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5 clássicos do selo VERTIGO para quem não aguenta mais super-heróis

A história do selo mais importante na consolidação de um mercado de quadrinhos adultos e seus títulos mais icônicos

Hoje a hegemonia dos quadrinhos de super-heróis na cultura pop é tão avassaladora que parece impossível escapar desse gênero. Mas o mercado de comics está repleto de histórias mais complexas, que discutem assuntos polêmicos como política, religião, sexo, drogas, sem cair numa dicotomia óbvia entre o Bem e o Mal.

O selo VERTIGO, que popularizou esse tipo de narrativa adulta, completa 25 de existência tentando se reinventar e voltar ao mesmo nível de excelência de seus primeiros anos.

Fundado em 1993, o selo (que pertence a DC Comics) foi a consequência de uma invasão de autores britânicos ao mercado de quadrinhos norte-americano. Quase 10 anos antes, Alan Moore, que depois escreveria histórias icônicas como Watchmen e A Piada Mortal, redefiniu os quadrinhos de terror da DC com sua abordagem para o personagem Monstro do Pântano. Depois do sucesso dos títulos capitaneados por Moore, diversos autores britânicos como Neil Gaiman, Grant Morrison, Warren Ellis, Garth Ennis e Jamie Delano, entre outros, mudaram os rumos da indústria das histórias em quadrinhos.

O mérito da difícil mediação entre essas mentes criativas e uma indústria de entretenimento ainda muito focada no mercado infanto-juvenil é da editora Karen Berger, que foi responsável pelo selo Vertigo até 2013. Formada em Literatura Inglesa e História da Arte, ela foi capaz de identificar talentos, criar o espaço necessário para que eles se desenvolvessem, compreender o que eles propunham e, talvez o mais importante, protegê-los de executivos conservadores e de jogos de poder.

Depois da saída de Berger (que foi para a editora Dark Horse), a qualidade das histórias decaiu, os leitores se afastaram e outras editoras como a Image Comics supriram a demanda por quadrinhos adultos dando mais liberdade (e melhores contratos) para seus criadores.

Veja a seguir algumas das primeiras e mais premiadas séries do selo Vertigo, responsáveis por essa revolução na indústria dos quadrinhos.

1. Hellblazer (roteiro de Alan Moore, Jamie Delano, Garth Ennis, entre outros - arte de vários artistas)

John Constantine é definido muitas vezes como o mago do proletariado. Esqueça raios, mágicas e todo tipo de truque espalhafatoso; Constantine manipula as pessoas e a realidade com cinismo, charme e muita retórica. Ele já enganou os três demônios mais importantes do Inferno, mentiu para uma trupe de anjos e removeu as asas do anjo Gabriel com uma serra elétrica (nada sutil). Constantine sabe que, por pior que sejam os monstros e as ameaças, nada é mais perigoso que um ser humano. Ele é um dos personagens mais carismáticos das histórias em quadrinhos e sua série é a mais longeva da Vertigo com 300 edições. A série foi publicada originalmente entre 1988 e 2013.

2. Sandman (roteiro de Neil Gaiman e arte de Sam Kieth e Mike Dringenberg, entre outros)

Morpheus é o senhor dos sonhos, um dos deuses perpétuos ao lado de seus irmãos e irmãs Morte, Destino, Desejo, Delírio, Destruição e Desespero. Cada um possui uma função no universo, e são, como todos os deuses, demasiadamente humanos. Acompanhamos os erros e acertos do personagem em um universo que é ao mesmo tempo palpável e impossivel, e por isso não escapamos de pensar sobre nossas próprias escolhas na vida. Sandman pode realmente mudar a forma como enxergamos as coisas. A série foi publicada originalmente entre 1989 e 1996.

3. Os Invisíveis (roteiro de Grant Morrison e arte de vários artistas)

Uma das séries mais intrigantes da Vertigo, é uma mistura de comentários políticos, magia, história, ocultismo, cultura pop, viagem no tempo e todo tipo de conteúdo que Grant Morrison, Mago do Caos, pôde pensar.

Os Invisíveis são um grupo anarco-terrorista que atua contra forças forças conservadoras que querem a manutenção do status quo. É tão densa que alguns leitores afirmam que se sentiram mal e não conseguiram terminar de ler a HQ.  A série foi publicada originalmente entre 1994 e 2000.

4. Preacher (roteiro de Garth Ennis e arte de Steve Dillon)

A história de um pastor que perdeu a fé em Deus que ganha os poderes de uma entidade chamada Gênesis e a partir disso descobre que o Criador abandonou o Paraíso e suas obrigações como criador e decide confrontá-lo.

O quadrinho foi aclamado pelo público e pela crítica e foi recentemente adaptado para a TV pela emissora AMC. A série foi publicada originalmente entre 1995 e 2000.

5. Transmetropolitan (roteiro de Warren Ellis e arte de Darick Robertson)

Num futuro cyberpunk o cenário é de caos, desordem, acúmulo de informações, mentiras, corrupção, manipulação e todo tipo de sujeira possível. O jornalista Spider Jerusalem, (personagem baseado no pai do jornalismo gonzo, Hunter S. Thompson), é odiado por políticos e por alguns grupos poderosos, por denunciar práticas ilegais e tentar despertar a consciência da população para a Verdade. Ele desafia presidentes, desmonta a corrida eleitoral, se vê enganado e enganando em um mundo sujo e desesperado que cada vez mais se parece com o nosso. A série foi publicada originalmente entre 1997 e 2002.

O legado do selo Vertigo é muito respeitado na indústria dos quadrinhos. Suas histórias, na maioria das vezes, abalam nossas certezas e ampliam a nossa leitura de mundo. As referências científicas, filosóficas, históricas, psicológicas e  culturais, amarradas com uma linguagem ora crua, ora poética, conquistaram um novo tipo de público.

Se você não aguenta mais a overdose de super-heróis fantasiados que tomou de assalto a cultura pop, esses 5 títulos são histórias que com certeza você vai querer ler e revisitar.

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Nota da edição: Esse texto faz parte da parceria de publicação entre o Papo de Homem e Os Quadrinheiros.


publicado em 17 de Fevereiro de 2018, 10:40
Joao vitor mascarenhas jpg

João Vitor Mascarenhas

Fã dos comics desde a infância, a paixão aumentou ao ler quadrinhos autorais e alternativos. No blog, canal e podcast dos Quadrinheiros é conhecido como John Holland.


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