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Respostas para as dúvidas mais comuns sobre disfunção erétil

Chegamos ao assunto que talvez seja o mais tabu e, ao mesmo tempo, o que mais surge em forma de angústia nos nossos emails

Fechando a trinca sobre saúde do homem, depois dos artigos sobre infertilidade masculina e ejaculação precoce, fechamos hoje com essa que talvez seja a dúvida que aparece com maior frequência nos nossos emails: disfunção erétil.

Entrevistamos o Dr. Wagner Raiter José, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia e especialista na questão. Ele nos respondeu as dúvidas mais frequentes e também tratou de desmistificar alguns credos que as pessoas têm sobre esse assunto tão tabu em algumas ocasiões.

Aproveitamos para reforçar o pedido, se tem algum assunto ligado à saúde do homem que você deseja ver por aqui, mande nos nossos emails ou deixe sugestões nos comentários que nós coletamos e corremos atrás.

Agora, chega de conversa mole.

Dúvidas frequentes sobre disfunção erétil

Tudo bem por aí?

PapodeHomem: O que caracteriza a disfunção erétil e o que indica que um homem tem esse problema ou não?

A disfunção erétil é a incapacidade do homem de ter e/ou manter uma ereção rígida e prolongada o suficiente para realizar a penetração durante o ato sexual, de maneira constate e recorrente, causando transtornos para a vida sexual do casal. Não é um episódio único e isolado que caracteriza essa disfunção. Tem de ser algo que se perpetua no passar do tempo, causando incômodo nas relações. Muitas vezes o homem tem um episódio isolado de perda da ereção e já fica preocupado que seja um quadro de disfunção erétil permanente, mas se for algo que não se repete, então não pode ser caracterizado como um quadro de impotência.

O problema está ligado a causa naturais (idade, fator genético) ou a hábitos (sedentarismo, uso de drogas e álcool)?

Após os 40 anos de idade até 50% dos homens vão experimentar algum grau de disfunção erétil, que pode ser de um quadro leve até um quadro importante. Mas além da idade, há uma série de outros fatores de risco para o desenvolvimento desse problema. O tabagismo, até por sua recorrência, é considerado o maior desses fatores exógenos que se tem notícia, por exemplo, principalmente em populações de renda mais baixa.

Além disso, as alterações que influenciam na circulação sanguínea também são importante para o desenvolvimento do transtorno, sendo o diabetes a doença mais frequente a atingir os homens com disfunção erétil, mas somam-se a ele alterações indicadas nos exames de colesterol, alterações nos triglicérides e ácido úrico, que desenvolvem doenças obstrutivas arteriais que levam a um quadro de disfunção erétil de causa vascular.

Que práticas os homens podem adotar em suas rotinas para diminuir a probabilidade de terem disfunção erétil? É verdade que beber de duas a três xícaras de café por dia ajuda?

Hábitos saudáveis ajudam muito na prevenção de uma série de doenças e não é diferente com a disfunção erétil. A diminuição do consumo de açúcares, de alimentos ricos em gordura (principalmente de origem animal) e da ingestão de sal influenciam cronicamente nas causas de obstrução arterial. Da mesma forma, a realização de exercícios físicos também ajuda muito na prevenção de patologias arteriais obstrutivas – causa comum da disfunção erétil.

Já o consumo de café em doses moderadas, bem como o de chocolate amargo ou vinho tinto, pode ajudar na prevenção de doenças do sistema circulatório pelo efeito antioxidante de substâncias encontradas neles. Mas é um erro pensar que basta ingerir esses alimentos para se beneficiar de seus efeitos positivos. Os ganhos só são sentidos se combinados com a diminuição da ingestão de gorduras, abstenção do tabaco ou prática de atividades físicas.

Não faz milagre, mas ajuda.

Os comprimidos disponíveis no mercado são seguros? Existem tratamentos alternativos para esse problema?

A primeira linha de tratamento é o uso de medicamentos que atuam numa enzima chamada Fosfodiesterase do tipo 5 (PDE 5). São medicamentos muito seguros que podem ser utilizados em praticamente todos os pacientes que apresentem algum grau de disfunção erétil. Seu uso é contra-indicado de maneira formal nos pacientes que utilizem medicamentos vaso dilatadores de artérias coronarianas à base de nitratos, geralmente de uso sub-lingual, pois podem potencializar muito o efeito dessas drogas e levar o paciente até a óbito por queda importante da pressão arterial. O ideal é, antes de iniciar o uso desses medicamentos, passar por uma avaliação com o urologista para ver a real indicação e utilização da medicação.

Além desses medicamentos ainda temos o uso de injeções no pênis de substâncias vaso dilatadoras e colocação de prótese peniana – esses últimos, tratamentos invasivos. Mais recentemente, porém, um novo tratamento à base de ondas de choque lineares surgiu no mercado. Ele promove a abertura de novos vasos sanguíneos nos corpos cavernosos do pênis levando a uma melhor irrigação sanguínea do órgãos e melhora na qualidade da ereção, tratando a causa do problema.

Existe alguma relação da disfunção erétil com a fertilidade e com a virilidade de um homem?

Considerando que virilidade seria a capacidade do homem de ter e manter uma ereção rígida o suficiente para uma relação sexual satisfatória, dependendo do desejo sexual e podendo ser repetida quando assim desejar, um homem viril não é necessariamente um homem fértil. A fertilidade depende da presença de espermatozoides saudáveis no ejaculado.

Sendo assim, um homem pode ser viril e infértil quando submetido a uma cirurgia de vasectomia ou pode quando nasce quando alguma alteração no sistema reprodutor levando a um quadro de esterilidade. Da mesma maneira, um homem impotente pode conseguir ter filhos bastando, para isso, ejacular na vagina de sua parceira mesmo sem uma ereção completa. Se ele tiver espermatozoides viáveis com boa movimentação, sua parceira pode engravidar mesmo sem ter uma relação completa.

Qual a melhor forma de acolher alguém que enfrenta esse problema e não criar estereótipos?

Todo paciente que procura um médico procura por algum problema, seja ele qual for. Não é nada diferente quando se vai atender um paciente por um quadro de amigdalite ou de disfunção erétil. São problemas que podem acometer qualquer um e tem de ser diagnosticado e tratado com todo respeito que o paciente merece. Se do ponto de vista clínico não há distinções, não tem porque haver da perspectiva pessoal. Muitas vezes o paciente faz essa confusão e acha que seu problema não tem solução ou tem vergonha de contar. Isso é o que mais afasta os indivíduos dos consultórios e, consequentemente, da solução de seus problemas.

Saibam que tem sempre um médico para ouvir suas dúvidas e ajudá-lo a enfrentar seu problema, seja ele qual for. Procure seu urologista, ele saberá como ajudá-lo e se não estiver satisfeito com ele, procure outro médico que entenda sua situação. Existem médicos para todos os tipos de pacientes.


publicado em 10 de Novembro de 2016, 00:05
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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