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Meu filho é seu também

É comum que um casal que decida ter um bebê tenha tido seu último contato com crianças quando eles ainda eram crianças. A única coisa que sabem sobre um bebê é que ele vai chorar, usar fralda e que precisa de alguns apetrechos específicos que as lojas já te empurraram.

Pai e mãe se envolvem, então, em uma caçada de livros, filmes, aulas para gestantes, visitas a escolas infantis, reuniões com as professoras dos pequenos, consultas ao pediatra. Tudo para saber se aquilo ali é normal, se está certo, se é assim mesmo e como é que faz para ele comer, dormir, acordar, aprender?

Há bastante tempo trabalho com educação infantil. E foi justamente neste ambiente escolarizado que entendi uma coisa muito importante: quase não há educação comunitária. As famílias cada vez mais se fecham. Os pais, que não convivem de perto com crianças há anos, estão cada vez mais inseguros, tensos, ansiosos. Não sabem o que é certo, não sabem o que é errado. Pior: acham que alguma coisa está verdadeiramente certa ou verdadeiramente errada.

Como cada vez menos temos uma rede de pessoas e famílias por perto, como nossos contatos são cada vez mais superficiais, como temos uma vida cheia de compromissos e horas marcadas, quando os pais precisam conversar, tirar dúvidas e pedir por apoio, procuram pela escola e por especialistas. Vão pedir respostas concretas e imediatas a dúvidas tão normais, tão intrínsecas, tão flutuantes...

E se a educação fosse de todo mundo?

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Por que achamos que são pais e mães nessa foto?

Dia desses ouvi uma história assim. Uma renomada consultora de moda estava no supermercado de vestido e galochas num dia chuvoso e preguiçoso. Uma menina de 14 anos passou por perto, mediu a moça de cima a baixo e soltou um: “Que brega!”. A consultora calmamente foi até a menina e disse que brega era ter uma atitude desrespeitosa com os outros. A mãe da menina, que viu todo o ocorrido de longe, se aproximou da consultora. Para agradecê-la.

Esta história só é curiosa porque temos a impressão de que quando criamos um filho, ele é nosso, e não do mundo. Assim, soa deselegante qualquer pessoa se envolver no processo educativo de um filho que é só seu. Mas ele não é só seu. É bom que a gente treine este pensamento desde o início. Ele é meu também.

Uma comunidade indígena sobrevive com uma educação que pertence a todos. E não precisamos ir tão longe: há poucos anos, quando nossas crianças ainda brincavam pelas ruas, a vizinhança inteira se disponibilizava a ensiná-las. Perdemos o contato com os outros e preenchemos este lugar vazio com a escola e com os especialistas.

A criança passa a manhã estudando coisas que disseram que ela deve estudar, um tempo da tarde na aula de ballet para ter postura, outro tempo com a psicóloga para parar de gaguejar, mais um tempinho com a babá que nunca vimos na vida, mas que só está lá para olhar mesmo. E na hora de jantar escolhemos um restaurante que tenha monitoria infantil, por favor.

Assim, curiosamente e inocentemente, segmentamos uma educação que é de nossa responsabilidade. Colocamos nas mãos de outras pessoas a educação de nossos filhos para termos garantias que não são possíveis.

Depender apenas da escola, da família, do especialista não é um problema que você escolheu para você. É uma maneira que a nossa sociedade encontrou para se ver livre das suas tarefas com as crianças.

Não é só a criança que aprende quando ensinamos. Não é só o adulto que se beneficia. Todo processo educativo envolve um vínculo que vai além do cuidado da babá, da meia horinha no psicólogo, das atividades escolares. Mas se cada vez mais nos afastamos da tarefa de aprender a aprender, de educar o educar, de estarmos de corpo e mente presentes, nosso maior problema não será ser ou não bom pai. Será sobre ser.

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anathomaz

Uma tarde com Ana Thomaz para mães, pais, futuros pais e qualquer pessoa que já passou mais de 10 anos na escola e gostaria de transformar sua mente escolarizada

25 de maio 2013, sábado • 14h às 18h • Espaço Gam - SP • Encontro #5

Faça sua inscrição online →

A abordagem de Ana Thomaz é a da desescolarização. Ela tirou o filho mais velho da escola e nem colocou as duas pequenas no sistema escolar. Ana define seu trabalho em duas palavras simples: presença e potência. Estar inteira, não julgar, trabalhar o que aquilo vivido te manifesta e entender que o que tem de ser resolvido não está fora: a grande maioria das vezes precisa ser entendido dentro da gente.

Ana trabalha ensinando e aprendendo sobre o corpo. Bailarina, professora de técnica Alexander, envolvida com teatro, TaKeTiNa, divide algumas de suas impressões sobre o mundo em um despretensioso blog repleto de bons insights.

Ela é uma das poucas referências que vejo atualmente ao procurar por alguém que se empoderou de seus momentos. Da gravidez ao dia a dia com as filhas, ela espelha o mundo em que quer viver. Toma para si as responsabilidades e fala com paixão sobre ensinar e aprender para pais e para interessados em seus próprios processos educativos.

Convidamos Ana Thomaz para trabalhar conosco por 4 horas nos seguintes focos:


  • Ensinar e aprender com o corpo inteiro, não apenas de forma abstrata e cerebral

  • Lidar criativamente com os chiliques de nossos filhos e filhas (já nascidos ou futuros)

  • Educar por desafios e potência, em vez de por ameaças e poder

  • Desenvolver percursos de formação além da escola

  • Educação ativa, desescolarização e a possibilidade de transformar nossa sociedade e nossa mente escolarizada (sem necessariamente sair da escola ou da universidade)

  • Aprender a aprender, educar o educar

  • Como deixar que a comunidade também crie seus filhos

  • Por que nos irritamos e por que mimamos tanto as crianças?

  • Transformar nosso viver sem depender tanto de mudanças institucionais no governo e na escola

  • Educar para o presente, não para o futuro

Link Vimeo | Vídeo que gravamos com a Ana Thomaz (principais falas nesse post)

Quando: 25 de maio de 2013, sábado, das 14h às 18h.

Onde: Espaço Gam Yoga | Rua Fradique Coutinho, 1004 - Vila Madalena - São Paulo/SP

Valor: R$ 124,00. Desconto de 33% até sexta agora, 17 de maio: R$ 84,00. Essa contribuição apoiará as atividades d'O LUGAR e os movimentos de Ana Thomaz.

Limite de participantes: 30 pessoas.

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Mais do que comentários por aqui, convido a presença de cada um de vocês.

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publicado em 15 de Maio de 2013, 10:03
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Isabella Ianelli

Pedagoga interessada em arte e educação. Escreve no blog Isabellices e responde por @isabellaianelli no Twitter.


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