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O santuário das rolas

No fim de uma rua chamada Wireless, nos fundos de um hotel de luxo de nome Swissôtel Nai Lert Park, no centro de Bangkok (Tailândia), tudo o que qualquer turista esperaria encontrar seria, no mínimo, uma lan house. Uma barraca de Pad Thai, talvez.

Mas aquilo não é nem de longe um ponto turístico convencional nem destino de turistas comuns. É um lugar para viajantes desinteressados no mainstream, para aqueles que costumam caçar as coisas mais bizarras que possam existir em uma metrópole.

É uma igreja de pintos.

Um santuário de rolas.

Um canto de um terreno reservado às mais variadas estátuas do órgão genital masculino.

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Pistolas e cassetes talhados em madeira e pedra, que cumprem o papel de santos para mulheres que rezam para engravidar.

Encontrei o endereço do lugar surreal depois de revirar as páginas empoeiradas de um guia Lonely Planet de 1996, empréstimo do irlandês que alugava a casa onde eu morava na Austrália. Ele me deu aquele livro três meses antes de eu embarcar rumo à Tailândia.

Passei muitos minutos, antes de dormir, decifrando aqueles parágrafos em inglês à meia-luz do abajur. E então, meu camarada, quando cheguei em Bangkok, eu já sabia que deveria ir além dos templos gigantescos e da visita ao famigerado Buda de quarenta e tantos metros.

A curiosidade me obrigou a ver aquilo de perto.

A igreja se chama Chao Mae Tuptim e foi criada em algum instante entre 1900 e 1925 por um milionário tailandês chamado Nai Lert, um homem de bochechas largas e penteado esquisito que morreu em dezembro de 1945, aos 73 anos. Hoje, seus netos e bisnetos cuidam dos negócios que ele deixou. Um deles é o Swissôtel.

Antes que você pergunte, não, Nai Lert não era nenhum homossexual colecionador de artigos perversos.

Os pênis, na Tailândia, significam boa sorte e garantia de fertilidade, e acredita-se, inclusive, que quem tocá-los -- no caso, tocá-las, as estátuas (não se anime) -- pode ser agraciado com eflúvios cósmicos imediatos, seja lá o que isso for.

É por isso que as mulheres tailandesas -- e algumas gringas voluptuosas -- largam por ali um punhado de

incensos, velas e oferendas aos falos imponentes.

É algo insólito.

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 Chao Mae Tuptim
 Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim
Chao Mae Tuptim

De qualquer maneira, o que vim mesmo contar é que Bangkok é uma das cidades mais malucas deste planeta. Não só porque alguns de seus habitantes cultuam pintos enormes, mas por um milhão de outras coisas sobre as quais ainda escreverei.

Obs: a foto que ilustra o texto e as duas primeiras das que seguem abaixo são do autor, Bruno Abbud. O restante, pinçamos na Internet.


publicado em 12 de Outubro de 2013, 07:00
File

Bruno Abbud

É repórter da revista Fluir, ex-repórter da Veja e da Band. Cruzou 400 km de moto na Tailândia, já foi DJ, garçom, faxineiro na Austrália, lavador de pratos, entregador de pizzas e colhedor de uvas. É escritor inspirado por Jack Kerouac e Gay Talese e autor do blog Juventude Fugitiva.


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