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O som foda do Fat Freddy’s Drop pode te fazer deixar de ser ateu

Reggae, jazz, música eletrônica, soul, dub e um vocal swingado te fazem questionar a velha premissa de que perfeição não existe

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É incrível que uma banda que percorra tantos gêneros musicais, como fazem os neozelandeses do Fat Freddy’s Drop, consiga um resultado tão foda.

Dub, reggae, soul, jazz e música eletrônica. Tudo isso junto. Não umas pinceladas ou demonstraçõezinhas, mas tudo isso realmente acontecendo junto e ao mesmo tempo, a presença de todos esses sons simultâneos explodindo no seu fone de ouvido.

Sabendo disso, sempre em busca daquele equilíbrio que torna tudo mortal, você pensa: se o instrumental é tudo isso, o vocalista deve ficar meio que coadjuvante, né.

Negativo. Pelo contrário. É aí que entra o divino da história, que faz você se perguntar se a perfeição realmente não existe. A voz swingada e firme combina cem por cento com as milhares passagens eletrônicas do grupo e dá aquele gostinho de reggae-raiz jamaicano.

O Fat Freddy’s surgiu em 99, mas é reflexo de um boom que o reggae teve na Nova Zelândia vinte anos antes, depois de um concerto de Bob Marley & The Wailers no Western Springs Stadium, em 1979.

A partir daí surgiram grupos como Herbs, Beat and Blood, Unity Pacific, e outra cacetada de bandas homenageando o som do Bob. Outra responsável pela difusão do gênero foi a ascensão da religião rastafári no país, particularmente entre os Maori, povo nativo da Nova Zelândia.

Formado por sete integrantes, seis desde 99, o grupo começou como uma jam band, fazendo apresentações ao vivo em festivais, clubes, bares. Detalhe: todos os músicos eram membros de outras bandas e o Fat Freddy’s ficava como uma espécie de lugar onde cada um poderia demonstrar sua habilidade individual, experimentar, fazer umas firulas.

Em 2001 foi lançado seu primeiro álbum, chamado “Live at the Matterhorn”, gravação de um show que fizeram no clube de Matterhorn, em Wellington.

Praticamente nenhuma masterização foi feita e o som tava ali, cru. Sem promoção e publicidade alguma acabou vendendo mais de 9 mil cópias só no boca a boca.

O estouro oficial viria com o terceiro single da banda, lançado em 2003. Midnight Marauders ganhou o coração de uma produtora alemã e invadiu a Europa, fazendo a banda viajar por todo o continente numa turnê.

Em 2005, Fat Freddy’s Drop lança seu primeiro álbum de estúdio: Based On A True Story. O nome é uma menção ao processo de criação do disco. A banda apresentou as versões polidas e editadas que tinham gradualmente desenvolvidas em shows ao longo dos anos.

O resultado? O álbum mais vendido por um artista nacional da história da Nova Zelândia. Foi o primeiro álbum independente a atingir o primeiro lugar de vendas e permaneceu no top 40 dos mais vendidos por mais de dois anos depois do lançamento.

Depois disso vieram Dr. Boondigga and the Big BW (2009), álbum mais vendido na Nova Zelândia em 2009, o maravilhoso Blackbird (2013), que circulou o mundo inteiro e gerou outras turnês do Fat Freddy’s no continente europeu, e BAYS, lançado em outubro do ano passado – que de tão bem produzido acabou ficando um pouco tímido e tirando toda a ginga improvisada e inesperada que a banda tem.

Tem, vá lá, uma boa faixa que dá pra dizer que tem o DNA do grupo: Razor. Mas tenho certeza que vendo os vídeos da turnê europeia, que acontece esse ano, vou curtir pra caralho todas as músicas. Fat Freddy’s é maravilhoso no discão, mas ao vivo é sublime, sobrenatural.

Indico todos os álbuns da banda, principalmente o Based On A True Story, que apesar de não ser o meu preferido (Blackbird), é indiscutivelmente o trabalho que melhor traduz a pegada do Fat Freddy’s.

Pra recomendação final eu poderia jogar um álbum, mas queria compartilhar com vocês a apresentação Shiverman, do álbum Dr. Boondigga and the Big BW, em Londres.

Assistir Fat Freddy’s ao vivo, mesmo que pelo YouTube, é caminho sem volta. Segurem essa presença!

 


publicado em 24 de Fevereiro de 2016, 07:15
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Giovanni Arceno

Giovanni Arceno é estudante de jornalismo. Tem mais amor pela literatura que amor próprio.


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