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Manifesto Democrático: por que vamos pras ruas?

Se argumentarmos que estamos lá como indivíduos, somos idiotas úteis. Se argumentarmos que estamos lá como parte do povo, somos massa de manobra.

Se defendermos que estamos lá por 20 centavos, irão nos dizer que deveríamos estar lutando por problemas muito maiores e mais profundos da sociedade.

Se defendermos que não estamos lá por 20 centavos, mas sim por problemas muito maiores e mais profundos da sociedade, irão nos dizer que não temos foco e que nossa manifestação é perda de tempo.

Nas ruas, reais e virtuais, todos já têm na ponta da língua o que e quem criticar, mas muitos ainda buscam uma resposta prática quando são questionados:

“O que vai mudar com você indo às ruas?”
brasília-tomada

Caso os vinte centavos sejam mantidos na tarifa, nós ouviremos na sequência que tudo que fizemos foi em vão.

Caso os vinte centavos sejam retirados na tarifa, nós ouviremos na sequência que agora que o todo o barulho que fizemos acabou, o Brasil segue com tudo como estava antes, apenas 20 centavos mais barato.

A principal questão é como tornar tangível os objetivos de todos aqueles que têm se manifestado (nas passeatas ou não).

Antes, precisamos tornar tangível o que são os movimentos sociais hoje.

Na pátria de chuteiras, é extremamente importante que se entenda que apoiar um movimento não deve nunca ser igual a apoiar um time de futebol. Ao escolhermos um time, nunca mais mudamos, seja o time bom, seja o time ruim.

Ao nos posicionarmos a favor de um movimento ou uma causa, é necessário ter em mente que a causa pode não mudar, mas os interesses dos líderes da situação e também da oposição sim.

Por isso, é necessário uma reflexão constante acerca dos rumos e metas que estão sendo almejadas.

E que sejam reflexões de ambos os lados. Você não acha que é oportunista vermos petições de impeachment quando, na verdade, a condição atual não é resultado de um só partido, mas da junção de governos medíocres de ambos os lados?

Um dia a policia reprime fortemente os manifestantes, no dia seguinte se abrem as portas do teto do congresso de maneira tão tranquila.

E antes disso, por outro lado, o prefeito de São Paulo se isentava da violência durante os protestos de terça e quinta e falava que a ação policial tinha sido truculenta, como se ele nada tivesse a ver com os mandos e desmandos de sua cidade (embora a PM não esteja sob sua batuta, é evidente que ele poderia ter se posicionado de maneira muito mais enérgica).

É muito fácil e passível a erro todas as conclusões que são realizadas no calor da situação, se pensamos tanto até apoiar este protesto, é importante que continuemos pensando e não apenas seguindo um lado de maneira cega.

Então voltamos a pergunta CRUCIAL:

“O que vai mudar com você indo as ruas?”
(Imagem: Ismael dos Anjos)

Algumas prováveis respostas:

-- Vai mudar a visão que o Governo tem do povo.

Com isto é esperado que decisões arbitrárias e absurdas da parte dos governantes sejam mais  cautelosas e aconteçam cada vez menos, sob o risco de outra grande mobilização popular.

-- Vai mudar a visão que você tem sobre si mesmo.

Ao entender o poder que cada um tem nas próprias mãos, é possível que tenhamos também mais consciência e atenção em momento cruciais da democracia, como no momento de maior importância, as eleições.

-- Vai trazer novos contornos para o Futuro.

Não é possível chegar a lugar algum em apenas um passo, menosprezar os primeiros seria um grande erro. Assim como você eu também tenho até arrepios em ouvir que somos o “País do Futuro”, assim como você também quero uma mudança muito grande, mas lembremos que não é possível chegar a lugar algum em apenas um passos, menosprezar ou não dar os primeiros, seria um grande erro.

Este não é momento de agressão, mas sim de compreensão. Explodir ou apenas rechaçar a opinião alheia não trará ninguém para o seu lado, muito menos fará uma pessoa entender o que você tem a dizer. Então peço a todos que, por favor ouçam, debatam e argumentem, não se deixem colher por opiniões e conclusões rasas. Este é o primeiro passo da nossa geração, que o outro seja ainda maior, ano que vem, nas eleições.

Sei que com este texto não irei agradar os de esquerda, também sei que não irei agradar os de direita. Pois bem, para mim nenhum destes lados nos leva a frente.

É claro que o conceito de democracia nos impede de ser apartidários, não proponho nenhuma solução utópica, mas sim o equilíbrio entre votar em partidos e pessoas.

Que ano que vem façamos a nossa maior e melhor passeata, até as urnas.


publicado em 18 de Junho de 2013, 07:33
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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