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Os medos malucos do "Deep Dark Fears"

O amigo Pedro Turambar escreveu a máxima de que "a maior força do universo é o cagaço". O medo é algo tão inerente, automático e maluco que chega a ser cômico quando colocado para fora na forma encontrada pela ilustradora Fran Krause, retratar esses desabafos em lindos desenhor perturbadores.

Sim, lindos e perturbadores, como haveria de ser. Maluco e um dependendo do outro pra continuar sendo bonito e continuar sendo perturbador.

Olha, por exemplo, que fofo. Um filho pequeno de uma amiga da minha amiga morre de medo do "malamém", porque toda vez que eles rezam, eles dizem "mas livrai-nos do mal, amém" e o pobre do garoto juntou tudo em sua ingenuidade e criou o pior dos seres que poderia habitar essa terra.

Fofo pra quem tá de fora, porque é fácil imaginar o pavor do moleque quando está sozinho e pensa no tal malamém, em todas as ferocidades que ele conhece embutidas em uma única figura aterradora que só quer fazer atrocidades com o pequeno, afinal, só existe na cabeça deste.

Preparem-se para mais medos e aflições:

"O Brooklyn fica cheio de gelo (nessa época do ano). Eu tenho medo de escorregar e arrancar meus olhos na cerca de ferro e estar escorregadio demais para eu me soltar."
"Às vezes, quando estou cagando, eu me preocupo se, naquele momento, eu estiver sonhando quando, na realidade, eu estou me cagando todo em algum lugar."
"Eu me preocupo quando acho que vou cair e morder e arrancar minha língua e, quando ligar para a emergência, eles não entenderão nada do que eu estou tentando dizer."
"Jesus mora em você! Ele vive bem no fundo do seu ciração!"
"Quando eu olho para as estrelas, meu medo é de que a gravidade vire do avesso e me faça cair no céu. Para sempre."
"Eu moro sozinho. Quando eu tenho de ir ao banheiro de madrugada, eu me preocupo se, quando eu voltar para a acama, alguém esteja lá me esperando." 
"Tem um espelho no meu quarto. Tenho medo de que, enquanto eu durmo, meu reflexo se senta e fica lá, olhando para mim."
"É Perigoso beber leite. É perigoso beber direto da lata. Não há como saber se tem um bicho no seu leite. Na lata, você não veria se houvesse um dente lá dentro."
"Tenho um acordo com as coisas que se escondem no meu porão. Depois de apagar a luz, eu tenho exatos dez segundos para sair de lá em segurança. Eu sempre uso os dez segundos cheios esperando ver algum tipo de movimento assim que eu eu chego ao ponto seguro."
"Quando eu era pequena, minha avó me dizia que, se eu brincasse com o meu umbigo, minhas vísceras cairiam e eu teria que carregá-las por aí pelo resto da minha vida dentro de uma cesta de roupa suja."
"Eu não gosto de estar perto demais de facas afiadas, então eu as empurro até elas ficarem no exato ponto fora do meu alcance."
"Minha mamãe disse que, se eu subir na escada rolante com os cadarços desamarrados, eu ficaria preso e seria sugado. Ela disse que todos os seguranças do shopping eram crianças que foram sugadas pela escada rolante e tinham que ficar lá dentro para sempre."
"O inverno é uma época muito boa para patinar no gelo com alguém que você ama. Isso se um deles não patinar por cima dos dedos do outro que acabou de cair."
"Quando eu era criança, um padre me contou sobre Maria e como Deus achou ela perfeita e, por isso, fez com que ela ficasse grávida. Eu não queria que Deus me deixasse grávida, então eu tentei não ser como ela."
"Quando acordo, abro meus olhos bem devagarinho. Assim, qualquer criatura que possa estar no meu quarto tenha a chance de se esconder."
"Eu não gosto dos portões giratórios da estação de metrô. Às vezes eu carrego coisas demais e tenho medo de, um dia, ficar preso e a multidão do horário de pico me empurrar e me fatiar que nem comida processada."
"Quando eu era pequena, minha mãe me disse que, se eu continuasse a molhar minha cama, vermes cresceriam no meu colchão e me comeriam viva."
"Quando eu era uma criança, sabia de onde os bebês vinham. Eles saíam da bunda! E, mesmo eu sendo menino, eu sempre chequei meu cocô para ter certeza que não tinha tido nenhum bebê".
"Tenho medo de, depois que eu morrer, todos o meu sensorial continue a trabalhar. Não sei o que seria pior, ser embalsamado ou cremado."
"Morro de medo de, um dia, aparecer algum viajante do tempo na minha frente e eu não ter tempo de frear e nunca poder ouvir seus segredos."

Tem muito mais disso no tumblr do Deep Dark Fear.


publicado em 07 de Janeiro de 2015, 09:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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