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Receitas PdH de Natal para machos prendados (ou nem tanto)

Acho "ceia" uma palavra esnobe. Prefiro dizer "janta" de Natal.  E é por isso que aqui vão algumas receitas e preparos para uma janta de Natal. Longe de perus farsantes, chesters inexistentes – você já viu algum fora do tempo de Natal? –, salpicões sem personalidade, farofas plenas de incógnitas, frutas caudalosas de mentira e aqueles grãos oleaginosos que só aparecem na época das renas e duendes de matéria plástica, apresento três sugestões variáveis para ilustrar a tua mesa natalina.

São sabores, cores e texturas para ajudar a receber e aturar aqueles entes queridos, que te homenageiam com agendas, canetas e xícaras, no tal de mui amigo indiscreto.

Caponata Sicilliana

Vamos precisar de:


  • 1 berinjela grande, lustrosa e inchada, cortada em cubos com a casca

  • 2 ou 3 dentes de alho picados

  • 1 pimentão vermelho

  • 1 abobrinha

  • 1 cebola

  • 1/2 xícara de um vinagre balsâmico maneiro

  • 1 colher de sopa de açúcar

  • 1 colher de sobremesa de sal

  • 1 pimenta dedo de moça sem as sementes, picadinha

  • pimenta-do-reino moída na hora

  • 2 colheres de sopa de uvas passas claras

  • 2 colheres de sopa de alcaparras

  • azeite de oliva extra virgem

Deixe a berinjela descansando em água com sal e as passas no vinho branco enquanto todos os ingredientes são picados mais ou menos na mesma feição. Em uma panela média, aqueça o azeite a adicione o alho picado. Deixa fritar sem escurecer e acrescente a berinjela e deixe refogar, mexendo sempre, por alguns minutos, até murchar um pouco. Adicione os pimentões e mexa para misturar. Deixe refogando por uns minutos, para soltar um pouco de água dos vegetais. Acrescente os demais ingredientes na seguinte ordem, misturando após cada adição: abobrinha, cebola, vinagre balsâmico, açúcar e o sal. Misture e deixe aquecer. Junte as pimentas, as uvas passas e, por último, as alcaparras. Deixe os legumes refogando até adquirir a consistência desejada.

É importante que não se cozinhe demais. Eles devem ficar al dente. Faça a correção de sal e, se necessário, adicione um pouco mais de vinagre. Para ficar siciliano mesmo, adicione anchovas esmagadas. Deixe esfriar ou prepare de véspera para apurar o gosto. Na hora de servir, coloque azeite de oliva para dar gosto e brilho.

Recomendo pão italiano torrado, pão preto e, ainda, colocar uma colherada em uma folha de alface e comer com as mãos. Cerveja dessas fortes e encorpadas seria uma parceria combinativa.

Pataniscas de Bacalhau

Como descendente dos patrícios da terrinha, uma atávica dúvida me atormenta:

Quando Fernando Pessoa poetizou "navegar é preciso; viver não é preciso", ele se referia à necessidade de se enfrentar os mares desconhecidos e da imprecisão de viver, ou queria ele exprimir que a navegação era ciência exata e que permanecer vivo seria dispensável?

Vai daí que juntei alhos com bugalhos e me lembrei, com a ajuda dos meus escassos neurônios, de postar uma receita com bacalhau. E não me venham com aquela conversa amolecida de que bacalhau é caro! Raciocinem comigo: o bacalhau tem de ser demolhado e hidratado, o que dobra seu peso e, como o gosto é acentuado, deve ser agregado com outros ingredientes de baixo custo.

Organize os ingredientes:


  • 1 posta de meio quilo de lombo de bacalhau demolhada por, no mínimo, 24 horas

  • 150 gramas de farinha de trigo

  • 1 cálice de vinho branco seco

  • 1 colher de sopa de azeite português. De boa cepa, ó pá!

  • 3 ovos bonitos

  • 1 cebola picada

  • 3 dentes de alho miudinho, com aquela faca afiada que só você pode usar

  • salsa picada

  • 1 tira de pimentão vermelho picada

  • sal

  • pimenta-do-reino moída na hora

Numa tigela, misture a farinha com o azeite, o sal e a pimenta. Junte os ovos e misture bem. Acrescente o vinho e bata com a colher de pau. Adicione o bacalhau depois de aferventado por 10 minutos, limpo de peles e espinhas e desfiado em lascas. Acrescente a cebola, o alho, a salsa e o pimentão. Se ficar muito mole, junte mais farinha – é o tal de polme.

Pegue colheradas dessa massa e frite, aos poucos, em óleo quente misturado com um pouco de azeite. Deixe dourar. Escorra sobre papel-toalha e sirva quente ou em temperatura ambiente, com fatias de limão. Faça-se acompanhar de pessoas de alma bonita, apetite ardoroso e cabeça tranquila.

Colita de Cuadril al Coccinero

E para não dizer que de flores não tratei, ou melhor, que das carnes me afaste,i uma bela receita com a tradicional e macia maminha, que os hermanos chamam de colita de cuadril.


  • 1 1/2 quilo de maminha

  • 1 1/2 quilo de batatas com casca

  • vinagre branco

  • alho picado

  • manjerona fresca

  • molho inglês

  • mostarda

  • sal

Escolha uma bela maminha com, no máximo, 1,5 quilo. Também a mesma quantidade de batata. Prepare uma marinada com vinagre branco, alho picadinho, manjerona fresca e molho inglês – as quantidades são medidas a olho. Deixe a carne, já limpa das pelancas, descansar nesse caldo por duas ou três horas, virando de quando em quando.

Cozinhe as batatas com casca (o que é importante!) e um pouco de sal, sem deixar que elas fiquem esfarelentas. Pele as batatas e reserve. Corte as cebolas em rodelas e refogue em um pouco de azeite. Quando amolecerem, acrescente um pouco da vinha d'alho. No fim do preparo, coloque a mostarda e misture bem, regando com mais azeite de oliva.

Asse a maminha em forma com grelha em forno pré-aquecido. Pode-se usar papel alumínio. Quando estiver quase pronta, coloque a carne em uma travessa refratária, arranje as batatas ao redor e cubra a carne com as cebolas. Devolva ao forno e deixe todos os ingredientes se acolherarem bem.

O ponto é perto do mal passado, aquele rosa típico das bochechas das moçoilas casadoiras.

Fatie a carne antes de colocar a travessa na mesa é uma mão na roda. Se algum conviva, alguma cunhada até puder comparecer com uma arroz daqueles meio a grega e meio chinês, será bem vindo.

Me esqueci de uma variação: em vez do vinagre, pode-se usar cerveja na marinada. Uma bock fica especial de primeira.


publicado em 24 de Dezembro de 2011, 05:08
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Luiz Minduim

Luiz Minduim é artista gráfico, professor, cozinheiro, assador bagual e balaqueiro dos bons! Mora em Pelotas, região do grande Pampa há mais de 30 anos, gaúcho por opção e coração.


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