Como a lavagem cerebral funciona (mentalidade de seita, por que acontece e quais os antídotos?)

Cultos, seitas religiosas, esquemas de pirâmide... Como funcionam? Por que tem gente que ainda cai nisso?

Ver o documentário no Netflix Wild Wild Country sobre as controvérsias da comunidade criada em nome de Bhagwan Rajneesh (Osho) trouxe de volta o desejo de seguir num assunto que havia começado junto com o Rodolfo Viana nos textos Como Construir uma Religião em 7 Passos e Sofri Abuso Espiritual.

O que nos faz abdicar de nossa capacidade de arbitrar decisões importantes, refletir de forma lúcida, tomar consciência de nossas virtudes e contradições e seguir uma ideia/pessoa/mito de forma cega a ponto de colocar a nossa vida e de pessoas que amamos em risco?

A descoberta de métodos de lavagem cerebral foi uma obsessão no século passado. As práticas de guerra, espionagem e contra-espionagem abriram um interesse bizarro sobre como podemos moldar a mente das pessoas de um modo que ela se torne um servo passivo de nossas vontades.

O que vou descrever aqui não se resume a uma religião ou seita específica e está longe de ser um método aplicado somente em meios religiosos ou de táticas de guerra. Em muitas medidas, o que nos faz cair nesses esquemas nasce em nossas casas, nas maneiras autoritárias de famílias disfuncionais que plantam as sementes que mais adiante servirão de base para o fanatismo. 

Empresas, movimentos políticos, família e até campanhas de publicidade que vemos todos os dias na TV, fazem uso de mecanismos de lavagem cerebral muito mais do que gostaríamos de acreditar. Afinal, ao anular a autonomia e capacidade crítica de uma ou de centenas de pessoas, pode proporcionar poder pessoal e, na maior parte dos casos, vantagens financeiras abundantes.

O preparo

Quando olhamos uma seita pelo lado de fora, pode parecer muito fácil identificar uma série de problemas e comportamentos bizarros, como ofertas financeiras, oferendas de qualquer ordem ou simplesmente o tempo integral dedicado para uma causa.

Porém, nenhuma lavagem cerebral acontece do dia para a noite, existem condições prévias que colocam uma pessoa numa condição de vulnerabilidade psicológica e social e a faz reconhecer uma nova morada num agrupamento desses.

Condição vulnerável

Uma pessoa que está se sentindo sozinha, social ou emocionalmente, provavelmente está reprimindo um instinto básico que temos de afiliação, de pertencer a um grupo que nos proteja e dê referências sobre o que somos e podemos ser.

Essa falta de critérios claros sobre o que é uma boa vida pode ser asfixiante para a maior parte das pessoas, pois o hábito de comparação é quase irresistível. Até mesmo para chegar à conclusão de que somos inferiores aos demais, precisamos de outras pessoas.

Alguém que venha de uma família disfuncional, com pais permissivos ou abusivos, oferece as condições para que uma filosofia ou mestre de pretensões absolutas do tipo "eu salvo você" caia como uma luva. Para quem não tem convicções mais sólidas sobre sua importância, o guia vem como uma voz na escuridão da vida. Para quem passou a vida toda reprimindo e anulando as suas próprias vontades, o mentor se transforma numa figura com aparência amorosa que surge como alternativa ao domínio previamente sofrido. No final, a mentalidade de submissão acaba reproduzindo o mesmo modelo abusivo anterior.

Períodos de crise, de transição, de perdas abruptas ou, enfim, de enfraquecimento da identidade, facilitam a conversão justamente porque seitas proporcionam um senso de identidade renovada, a promessa de uma vida incomum.

Todas as emoções e problemas emocionais que originaram ou foram consequência dessas crises parecem encontrar um lugar quentinho para proliferar as "infecções emocionais" da lavagem cerebral. A lógica é que quando o problema é grande, a aposta precisa ser gigantesca.

Os elementos

É preciso ter os jogadores certos para que a jornada se perpetue pelo maior tempo possível. As peças do xadrez de uma seita são: o líder, os seguidores, a ideologia e os métodos de controle.

Explico.

O líder

Se ele é uma figura real ou não, isso acaba sendo o menos relevante. O importante é que ele tenha sido alguém comum como nós que fez a travessia completa do mar da ignorância para um lugar de luz absoluta. O conteúdo da luz dependerá da seita, pode ser dinheiro, sabedoria, poderes sobrenaturais, divindade, o importante é que ele seja o portador dessa nova verdade.

Jim Jones

Normalmente, a figura de poder costuma ser possuída de um narcisismo muito sofisticado, que não é identificável com facilidade, pois vem embalado numa aura de beatitude. É possível entrever as contradições nos momentos em que surgem grandes frustrações no projeto superior, quando a comunidade cresce ou quando surgem opositores — externos ou internos — ao círculo. Não raro, é possível presenciar fúria, desprezo, acusação, manipulação de interesse e o jogo do "me traíram", "fiquem vigilantes uns com os outros" ou "há uma mal que tenta nos dividir que precisamos destruir".

Seguidores

Os convertidos são essenciais para dar veracidade ao que o mestre visualizou, eles oferecem o seu tempo e energia para obter o mesmo tipo de benefício do mestre. Com o tempo, se tornam submestres que representam fielmente a vontade do superior supremo. Acabam sendo os olhos dos líderes para que nada saia do lugar. Todos os não-seguidores podem ser potenciais convertidos, por isso, a postura com eles é geralmente amistosa.

Com o tempo e a dedicação, o medo de admitir que se está desperdiçando recursos acaba dominando a mente do seguidor, mesmo que ele veja gritantes contradições na seita. Deve ser difícil mudar quando se passou tanto tempo convertendo, gastando dinheiro, energia e convencendo as pessoas próximas de que se é uma pessoa diferenciada (leia-se: "superior"). Uma identidade baseada em premissas totalitárias não oferece muita chance de arrependimento sem causar um abismo emocional. A sensação é de completo desamparo, como mudar para um país estranho sem saber a língua e os costumes e sem garantia de um futuro melhor.

Até mesmo quem abandona a seita ainda pode seguir com uma espécie de Síndrome de Estocolmo, defendendo o mestre e atribuindo a decepção a alguma outra instância do processo que não dizia respeito a eles. Um dos sintomas mais fortes da mentalidade de seita é que os seus seguidores jamais se consideram como parte de uma seita. Mesmo após deixar o grupo, tal afirmação soaria até ofensiva ou desonrosa, como se estivessem sendo acusados de estar levando na brincadeira uma coisa que é muito séria.

Esse é o pulo do gato que mantém a adesão: a falta de autocrítica para além da própria bolha.

A ideologia

A vida tão carregada de paradoxos incompreensíveis e com tantas incertezas e ambiguidades nos deixa aturdidos. Quem nunca sentiu saudade da inocência da infância, quando os pais garantiam toda a segurança e acolhimento do mundo e bastava viver um dia depois do outro? Essa proteção existencial é metaforicamente proporcionada pela ideologia do guru.

A principal característica dos métodos de lavagem cerebral é a criação de uma noção clara da existência de dois grupos muito distintos entre si: os que aceitam as novas regras do jogo da seita versus aqueles que ainda não encontraram a verdade. Nessa ideia bem primitiva já é possível ver os gatilhos do medo e do desejo de afiliação bem acesos. Quem não quer pertencer ao clube supremo dos bem-sucedidos financeiros, espirituais e sociais? Quem não quer ter acesso à informações privilegiadas que o distinguirão dos demais?

As metas, de modo geral são sempre muito difusas e quase inatingíveis para grande parte das pessoas da seita e, supostamente, visíveis em seus líderes e sub-líderes. É preciso usar uma linguagem compreensível como o amor, a paz, o patriotismo, a fé e a virtude de modo geral, mas de um modo idiossincrático, com uma textura particular e linguagem própria, quase criptografada com o selo do guia. Para abrir essas chaves o seguidor precisa se submeter a uma série de rituais concretos ou simbólicos que o qualifiquem a ter determinado privilégio. 

Nesse quesito, vale tudo, até criar comprovações pseudocientíficas para sustentar a fantasia coletiva. Porém, isso nunca é mostrado como algo antirracional, mas como verdades desconhecidas, ignoradas ou até invejadas pela ciência, "eles nunca admitirão isso, afinal, vão perder muito poder/dinheiro/influência se isso vier a tona".

Os métodos

Não é possível manter uma estrutura mental e social de seita sem algumas engrenagens concretas, pois sem isso, ela perde efeito muito rápido. Normalmente, incluem práticas específicas, um molde comportamental, mecanismos de controle e gerenciamento de debandada.

1. Práticas: as práticas tem como principal objetivo afastar o recém convertido do seu núcleo original problemático, sustentar uma postura menos analítica e manter o seguidor entretido pelo máximo de tempo possível nos "produtos de evolução" que são vendidos ao longo do processo.

As boas vindas são práticas essenciais, pois todo o protocolo da conversão acontece no impacto inicial, na dissonância cognitiva entre o que a pessoa vê "lá fora" versus "dentro" do culto. É ideal que a primeira impressão faça a pessoa se perguntar como viveu até aquele momento sem saber que um lugar tão especial existia. Os novatos são tratados com todo o mimo possível. É o bombardeio inicial de amor. Quem pode dizer não depois de ser tão presenteado emocionalmente com coisas lindas? O gatilho de reciprocidade exerce fundamental influência, afinal, é muito difícil resistir depois de ser tão bem recebido.

Pouco a pouco um tipo de vocabulário novo é introduzido. Termos em outras línguas são comuns, até para desconfigurar a lógica habitual e oferecer um senso de importância e exotismo ao processo, como se viesse de longe. Esses novos jargões dão um tipo de identidade ao grupo e facilita o reconhecimento de quem está dentro ou fora do círculo.

Os rituais internos costumam ser muito eficientes, pois mobilizam energia entre as pessoas, trazem relaxamento e um senso de pertencimento e integração, mas o principal disso é mover as emoções fragilizantes e deixar o senso crítico cada vez mais distante.

Privar do sono, mudar alimentação, trazer muitas informações de tal modo que confundam o sujeito e diminuam a atenção de forma geral. Isso desgasta o corpo e, em especial a mente, para que ela se torne a depositária de novas e "virtuosas" informações. Músicas e cânticos também mobilizam energia, gritos de guerra, tom de voz alterado (muito alto ou muito calmo). Roupas ou objetos abençoados também são práticas complementares no processo de renovação.

Osho

Qualquer coisa que distraia o seguidor pode ser uma ameaça à integridade do grupo, por isso, é importante impor uma agenda pesada de compromissos com a seita. Quanto mais restrições pessoais, maior será a submissão. Sem alertas externos, não há disputa. O grupo passa a ser a nova morada em detrimento dos que estão do lado de fora.

Se quer simular uma jornada especial, é preciso muitos degraus, muitas chaves e muitos comportamentos pré-requisitados para que cada fase seja ultrapassada. É como jogar Pitfall: não tem fim.

A Cientologia, por exemplo, é expert nessa prática. São tantos níveis a serem atingidos que nem o seu criador conseguiu inventar tantas histórias que confirmassem seu sistema de evolução intergaláctica. Controle as informações e terá pessoas obcecadas por merecer, fazendo tudo o que for preciso para obter atalhos evolutivos.

O que seria mais confortante do que ouvir várias pessoas abrindo o coração sobre as suas fraquezas? Sei bem do benefício disso em terapias de grupo. Mas e se esses testemunhos forem usadas para obter algum tipo de constrangimento moral sobre o pecador? Quanto se pode obter com esses pontos frágeis nas mãos? As seitas sabem bem o que fazer: constrangem, jogam com a culpa, humilham e expõem a pessoa diante dos outros para que saibam quem está no controle.

Nenhuma evolução pessoal pode ser próspera se o aprendiz não puder colher os benefícios em tempo breve. Essa sensação de urgência e escassez de tempo como se o mundo estivesse entrando em colapso é uma fórmula muito sugestiva de correr mais rápido e fazer votos cada vez mais altos de entrega.

O essencial do método é: anule o quanto puder a capacidade analítica e, se a usar, que seja em função do "coração". É válido saber usar a voz subliminar que pode ser doce (para provocar suspense e quietude) ou enérgica (para acionar as forças primitivas) de forma a conduzir as emoções para um lugar de acolhimento ou temor conforme o efeito desejado.

2. Molde comportamental: Nenhum fanático se transformou da noite para o dia. Ele se submeter a etapas sutis, pequenos movimentos em que a lagarta foi criando um casulo até se tornar uma borboleta "livre". Esse pacto gradual é apropriado para não criar uma dissonância cognitiva tão grande ao ponto de fazer o neófito desconfiar de si mesmo. Esses mecanismos de defesa operariam contra a conversão, o desejo pela zona de conforto soaria o alarme.

Conforme o processo avança, o doce começo vai cedendo espaço para uma oscilação de euforia e culpa pela incapacidade de evoluir mais rápido. As exigências externas aumentam, o servo precisa dar mais e mais, em demandas infinitas, até que toda a sua identidade desapareça e se transforme em mais uma câmara de eco da voz do mestre.

O ponto alto é criar um portal de transformação, deixar "claro" o que seria o lugar de realização final. É aí que todo o processo de anulação posterior será apoiado, pois é na nova identidade idealizada que o ego irá lentamente criar uma guerra interna, da alma contra o ego.

Mostrar ao recém convertido a existência de uma dimensão maligna que pode ser anulada pela transformação é o caminho das pedras para uma jornada sem volta de auto-repúdio. A pessoa começará a odiar o seu passado, sua história e suas relações anteriores como maneira criar um divórcio interior: eu não sou mais aquele eu. Desse modo, o que se vende é que se poderia acabar com a dimensão destrutiva e egocêntrica da personalidade para criar uma personalidade limpa, dissidente do passado. Dali pra frente não é raro que o sujeito ganhe um novo nome de iniciado e comece a reescrever o seu passado, retratando-o como deplorável.

Daqui para frente, é uma manutenção continuada, mas sempre reforçando a ideia de que o bem está dentro da comunidade e o mal está lá fora, de um lado a cura e do outro a queda.

3. Mecanismos de controle psicológico: Nessa longa jornada você precisa de muita vigilância. É o que dizem: vi-gi-lân-cia. É preciso dormir com um olho aberto e outro fechado, tanto para dentro quanto para fora. Absolutamente tudo e todos precisam ser vistos com desconfiança. Não caia em tentação. A própria pessoa é encorajada a ser uma espiã de si mesma, de forma a deixar o controle de sua própria consciência nas mãos dos guias.

O bode expiatório está bem delineado: qualquer um que faça algum contraponto, mesmo que simpático à causa. A dúvida passa a ser parte constante da convivência com quem não pertence ao clube. Elas tem inveja, não compreendem a luz atual e no fundo são ingratas, costumam ser os lamúrios ressentidos de quem se converteu.

Uma das táticas preferida de Hitler (o líder nazista, você sabe, né? ;) ), era oferecer a dois membros da alta cúpula a mesma tarefa. Assim, um passava a abocanhar o outro pelas costas e ele obtinha informação privilegiada de ambos os lados, como se todos estivessem protegendo-o de um mal ou traição em potencial. A espionagem mútua se torna um excelente método de controle.

O mérito de coisas boas que sucedem na vida do fiél é do grupo, mas os tropeços são responsabilidade da pouca dedicação e fé do indivíduo. O combate à preguiça e desistência é radical, afinal, seguidor preguiçoso não rende nada para a seita.

No processo já consolidado, o seguidor passa a ser os olhos e ouvidos do líder, bloqueando qualquer informação crítica ao grupo e de todos é exigida uma entrega absoluta, sem qualquer escrutínio, numa plena fé "cega".

4. Gerenciamento de debandada: Para impedir que qualquer pessoa queira arriscar a vida "lá fora", ocorrem muitas ameaças de perdas de privilégios e vantagens sociais, emocionais e/ou financeiras. Se alguém sair, é um traidor de uma causa santa e se torna um novo inimigo, para reforçar aqueles que ficaram e evitar que outros também saiam da seita. Nada do que o dissidente falar é levado em consideração, afinal, ele caiu em descrédito. Quem ousa questionar o mestre e os seus métodos está ameaçado frontalmente com a perda de prestígio do grupo.

As sequelas

O que esse tipo de abuso espiritual pode acarretar na personalidade de um indivíduo? As possibilidades são variadas, mas a mais evidente é um tipo de vazio existencial súbito acompanhado de isolamento social, afinal, todos os laços emocionais giravam em torno da comunidade anterior.

Hitler e o nacionalismo

O sentimento de desolamento, sujeira, culpa e inadequação são comuns. Como se uma aura (nem é bom usar esse termo nesse contexto) de irrealidade se abatesse sobre a pessoa. "A vida não tem muito sentido do lado de fora" é o que muitos relatam. Se a pessoa tinha sentimentos ou problemas psicológicos camuflados, isso pode voltar à tona, pois não havia sido efetivamente cuidado, mas convertido e diluído no contexto da seita.

É possível reverter?

Não é simples trazer um fanático à tona, mas certamente nenhuma abordagem radical e intensa deve ser usada para reverter o quadro. Ter curiosidade, se aproximar, oferecer apoio, colo, afetuosidade, enfim, compensar de maneiras mais saudáveis os fatores de fragilização anterior à conversão podem funcionar como resgate. Mais importante do que tentar trazer de volta uma identidade prévia é criar uma rede de apoio, especialmente no caso de a pessoa ter medo de lidar com o isolamento pós-debandada. Uma boa dose de humor, curiosidade e silêncio amoroso pode ajudar a criar uma nova base de segurança.

O fundamental é: nunca se combate fanatismo com fanatismo.

Leveza, abertura, alegria e paciência ainda são caminhos mais valiosos nessa trilha de nova descoberta pessoal. Não é fácil tomar para si as responsabilidades pelos próprios atos e pelo gerenciamento emocional da complexidade de uma vida adulta. É no espaço saudável para ambiguidades emocionais que se pode abrir um diálogo de "volta" até que o "feitiço" quebre.

Depois de um tempo de distanciamento, readequação social e emocional, muitos se reabilitam. Porém, podem carregar consigo um tipo de resistência absoluta a qualquer tipo de religiosidade ou entrega emocional guiada por instituições ou gurus. Para alguns, a reabilitação se torna lenta e quase inexistente, resultando num tipo de apatia pessoal. A verdade é que esse descompasso, dependendo de quão funda foi a imersão, tem efeitos imprevisíveis sobre a personalidade de alguém.

Uma sorte: não é tão fácil criar uma seita, não existe passo-a-passo infalível

Porque não é tão simples reunir condições históricas, sociais, pessoais e coletivas apropriadas que sustentem esse tipo de alienação de si mesmo por tanto tempo. Muitos fenômenos dessa espécie surgem e desaparecem, seja pela inconsistência ou morte do líder, pela pouca expressividade da ideologia, ou até mesmo uma fraca implementação dos mecanismos de controle.

Não é fácil produzir figuras como Hitler, Jim Jones, Osho, gurus de autoajuda e certas religiões com igrejas em muitas esquinas do Brasil — é até difícil tocar em nomes sem causar uma ofensa pessoal, por ainda serem muito aceitos por grandes grupos.

Algumas pessoas mais apocalípticas poderiam alegar que esse texto serviria de base para uma mente sombria se apoderar e usar em benefício próprio. Sim, é verdade, mas nada do que falei aqui é segredo. Há inúmeros líderes de grupos religiosos que, certamente, têm treinamentos mais sofisticados que os aqui apresentados.

Porém, esse raio-x tem o intuito de clarear aqueles que em algum momento já se perguntaram o quão atolados podem estar em suas próprias condutas de vida e convicções sociais, políticas, psicológicas e espirituais.

Esse artigo é um alerta para que esse tipo de prática seja desfeita por dentro.

Se eu puder deixar pelo menos uma pulga atrás da orelha, então, posso considerar que a missão está cumprida.


publicado em 27 de Março de 2018, 00:00
File

Frederico Mattos

Sonhador, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, oferece treinamentos online em A Mente Humana e escreve no blog Sobre a vida.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura