E se a gente tratasse melhor ainda as pessoas de quem nos separamos?

Um pai dá o exemplo aos seus filhos: na separação, há coisas mais importantes que você mesmo.

  • Nossos atuais Mecenas:
  • Selo dorel jpg
  • Vivara130x50 jpg

Relacionamentos são complicados. 

Raramente conseguimos resolver racionalmente nossos problemas em meio ao turbilhão de emoções que uma outra pessoa com quem casamos ou namoramos é capaz de nos causar.

Às vezes, bem sabemos, temos uma longa história, grandes conquistas e, ainda assim, o relacionamento chega ao fim.

Nos decepcionamos, nos frustramos, até que não sobra mais nada.

Às vezes, a situação é um pouco mais explosiva que isso e farpas e bombas voam por todo lado e acabamos nos machucando de forma que se torna super dificil restaurar o mínimo de razoabilidade na relação.

Mas, ainda mais quando temos uma situação na qual há a educação de filhos em jogo, talvez não precise ser bem assim. Talvez, possamos sentar, conversar e até gostar legitimamente da outra pessoa, sem vilanizar, sem lamentar o fim da relação, levar as coisas adiante da melhor forma possível, dando um exemplo de que há formas diferentes de se relacionar com as pessoas, mesmo em situações onde sabemos que esse não é exatamente o caminho mais fácil.

Billy Flynn Gadbois é de Boston e fez um post explicando por que trata a sua ex-esposa, mãe do seu filho, da melhor forma possível. Dessa vez, ele enviou flores e fez um café da manhã com os filhos. 

Fiz uma tradução livre aqui:

"É aniversário da minha ex-esposa hoje, então eu levantei cedo, levei flores e cartões e um presente para que as crianças dessem a ela. E os ajudei a fazer um café da manhã pra ela. É bem normal alguém vir me perguntar por que diabos eu ainda faço coisas pra ela o tempo inteiro. Isso me irrita. Então, vou explicar para vocês todos.

Eu estou criando dois homenzinhos. O exemplo que eu dou ao tratar sua mãe vai significativamente moldar como eles vêem e tratam mulheres e afetar a percepção deles dos relacionamentos. Eu acho que ainda mais agora que nos divorciamos. Então, se você não está moldando bons comportamentos nas relações para os seus filhos, é melhor prestar atenção. Levante acima das questões e seja um exemplo. Isso é maior que você.

Crie bons homens. Crie mulheres fortes. Por favor. O mundo precisa deles mais que nunca."

Claro, aqui temos um pai que se preocupa com os filhos acima da configuração que a relação tomou. Mas podemos muito bem fazer algo parecido nas nossas, ainda que não tenhamos filhos na jogada.

Afinal, as relações continuam, sempre. Mesmo que a gente se recuse aceitar, delete todos os números e bloqueie em todas as redes, há uma memória, um espaço que aquela pessoa continua ocupando. E, a menos que a gente queira viver num mundo cada vez menor, trancados em uma jaula, com medo de encontrar as pessoas que eventualmente nos afligem, é melhor que esse espaço seja mais afetuoso e compassivo. 

E, sim, eu sei. Fácil falar, difícil de fazer. Mas não quer dizer que seja impossível.


publicado em 27 de Fevereiro de 2017, 18:41
Avatar01

Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Nossos atuais Mecenas: