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Michael Jackson, Coltrane, Lennon, Tupac, Johnny Cash: entrevistas perdidas e, agora, animadas

Conheçam a "blank on blank", que reunie entrevistas animadas de grandes personalidades de suas gerações

Jim Morrison achava o máximo ser gordo. Johnny cash só queria morrer calçando suas botas (em alusão a não querer padecer em uma cama, deitado de piajamas). John Lennon explica porque não queria ficar longe de seu grande amor, como as pessoas viviam dizendo sobre espaço em um relacionamento. 

O pessoal do Quoted Studios, baseado no Brookly, Nova Iorque, estão com essa proposta simples e incrível: "nossa missão é simples: preservar e reimaginar a entrevista americana".

Com isso, eles criaram a série Blank on blank, que já conta com 40 episódios e mais de 6 milhões de visualizações. São entrevistas antigas, ruins ou "perdidas" que são tratadas por eles e recriadas em formato de belas animações, tirando do limbo conversas super interessantes com músicos como Beastie Boys, Ray Charles, Kurt Cobain, David Bowie, passando por gente do gabarito de David Foster Wallace, Larry King, Fidel Castro e a galera pesada do cinema que perdemos recentemente como Robin Williams, Philip Seymour Hoffman e Heath Ledger.

Dá uma conferida aqui embaixo nos vídeos e algumas citações ótimas dessa galera:

Michael Jackson: "Meu jeito de cantar... eu vou tentar explicar da maneira mais simples. É divino"

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Essa entrevista foi feita em janeiro de 1980, anos antes do disco Thriller e da subida do cantor ao posto de rei do pop. No papo, ele fala sobre ter conhecido o que viria a ser seu produtor, o fodão Quince Jones, e sobre a perfeição que ele tinha com suas músicas.: 

"Eu acredito profundamente em perfeição. Eu nunca estou satisfeito. [...] eu vou pra casa e penso 'não, isso não está certo, nós temos que fazer de novo, isso não está certo', e aí você volta e volta e volta e quando a faixa é lançada você pensa 'saco, eu devia ter feito aquilo'."

John Lennon: "Quando eu cantava 'All You Need is Love', eu falava sobre algo que ainda não havia experimentado"

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Esse vídeo tem trechos de entrevistas feitas entre 1969 e 1972, recém saído dos Beatles e louco de amores com sua Yoko Ono. 

"Se você ama alguém, você não consegue estar com eles 'o suficiente'. Não existe isso. Nós não queremos ficar separados."

Interessante ver como o discurso dele permanece inalterado nesse recorte de tempo, como a dupla estava em uma relação intensa todo o período.

John Coltrane: "Eu quero ser a força oposta. Eu quero ser a força que seja verdadeiramente para o bem."

Essa entrevista foi dada menos de um ano antes de sua morte, para uma rádio em novembro de 1966. Interessante ele ter afirmado que não estava praticando muito naquele tempo, mesmo tendo gravado discos em 66 e em 67, ano de sua morte. 

Coltrane sempre esteve em uma jornada de busca espiritual. Nada relacionado a religiosidade, já que ele próprio havia afirmado que "gostava de todas as religiões", mas sim uma pira espiritual mesmo, de busca do contato com deus e coisas assim. É sempre muito edificante ler e ouvir o que ele dizia sobre o assunto: 

"Eu acho que a música, sendo uma expressão do coração humano ou do próprio ser humano, faz expressar exatamente o que está acontecendo - o todo da experiência humana no momento em particular, que está sendo expresso."

Tupac Shakur: "Se eu fosse branco, eu teria sido como John Wayne ... Eu me sinto como um herói trágico em uma peça de Shakespeare."

Essa entrevista é de 1994, feita para a revista Entertainment Weekly. Nela, o entrevistador começa perguntando como o cantor de rap se via em 10 anos:

"No melhor dos casos: em um cemitério. Em um cemitério não, em cinzas, sendo fumado pelos meus manos no pior caso". Ele se corrige, "Quero dizer, esse seria o pior dos casos. Esse seria o pior dos casos."

Tupac foi assassinado após sair de uma luta de boxe em Las Vegas, em 1996.

Jim Morrisson: "O que há de errado em ser gordo?"

O poeta que esteve à frente do The Doors fala, em 1969, sobre como fazia suas refeições na época de faculdade, momento em que chegou a pesar incríveis 84 quilos:

"Ser gordo é lindo. [...] eu me sentia como um grande mamífero, como uma fera gigante."

A conversa temina com a pergunta de quanto o cantor pesava no momento na entrevista. 

"Não sei. Você quer comparar bíceps?"

Johnny Cash: "Eu só espero e rezo para que eu possa morrer usando minhas botas"

Essa entrevista é de 1996, com Johnny Cash já velho. A afirmação acima diz respeito ao fato de ele não parar de cantar, não sossegar: 

"Minha mãe sempre disse que todo talento é um presente de deus e eu sempre acreditei nisso. Se eu parasse, ficaria o dia todo em frente à TV, ficaria gordo e morreria rapidinho. Eu não quero fazer isso, eu só espero e rezo para morrer usando minhas botas."

Cash nunca foi o tipo de cara que morreria descalço em alguma cama em casa ou no hospital.

Heath Ledger: "Minha energia nervosa é geralmente a forma mais fácil de energia para eu adentrar"

Essa entrevista foi dada em 2005, um ano muito produtivo para Heath Ledger, antes do tão aclamado Coringa, mas ano de Brokeback Mountain, de Casanova, d'Os Irmãos Green e d'Os Reis de Dogtown. A fala acima se refere ao constante nervosismo que ele tinha antes de encasar um papel, da cobrança grande que ele tinha ao se achar incapaz de atuar, de ser ator.

"Atuação é realmente aproveitar o poder da crença."

Philip Seymour Hoffman: "Aprender a morrer, portanto, é aprender a viver"

Dezembro de 2012, em NY, uma ocnversa gravada e um dos melhores vídeos da série, em que o brilhante ator questiona a felicidade e afirma a diferença entre ser feliz e ter prazer:

"Eu definitivamente acho que prazer não é felicidade. Porque eu acho que eu mato prazer. Como quando eu exagero no prazer e, de tanto, torn-se desagradável. Como quando se toma muito café e você fica se sentindo miserável. Eu faço isso com o prazer muitas vezes. Então, eu não ... não há prazer que não tenha me deixado enjoado."

Robin Williams: "A comédia está aí para nos mostrar, basicamente, que se peidarmos, vamos rir. (serve) Para nos fazer perceber que ainda somos parte animal... Então não se leve a sério a ponto de destruir a espécie"

Em 1991, o comediante foi questionado como se via em 2020, e ele acreditava na queda dos países e no colapso econômico, mas não fazia ideia de como explicar isso em sua forma complexa, então ficou com a piada e a risada. Uma conversa bem bonita e que bota muitas verdades na nossa cara:

"A cara que você faz quando tem um orgasmo. Todo mundo parece muito estúpido, na verdade."

David Foster Wallace: "Se sua fidelidade ao perfeccionismo é alta demais, você nunca vai fazer nada"

Uma entrevista para a WNYC, rádio pública de Nova Iorque, em 1996. Uma boa conversa sobre tênis (o escritor e filósofo jogou tênis durante a infância) e como as lições de casa e trabalhos na faculdade foram ficando mais interessante.

"Uma das coisas interessantes sobre a prática de esportes competitivos quando criança é que você confronta suas próprias limitações de modo bruto em determinado momento."

Lou Reed (1987), B.B. King (1986), Elliot Smith (1998), Bette Davis (1963), Meryl Streep (2008), Jimi Hendrix (1970), James Brown (1984), Barry White (1987), Grace Kelly (1965), Janis Joplin (1970), Farrah Fawcett (1994), Louis Armstrong (1964). 

Um projeto incrível que bota grandes falas de grandes pessoas que estavam perdias ou que não serviam - inicialmente - para serem ouvidas, mas como parte de um material que acabou sendo usado em partes para material escrito. 


publicado em 16 de Maio de 2015, 00:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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