Estou à beira do suicídio | Mentoria #60

"Eu não conseguia ter uma vida normal: poucos amigos, vida social nula. Reveillon, praia, carnaval, viagens com os brothers são utopia pra mim."

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"Fala galera do PdH,

Meu nome é KAI. Estou escrevendo essa nota com o objetivo de aliviar minhas agonias e desabafar sobre a minha vida. Os parágrafos a seguir podem conter uma alta dose alta de vitimização, mas vou me ater ao máximo a realidade palpável das coisas.

Não vou perder tempo falando da minha infância: foi normal, altos e baixos mas nada aterrorizante. O inferno começou na pré-adolescência. Eu era um menino tipicamente frágil. Fui gordo demais e magro demais. Passei por diversas humilhações.

Enquanto meus conhecidos conseguiam seus primeiros relacionamentos na faixa dos 12/13 anos, eu era deixado de lado. As garotas não sentiam atração por mim. Na verdade, acho que sentiam pena devido a minha personalidade retraída e tímida.

Foto por @dearferdo

Com 15 anos mudei de escola e poucas coisas mudaram. Continuei a ser o renegado e, apesar de não estar completamente isolado, ainda era visto como fraco. Nesse mesmo período, sofri vendo os colegas de classe contando histórias sobre sexo, pegação e etc.

Além disso, dificilmente era convidado para festas, o que me causava ainda mais tristeza. No 2° e 3° anos do ensino médio, continuei a ser irrelevante. Nada de festas, sexo e coisas comuns nessa idade. Mas, ainda assim, possuía alguns amigos.

Depois que terminei o ensino médio, passei um ano e meio praticamente  isolado. Essa situação findou-se quando ingressei na universidade no meio de 2014, mesma época em que comecei a fazer academia.

Contudo, a essência de homem fraco ainda permeava, eu ainda era o mais zuado na roda de amigos. Com 20 anos ainda era bv e virgem. Vivi os mais variados tipos de inferno: não conseguia me aproximar de garotas, não conseguia fazer amigos, não saía para festas e me apaixonei por uma garota que cagava pra mim, o que me causou muito sofrimento.

O tempo foi passando e eu continuava vagando pela vida. Pontualmente fui melhorando alguns aspectos, mas tive recaídas fortes, chegando a tentar suicídio através de remédios.

Eu não conseguia ter uma vida normal: poucos amigos, vida social nula. Reveillon, praia, carnaval, viagens com os brothers são utopia pra mim. O fim de ano é uma das piores épocas da minha vida.

Consegui a proeza de dar meu primeiro beijo com 23 anos. Atualmente tenho 24, só beijei essa garota e continuo virgem. Já sou formado em um curso superior, porém não tenho emprego, possuo pouquíssimos amigos, e perdi as esperanças em basicamente tudo.

Em resumo, sou um homem de 24 anos, graduado, desempregado, que nunca fez sexo, beijou uma vez na vida e, pasmem, nunca viajou ou foi à praia.

Quero ressaltar que faço acompanhamento psiquiátrico (o que obviamente ajuda muito). Atualmente possuo uma aparência relativamente boa e mesmo assim me tenho uma auto estima e auto confiança baixíssimas. Apesar de não querer, a ideia de suicídio é cada vez mais forte, só não o fiz por um misto de covardia e esperança.

Esse relato é um dos meus últimos pedidos de ajuda. Obrigado.

Obs: eu queria muito ouvir a opinião do Fred Mattos a respeito desse desabafo. Ele me ajudou muito através desses anos, é um profissional que eu admiro muito."

Precisa de ajuda urgente?

Com depressão e suicídio não se brinca. Alguém me disse um dia destes que quem comete suicídio, na verdade não quer morrer, só quer matar a dor. Há muitas outras maneiras de calar esta dor e queremos te ajudar. 

Se estiver precisando de ajuda urgente, mas não souber com quer falar, entre em contato como CVV – Centro de Valorização da Vida.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Como responder e ajudar no Mentoria PdH

(leia para evitar ter seu comentário apagado):

  • comentem sempre em primeira pessoa, contando da sua experiência direta com o tema — e não só dizendo o que a pessoa tem que fazer, como um professor distante da situação
  • não ridicularizem, humilhem ou façam piada com o outro
  • sejam específicos ao contar do que funcionou ou não para vocês
  • estamos cultivando relações de parceria de acordo com a perspectiva proposta aqui, que vai além das amizades usuais (vale a leitura desse link)
  • comentários grosseiros, rudes, agressivos ou que fujam do foco, serão deletados

Como enviar minha pergunta?

Você pode mandar sua pergunta para posts@papodehomem.com.br .

O assunto do email deve ter o seguinte formato: "PERGUNTA | Mentoria PdH" — assim conseguimos filtrar e encontrar as mensagens com facilidade.

Posso fazer perguntas simples e práticas, na linha "Como planejo minha mudança de cidade sem quebrar? Como organizar melhor o tempo pra cuidar de meu filho? Como lidar com o diagnóstico de uma doença grave?" ?

Queremos tratar também de dificuldades práticas enfrentadas por nós no dia-a-dia.

Então, quem tiver questões nessa linha, envie pra nós. Assim vamos construindo um mosaico mais amplo de assuntos com a Mentoria.

Essa Mentoria é incrível. Onde encontro as perguntas anteriores?

Basta entrar na coleção Mentoria PdH.

KAY, um presente pra você:

Vamos te enviar por email o ebook "As 25 maiores crises dos homens — e como superá-las", produzido pelo PdH.

Se deseja adquirir ou presentear alguém que possa se beneficiar, compre a sua edição aqui.

Para conhecer mais sobre o conteúdo do livro e tudo que vai encontrar lá dentro, leia esse texto.

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publicado em 09 de Setembro de 2019, 14:14
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