão não é a do desejo em si, mas o que fazemos com ele e como lidamos quando esse acaba e o próximo vem. Minas essa sensação do vazio dos desejos anteriores embaixo de novos, o vai e vem sem fim de "deseja e não tem" ou "tem e não deseja mais".

Coisas faltarão. Montanhas maiores estarão à frente. 

E tá tudo bem. 


publicado em 20 de Maio de 2015, 08:55
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.


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