"Tenho quase 30 e não consigo independência financeira. Me ajudam?" | Mentoria PdH #9

"Estou frustrado por ter essa idade, ter feito escolhas ruins e não receber apoio."

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Pergunta da semana:

"Olá, pessoal, boa tarde. 

No domingo, 27/05, estava eu mais uma vez enfiado em casa lendo algumas matérias aqui do PdH, quando me deparei com o relato do Douglas: "Tenho 32 anos, mas uma autoimagem de 21" | Mentoria PdH #5"

Me identifiquei muito com este relato. Tenho 28 anos, prestes a completar 29, comecei a trabalhar e estudar muito cedo, em 2008, com 18 pra 19 anos.

Estou frustrado por ter essa idade, ter feito escolhas ruins e não receber apoio.

Logo após meu primeiro emprego, mudei para outro no qual tinha um salário excelente para a época, cerca de R$900. A empresa, tempos depois, entrou em crise e acabei dispensado. 

Entrei em outro emprego, no qual não tinha um bom salário, mas era muito feliz. Como o serviço era estressante, pedi demissão visando melhorias, trabalhei por 2 anos e meio nesta empresa e nela iniciei minha faculdade. 

Nesta mesma época meus pais se divorciaram e a vida tranquila que eu tinha foi por terra abaixo, comecei a passar muitas dificuldades, chegando a diminuir até a quantidade de comida em casa. 

Cerca de um ano depois, arrumei um bom emprego, e assim como no último também era um dos destaques e homem de confiança do dono.

Porém, o horário era doído, das quatro da tarde às quatro da manhã, todos os dias. Como queria voltar a estudar, pedi demissão. Me arrependi muito meses depois, pois nesta empresa tinha certeza que subiria de cargo, como sempre quis. 

Tive que trancar minha faculdade devido ao horário estranho que tinha. Pouco tempo depois entrei em uma farmácia, mas o gerente me enrolou. Minha função não era exatamente a que ele tinha me proposto na entrevista, alguns meses depois pedi demissão novamente, pois costumava "chover" ligações de emprego para mim. Afinal, tinha boas qualificações para a minha idade. 

Mas desta vez não foi assim, fiquei cerca de dois anos e meio desempregado, chegamos eu e minha mãe a passar fome. Ela fazia faculdade e era estagiária, dependíamos de um parente para comer e pagar contas. Meu pai nunca demonstrou muita preocupação com meu bem estar, mesmo tendo casas de aluguel e aproximadamente R$4.000 de aposentadoria. 

Depois de muito tempo fora do mercado de trabalho, recebi uma proposta para trabalhar como vendedor. De início relutei, sempre odiei vendas. Para minha surpresa, meses depois já era um dos destaques não apenas na minha loja, mas em todas as redes do Brasil.

Cheguei a ficar entre os 10 melhores vendedores da rede em território nacional. 

Tive a oportunidade de subir de cargo e ser sub-gerente, mas era para outra loja. Recusei pois sentia que devia alguns favores à minha atual gerente. Em agosto do ano passado, após muita crise, a loja fechou e saí sem receber um centavo de acerto rescisório ou seguro desemprego, já que a empresa está em crise e não consegue pagar. Nem com ordem judicial resolveu. 

Dependo de um dinheiro de aluguel que meu pai deixou, cerca de R$700, os outros aluguéis ficam com minha mãe, que está prestes a se casar novamente e vai levar os dois aluguéis para viver com seu novo marido — pois, segundo ela, "não vai ficar nas costas dele"...  

Eu tranquei minha faculdade quando vi que minha mãe estava em um estágio mais avançado na dela. Achei que ela conseguiria arrumar emprego mais rápido que eu. 

Ledo engano. Fiquei incrédulo quando, no começo deste ano, ela arrumou um emprego para receber R$400. Nem acreditei que aceitou, se soubesse teria eu terminado a minha, ao menos teria uma profissão agora. 

Minha mãe vive jogando na minha cara que os aluguéis são dela, me sinto mal por isso, pois todas as vezes que ela precisou sempre ajudei, inclusive já cheguei a dar todo meu salário a ela e nunca joguei isso na cara de ninguém, fiz para ajudar. 

Ultimamente meu pai tem falado em vender a casa de aluguel que deixou para mim, pois está construindo na cidade natal, em que mora agora, e que eu detesto. 

Sei que errei muito, sei que nesta idade eu já deveria ser auto-suficiente.

É péssimo depender dos outros, sinto uma frustração muito grande por isso. Estou com muito medo do que pode acontecer, não quero ser um fracassado, não é assim que planejei chegar aos 30... 

Para piorar, apesar da excelente aparência e de chamar a atenção do público feminino, com muita simpatia também, sou muito tímido. As mulheres me encaram, mas travo. 

E também dei muito azar, em toda minha vida cheguei para conversar com duas mulheres, que me encaravam sem parar. Uma delas era uma colega de trabalho. Quando cheguei nela, me disse que namorava meu chefe. A outra também tinha namorado. Isso me travou ainda mais. 

Todos os meus primos, até os mais novos, já são formados. Minha avó ajudou, mas ela faleceu há cinco anos. 

Um parente meu ofereceu para pagar minha faculdade, mas sinto vergonha, não quero abusar. 

Enfim, muito obrigado, precisava botar isso para fora, sei que me prolonguei, mas foi bom desabafar, muito obrigado a todos que leram até aqui."

— Lucas

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publicado em 28 de Maio de 2018, 12:41
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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