Já parou pra pensar no que vai te fazer sofrer em 2016?

Cada esperança traz em si a semente de um sofrimento futuro. Mas dá pra ser diferente.

Calma, esse não é um texto pessimista. Pelo menos, não é pra ser.

Todo mundo tem aquelas velhas promessas de fim/começo de ano. As coisas vão se encaminhando, a gente esquece o que andou dizendo, prometendo pra si mesmo, até que chega ao término do ciclo correndo pra tentar ficar um pouquinho melhor do que no início dele.

E não há nada de errado nisso.

Só que a gente se cobra, se culpa, e, como consequência, sofre um bocado.

Esse texto eu fiz lá no finalzinho de 2013, como um lembrete pra mim mesmo. Foi uma daquelas tentativas de enxergar as coisas de uma forma um pouco mais lúcida. 

Agora, olhando daqui, dois ciclos depois, ele me parece um pouco triste demais. E, se é pra adicionar uma camada nova, diria que a gente pode enxergar essas promessas e esperanças de uma forma um pouco mais lúdica. Afinal, o que são as nossas expectativas senão nossa criança mimada interna falando alto demais e tentando tomar o controle das nossas vidas?

Assim, fica o que aprendi em 2015, depois de olhar algumas vezes pra essas promessas (e o texto): pegue leve consigo mesmo.

Feliz 2016!

* * *

O ano, como as pessoas, têm seu momento de senilidade, quando o futuro é curto e o fim é inevitável.

2015 está nessa fase.

Seus últimos dias se aproximando e o hábito de fazer checagens ficando cada vez mais urgente. É quando a gente olha pra trás e começa a perceber que não emagreceu os quilos que prometeu, que a academia foi ficando pra depois, que não produziu os textos que queria, não conseguiu ler mais, nem ver filmes, muito menos viajar.

O tempo, esse danado, foi passando e não deu a mínima aos planos. Enquanto seguimos fazendo o que de mais urgente aparece na nossa frente, nossas ambições de melhoria da vida vão sendo deixadas de lado.

Além de mim e de você, quantas outras pessoas não devem ter passado pelo mesmo?

Talvez, o chefe escroto tenha prometido pegar mais leve. Talvez, alguém próximo tenha prometido assumir a responsabilidade sobre as próprias falhas, ao invés de colocar a culpa em alguém. Talvez, o casamento tenha sido foco da promessa de alguma das partes: "agora vai"!

Mas nem tudo é desastre, nem tudo é catástrofe. Às vezes as coisas dão certo.

Um filho pode ter nascido. Um casamento pode ter se feito com uma bela cerimônia. Muitos amigos podem ter sido visitados. Ou, quem sabe, até aquelas promessas mais bobas que a gente nunca cumpre podem ter sido levadas a cabo, até o fim. Empregos, carros, casas novas, mudanças. Você pode ter conhecido alguém que fez esse coraçãozinho bobo sacolejar no peito. Sim, bons desfechos podem ter ocorrido.

Mas, também devemos lançar um olhar mais sincero a essas histórias que vamos contar sobre o ano que vai nos deixando. Sabemos que cada felicidadezinha, cada pequena vitória, cada suspiro de alívio vem acompanhado de algumas gotas de suor escorrendo pela testa. A gente sofre tentando ser feliz.

É aí que a gente começa a se ver repetindo aquilo que fez no começo do ano e as promessas de 2015 se transformam nas promessas de 2014. Afinal, é uma nova chance que surge.

Nada mais justo do que tentar outra vez.

Mas, aqui, queria propor um lembrete, para antes de girarmos novamente a roda do tempo.

Já parou pra pensar que as suas apostas e promessas serão as razões pelas quais você vai sofrer em 2016?


publicado em 02 de Janeiro de 2016, 00:05
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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