Qual o melhor jeans para o meu tipo de corpo? (ou "O Pequeno Guia da Calça Jeans")

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“--Bruno, qual é a melhor calça jeans para o meu tipo de corpo? Sou alto, magro, mas com barriga e tenho o tronco curto. Me visto bem casual”.

Recebo inúmeros e-mails com descrições semelhantes. Imagino que, talvez, você leitor, também tenha tido a mesma dúvida algum dia: "qual o jeans certo para o meu biotipo?".

Depois de muito estudar sobre o assunto, lendo e analisando corpos, finalmente consegui encontrar a conclusão que me parece a mais satisfatória e racional. Chegou a hora de dar a resposta máxima que alguns anos de estudo me trouxeram:

Eu não tenho a MÍNIMA ideia!

Explico. A beleza de um corpo está intimamente ligada a dois fatores: harmonia e contraste. Caracterizo harmonia como sendo o melhor encaixe que pode ser obtido entre partes para se formar um todo. E contraste, como sendo o resultado da união das partes mais opostas entre si.

A junção entre contraste e harmonia gera o equilíbrio e, nele, reside a beleza.

Portanto, é impossível criar guias ou regrinhas padronizadas de como ficar “bonito” sem conhecer todas as partes (altura, volume, cor, estrutura, etc) de um todo (neste caso, seu corpo) que, com certeza, são muitas.

Dito isso, agora vamos para o segundo problema entre homens e manuais de "Como Vestir".

O Marlon Brando não tem problema nenhum com seu vestuário, mas você entender melhor um pouco mais pra baixo no texto
O Marlon Brando não tem problema nenhum com seu vestuário, mas você entender melhor um pouco mais pra baixo no texto

A grande maioria dos homens é, normalmente, incoerente quando o assunto é vestuário. 99% criticam a moda, dizendo que ela cria “regras” do que pode e do que não pode usar, argumentando ser ridículo ter que seguir alguma tabelinha de "certos e errados" que nem tem a ver, na verdade, com eles. Porém, quando estes mesmos homens querem se informar sobre o assunto, a primeira coisa que dizem é que precisam de praticidade, que não querem ficar “pensando” e perdendo tempo com isso, ou seja, eles querem a porcaria do manual de regras que tanto criticaram.

Sinto muito amigos, mas nenhum tipo de conhecimento de qualidade vem escrito em um manual de regras. Portanto, se você quer se vestir melhor, não espere de mim -- nem de ninguém -- um manual mágico que resolva seus problemas.

A única coisa que posso fazer por você é servir de facilitador que te mostre partes do todo que você ainda não conhece. Arranjar estas partes será sempre uma tarefa que cabe à você.

Então você se pergunta:

-- Aê, bacana! O cara fala que estuda, estuda, estuda, e sai pela tangente citando a máxima mais velha que existe do “só sei que nada sei”. É isso?

Jamais! O propósito dos meus textos no PapodeHomem é que eles atuem como ferramentas para quem deseja aprender, trazendo informações que, por alguma razão, eram de difícil acesso para os leitores. No meu caso, a maioria desse conteúdo é sobre vestuário, só isso.

Eu, que uso calça jeans azul quase todos os dias, certa vez, ao olhar um cara de calça de malha verde, pensei na hora: “por que raios esse cara está vestindo essa calça estranha verde?”.

Sem saber a resposta, eis que me veio outra pergunta na sequência: “por que raios eu estou vestindo essa calça estranha azul?”.

Eu também não tinha a mínima ideia. Foi nesse momento que eu me senti um idiota. Eu estava questionando e avacalhando um cara que eu nem conhecia por causa da roupa que ele estava vestindo, enquanto eu mesmo não tinha a mínima noção do por que eu estava vestido daquele jeito!

Bem, a menos que respostas óbvias te satisfaçam, acredito que você também não tenha a mínima ideia.

Uma breve explicação social

Antes da Segunda Guerra Mundial, o jeans era popular apenas no oeste americano. Intimamente ligado à ideia romântica do cowboy, era adotado durante feriados pelas pessoas da “cidade”, quando queriam ter um ar mais bucólico, relaxado, mas ainda assim, parecerem bastante viris. Foi o começo de sua abrangência.

Após a Segunda Guerra, o que potencializou novamente o jeans a ponto de torná-lo realmente popular ao redor do mundo foi o filme O Selvagem, com o arisco Marlon Brando que, embora tenha um final conservador, mostrou para grande parte da sociedade jovem que suas dúvidas, problemas e desejos encontravam, pela primeira vez, um eco no cinema, onde -- até então -- os jovens eram retratados como bons moços seguidores do sistema patriarcal tradicional.

Marlon Brando apareceu na tela de jeans, meninas tremeram as pernas (para ser educado) e hoje você não pode ficar sem um par de jeans no seu armário
Marlon Brando apareceu na tela de jeans, meninas tremeram as pernas (para ser educado) e hoje você não pode ficar sem um par de jeans no seu armário

Este eco, aliado à presença e postura sem igual de um Marlon Brando rumo ao auge foi o estopim de uma popularização sem igual na história do vestuário -- a massificação do jeans. Resumindo muito, a maior razão de você usar jeans hoje é porque o senhor Marlon ficava ótimo com ele e porque sua avó delirava naquele caminhão de testosterona.

Incrível, não?

Foi nesse instante que eu percebi do que realmente se trata a moda. Em sua essência, ela vem para criticar ou elogiar pessoas e grupos, nunca as peças em si. O que você critica nunca é uma peça de roupa, mas sim a maneira como ela diferencia alguém do grupo de pessoas que você gosta.

Já encontrar o porque da maioria das calças jeans serem azuis foi algo mais difícil.

Grande parte dos artigos e das pessoas que consultei me apresentavam que Levi Strauss (ele mesmo, o da grife!), criador do jeans como conhecemos hoje, tinha escolhido o azul e era este o motivo final.

Pesquisei mais um bocado, perguntei outro bocado e eis que encontrei um artigo que juntou toda a informação que eu tinha e mais um pouco, (o texto é grande e em inglês, mas vale muito a leitura). Encurtando pra não desviar o nosso papo, o tingimento azul tem pouca razão social, mas foi majoritariamente um caminho comercial que que buscava soluções técnicas.

Entendido sua origem, percebe-se que suas demais transformações sociais e excelentes qualidades técnicas (durabilidade, preço de matéria prima, acessibilidade de produção, etc) acarretaram sua transformação em uma peça neutra, usada tanto por transgressores quanto por coxinhas com a mesma desenvoltura.

O que então uma calça jeans pode fazer por mim?

Muito! Tanto para o bem, quanto para o mal.

Porém, agora, o fator determinante para que isso ocorra felizmente está bem definido e chama-se "modelagem". É hora de apresentar suas armas, senhores:

Calça Jeans Skinny

Característica: a modelagem é bastante rente ao corpo, principalmente na região da cintura e da canela.

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Objetivo visado: destacar o formato das pernas e ampliar a parte superior do corpo.

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Riscos: poucas pernas são realmente harmônicas com relação ao corpo todo. Isso ocasiona, na maioria dos casos, em ressaltar mais os defeitos do que as qualidades.

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Opinião pessoal: o benefício que ela pode te trazer provavelmente não vale o risco que irá correr. Se você, leitor, for o vocalista dos Strokes, eu retiro o que disse.

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 Calça Jeans Slim

Característica: a modelagem se assemelha a modelagem skinny, que segue os contornos do corpo, porém, de maneira mais "folgada".

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skinny

Objetivo visado: definir os contornos das pernas, mas não de maneira tão real como na calça . Por conta disso, ela "disfarça" mais satisfatoriamente as imperfeições e ainda continua ampliando a parte superior do corpo.

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skinny

Riscos: não muitos, mas se você tiver coxas muito grossas, a calça Slim pode se tornar uma calça e, por consequência, você irá adquirir os mesmos riscos que a oferece.

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Opinião pessoal: útil para quem quer ressaltar formas do corpo sem correr muitos riscos.

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Calça Jeans Carrot

Característica: modelagem convencional no quadril, vai afunilando ao descer e fica bastante justa na canela.

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skinny

Objetivo visado: pessoas com mais peso que desejavam utilizar uma calça obterão um resultado melhor com a carrot.

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Riscos: Pessoas magras e com peso médio talvez precisem utilizar cinto mais apertado que o convencional neste modelo, fazendo com que a calça fique estranhamente “franzida” na cintura.

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Opinião Pessoal: vestiu essa porcaria, fica parecendo uma coxinha invertida, não vale o risco.

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Calça Jeans Reta

Característica: a modelagem não é necessariamente reta, mas também não acompanha os contornos da perna de maneira tão fiel quanto as outras modelagens. Normalmente tende a ser levemente mais folgada que uma calça Slim.

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Objetivo visado: é a modelagem que mais esconde imperfeições e menos sofre com as variações de tendência da moda.

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Riscos: pode não transmitir tanta personalidade quanto as demais modelagens.

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Opinião Pessoal: tem preguiça de pensar? Bem-vindo à calça reta! (e, às vezes, pensando: bem-vindo também!)

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Calça Jeans Relaxed

Característica: modelagem mais frouxa na parte traseira do quadril e na coxa, têm também abertura bastante ampla no tornozelo.

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Objetivo visado: Trazer mais conforto aos que não se sentem bem usando calças mais rentes.

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Riscos: pode transmitir um ar de desleixo ao usuário.

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Opinião Pessoal: funciona muito bem quando se tem menos de trinta anos. Normalmente depois disso, ocorre o contrário.

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E é isso, meus amigo. Agora vocês já sabem porque tem um jeans azul no armário e também como cada modelagem  agirá no seu corpo.

Ferramentas a disposição, julgue os riscos que topa assumir, as características que deseja ressaltar e mãos a obra.

Espero, como sempre, que tenha sido útil ou ao menos divertido!

Adendo do editor: Para quem quiser saber mais sobre a história do jeans, tem esse vídeo bem foda que mostra a trajetória da peça desde 1873 até hoje.

Link YouTube


publicado em 17 de Julho de 2013, 21:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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