Heleno, o belo.

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Nesse último mês de dezembro completei aniversário. Minha namorada, muito ciosa de meus gostos, me presenteou com um livro. Um livro do gênero que mais me apraz a leitura: uma biografia.

Não uma biografia qualquer de um grande empresário de sucesso. Mas uma biografia daqueles personagens que me prendem pelos colhões à leitura. Uma história de vida que me chumbou os olhos durante dois dias ininterruptos, recheada de excessos, erros, glórias e transcendências.

Heleno de Freitas foi um mineiro que comeu a bola, antes mesmo do Brasil ser o país do futebol. Nasceu na mineira cidade de São João Nepomuceno ao começo da década de 1920. Uma época tão longínqua e inconcebível para nosso espectro informático, que até duvidamos da ocorrência de tal período.

De família ilustrada, frequentou escolas e acabou por se formar em advocacia. Até então, o futebol era amador e ser jogador era uma escolha menor ante a sociedade. E de sociedade, Heleno entendia muito bem.

Versado e loquaz, o atacante transitava sem dificuldades em meios políticos, artísticos e empresariais. Falava em línguas, citava clássicos, se vestia bem. Era uma figura definitiva da vida romântica dos cassinos cariocas da década de 1940.

Botafogo de coração, iniciou sua carreira no aristocrático time das Laranjeiras. Sua elegância e visão de jogo encantavam os torcedores, mas seu temperamento dentro de campo era arrogante e ofensivo. Xingava jogadores que erravam passes, desafiava cartolas a serem melhores que ele em campo, ameaçava zagueiros que o acossavam.

Espécie de Elvis Presley de um esporte popularesco, precedeu Garrincha nas confusões e nos vícios. A vida boêmia de Heleno o levou ao mesmo destino: mulheres a granel e uma dependência devastadora por éter. Juntas, elas selariam o destino do mineiro boa pinta.

Heleno passou pela Seleção e pelo Boca Juniors, antes de ser completamente execrado do futebol. Sua libertinagem acabou por lhe render uma sífilis arrebatadora. Acabou louco e solitário em uma casa de saúde mental em Barbacena. Tinha 34 anos.

Rodrigo Santoro vai peitar a tarefa de ressucitar o genioso jogador nas telonas. Ator versátil e expressivo, o artista tem a difícil missão de incorporar um personagem transbordante de vaidade, luxúria, genialidade e beleza. Um perfeito ser humano.


publicado em 05 de Janeiro de 2011, 22:24
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Flaco Marques

Rapaz do interior de SP que vive suas desventuras na cidade grande. Poliglota valente, busca equilibrar o jeito cosmopolita de ser com a simplicidade caipira de viver.


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