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Como usar as mídias sociais com atenção

Você pode usar as mídias sociais para fazer novos contatos ou expandir seu negócio. Você pode usá-las para mostrar suas habilidades, compartilhar o que aprendeu, ou aprender com pessoas que você admira e respeita. Você pode usá-las para se manter informado, entretido e conectado. Você pode até encontrar inspiração em 140 caracteres, ou menos.

Psicólogos sugerem que as mídias sociais tem apelo para um número tão grande de pessoas porque preenchem nossas necessidades mais fundamentais, incluindo um senso de pertencimento e autoestima. Todos nós queremos nos sentir como se fizéssemos parte de algo maior, e todos queremos acreditar que o que fazemos tem relevância.

Ainda assim, enquanto as mídias sociais nos ajudam a engajar e expandir nosso mundo como nunca antes, elas também apresentam uma quantidade de novos desafios. Como qualquer ferramenta, precisamos ser cuidadosos para usá-las em nosso benefício e não em nosso detrimento.

Conectando-se com intenção

Ações significativas requerem intenções claras. Porém, todos nós entramos nas redes sociais sem elas. Podemos estar procrastinando ou procurando por uma distração, ou sentindo raiva, irritados ou frustrados, buscando escapar desses sentimentos. Pesquisas revelam que nós realmente recebemos uma pequena descarga de endorfinas — as mesmas substâncias do cérebro que desfrutamos após completar atividades físicas intensas — quando recebemos uma nova mensagem.

Falar sobre nós mesmos também libera o centro de recompensas do nosso cérebro, deixando-nos mais compelidos a narrar nossas atividades diárias.

Sejam quais forem as razões que nos levam a usar as mídias sociais, temos diversas oportunidades para fazê-lo agora que a maioria de nós carrega poderosos minicomputadores nos bolsos e bolsas. Estamos sempre conectados, sempre prontos para descobrir, consumir e compartilhar informação. Se alguma coisa é tendência, queremos logo saber sobre isso. Se alguém compartilha algo, queremos ver. E se nos afastamos do fluxo por um tempo, sentimos ainda mais pressão para tentar acompanhar tudo quando retornamos.

Link Youtube | Louis C.K. acha que, se Jesus voltasse, as pessoas prefeririam Twittar a prestar atenção a ele

Com um olho em nossos gadgets, somos incapazes de prestar atenção plena a quem e o que está em nossa frente — o que significa que perdemos detalhes de nossas vidas, ironicamente, enquanto reagimos ao próprio medo de perdê-los.

Para muitos de nós, a desatenção é o estado padrão. É preciso um esforço consciente para que estejamos atentos ao usar as mídias sociais— para ser proativo ao invés de reativo. Quando estamos atentos, somos conscientes do por quê estamos online, e somos capazes de desconectar totalmente quando seguimos nessa intenção. Somos capazes de nos engajar sinceramente e significativamente, mas não dependemos dessa conexão de uma maneira que limita nossa disposição e senso de presença.

Tornando-se consciente

A fim de mudar nosso relacionamento com as mídias sociais, precisamos entender como e por que ficamos motivados a usá-las. Sem auto-consciência, ficamos à mercê de nossas telas e linhas-do-tempo, que nos puxam oferecendo gratificação instantânea, enquanto outras escolhas poderiam atender melhor nossas reais necessidades.

Podemos começar a desenvolver auto-consciência traçando limites para quanto e quando usamos a tecnologia, e então checar nossas intenções quando nos sentimos compelidos a usá-la de maneira diferente disso. Isso pode significar conectar-se somente em horários pré-determinados e quando nos sentirmos atraídos a usar nossos gadgets fora desses horários, podemos nos perguntar questões essenciais. Essas questões podem incluir:


  • É realmente necessário compartilhar isso? Isso irá adicionar valor à minha vida e à vida de outras pessoas?

  • Posso compartilhar essa experiência depois enquanto foco em vivê-la agora?

  • Estou procurando validação? Existe algo que eu possa fazer para validar eu mesmo?

  • Estou evitando algo que preciso fazer ao invés de tentar entender por que eu não quero fazer?

  • Estou me sentindo entediado? Existe alguma coisa que eu possa fazer para me sentir mais engajado e com mais propósito?

  • Estou me sentindo solitário? Criei oportunidades para desenvolver conexões significativas no meu dia?

  • Estou com medo de perder alguma coisa? A gratificação de se entregar à esse medo vale perder o que está em minha frente agora?

  • Estou me sobrecarregando, tentando acompanhar tudo? Posso abandonar a conversa de ontem e me engajar na de hoje?

  • Posso usar esse tempo para simplesmente existir ao invés de procurar por algo que o preencha?

  • Eu só quero ter uma diversão sem propósito por um tempo?

(Essa última é perfeitamente válida — contanto que saibamos o que estamos fazendo, e conscientemente escolhamos fazer isso.)

Propósito, estima e conexões significativas

Parte da atenção no que se refere às mídias sociais é reconhecer e perceber nosso instinto de usá-las compulsivamente. O outro lado da equação é saber usar as mídias sociais conscientemente para ajudar a preencher todas aquelas necessidades que nós instintivamente queremos preencher — tanto nos outros quanto em nós mesmos.

Se as mídias sociais fazem parte do seu trabalho, como é o caso para muitos de nós, seu envolvimento nelas pode depender de vários objetivos. Se você se sente frustrado com os progressos em relação a esses objetivos, é tentador focar no que os outros têm e você não, ficar obcecado por seguidores, engajamento, tráfego, ou qualquer outra medida de referência. A verdade é que esses números não necessariamente medem sucesso, e eles certamente não são um requisito para a satisfação.

Link Youtube | Qual a conexão entre a solidão e as redes sociais?

Algumas das pessoas mais bem sucedidas que eu conheço nutriram lentamente pequenas e dedicadas redes de pessoas que dão um tremendo valor umas às outras. Todas as pessoas altamente realizadas que eu conheço focam mais na qualidade das suas conexões do que na quantidade delas. Eles dão prioridade a revelar a autenticidade de suas personalidades ao invés de se esforçar para construir e manter um personagem. Eles levam essas conexões a níveis cada vez mais profundos relacionando-se online, encontrando-se offline e oferecendo às pessoas sua total atenção quando interagem. Eles também se lembram que por trás de cada missão profissional, existe um propósito pessoal.

Quando focamos em preencher nossas necessidades básicas e ajudar os outros a fazer o mesmo, nos sentimos mais satisfeitos e, consequentemente, isso é mais eficaz. Com cada engajamento benéfico e significativo, nós reforçamos nossa autoestima, nosso senso de pertencimento e nosso senso de propósito, permitindo mais crescimento e afinidade. Isto se torna um ciclo virtuoso.

Para fazer isso, você precisa desafiar as preocupações que o mantém reagindo compulsivamente ao invés de se engajar conscientemente: o medo de estar perdendo interações e informação disponível em algum outro lugar; a preocupação de que você não está sendo realmente ouvido; ou a suspeita de que outras pessoas estão se saindo melhor e que você está sendo deixado para trás.

A realidade é que nós estamos todos no mesmo barco. Estamos todos navegando no crescente número de ferramentas online à nossa disposição, às vezes sentindo-nos sobrecarregados pelo volume absoluto de pessoas à nossa volta e a barragem de informação que precisamos para gerenciar cada dia. Estamos todos aprendendo como e quando definir limites, ou até mesmo dar um tempo para renovar e recarregar. Estamos todos descobrindo que as mídias sociais nos dão incontáveis oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Se você deixar, as mídias sociais podem ter um profundo impacto em sua vida — mas o poder de qualquer ferramenta reside na intenção de quem a utiliza.

* * *

Nota: Retirado do livro "Manage Your Day-to-Day: Build Your Routine, Find Your Focus, and Sharpen Your Creative Mind (The 99U Book Series)" e traduzido por Elder Martins.

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publicado em 20 de Julho de 2014, 11:01
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Lori Deschene

Criadora do tinybuddha.com, um blog comunitário sobre sabedoria que apresenta histórias e insights de leitores de todo o mundo. Ela mantém o site como um esforço coletivo, pois acredita que todos temos algo para ensinar e algo para aprender. Ela também é autora de Tiny Buddha: Simple Wisdom for Life's Hard Questions.


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