A loucura de viajar pela China | Na Estrada #18

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Ninguém volta igual de uma viagem à China.

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(Imagem: National Geographic)

Em 2011, resolvemos, meu marido e eu, sair dos roteiros convencionais de férias e viajar para a Ásia. No início ficamos um pouco apreensivos pois, embora tenhamos experiência em viajar por conta própria, seria a primeira vez que sairíamos da zona de conforto do mundo ocidental e entraríamos no desconhecido continente asiático.

Foi tudo tão tranquilo que, a partir dessa viagem, não conseguimos mais nos afastar da Ásia!

É inegável o choque cultural, principalmente quando se visita a Ásia pela primeira vez. Mas nada paga os sentimentos e as experiências adquiridas no percurso, afinal, viajar é muito mais que fazer compras e tirar foto em frente a monumentos famosos. É um exercício de aceitação e tolerância, uma vez que abrimos a mente para novas realidades.

A China, hoje, pode ser vista como um grande canteiro de obras. Parece que 90% das gruas do mundo estão dentro desse canteiro. É comum ver bairros inteiros no chão e a publicidade de grandes condomínios, grupos empresariais e shoppings centers nos tapumes das obras.

Realmente o país cresce a olhos vistos.

É o velho dando lugar ao novo. E isso se deve muito à abertura da China ao capitalismo.

Com o desenvolvimento econômico, as cidades ficaram abarrotadas de carros e bicicletas fazendo com que o trânsito seja caótico, não apenas nas grandes cidades, mas também no interior. Em algumas cidades podemos ver a figura de um guarda no meio da rua controlando o trânsito, como se fazia no passado, como se veem naqueles filmes antigos.

As pessoas trabalham muito e, muitas vezes, no final de semana.  Um chinês nos contou que é comum a realização de reuniões aos domingos.

A maior parte da mão de obra empregada nas construções é de pessoas vindas de áreas rurais que passam a semana inteira trabalhando e voltam para casa somente no final de semana. A poluição está presente em todos os lugares. É praticamente impossível ver o céu azul, e o sol brilha de uma maneira particularmente diferente.

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Logo ao chegar na China, você fica completamente impressionado com as dimensões do país! A começar pelos aeroportos. É fácil se perder entre tantas esteiras e pessoas. Não podia ser diferente, afinal, a China continua sendo o país mais populoso do mundo, com aproximadamente um milhão e trezentos milhões de habitantes, de acordo com um senso realizado em 2011.

Quanto mais pessoas, maior a disputa por espaço. Então, não se espante se as pessoas ignorarem as filas e passarem na frente dos outros, se entrarem no elevador ou no metrô antes que todo mundo saia primeiro, enfim, regras básicas de convivência, na China, são simplesmente ignoradas.

Outro ponto interessante  é que existe wi-fi em todos os lugares e nas estações de metrô há computadores de última geração disponíveis para todos os usuários. O transporte foi um dos pontos altos da viagem.

Nos grandes centros, o transporte público é eficiente, barato, moderno, limpo e muito fácil de usar. Além disso, todas as estações têm informações em inglês. Em algumas estações, os trens ficam abarrotados de gente. Mas, no geral, é tranquilo.

Uma das opções existentes para se chegar ao aeroporto, é o chamado Maglev. Esse trem faz o trajeto que vai da estação Longyang Road, em Pudong, até o Aeroporto Internacional de Pudong - Xangai.

O trem demora 7 minutos e 20 segundos para fazer o percurso de 30 Km, a uma velocidade de aproximadamente 300Km/h!

Sensacional!

O povo chinês é educado e solícito, embora sejam muito tímidos. Visitamos o país no inverno e, mesmo no frio intenso, eles não deixam de aproveitar a vida ao ar livre. Os parques estão sempre repletos de pessoas, principalmente idosos, dançando e praticando esportes.

É muito comum ver grupo de senhoras dançando, praticando tai chi ou simplesmente jogando peteca.

Sempre que eu ouvia falar na culinária chinesa, logo imaginava os temíveis insetos estranhos e a tão controversa carne de cachorro. O fato é que existem feiras que vendem esse tipo de comida. Atraídos pela curiosidade, os estrangeiros não hesitam em comer escorpiões fritos, baratas, aranhas, cavalo marinho ou até mesmo um feto de galinha tostado.

Estava decidida a experimentar, mas o cheiro da feira era insuportável e acabei desistindo. Lógico que os habitantes locais também a frequentam, até porque com mais ou menos 1/3 da população do mundo, eles precisam se alimentar.

E haja frango, broto de bambu, algas marinhas, lesma marinha, e testículo de boi para dar conta da fome de tanta gente!

Os chineses comem muito, praticamente o dia inteiro. É comum encontrar as pessoas fazendo suas refeições principais durante a manhã e também durante a tarde.

Para nós, ocidentais, acostumar-se com os hábitos alimentares dos chineses é um pouco complicado, mas não impossível, já que existe muita comida à base de verduras e frango, além de Mcdonalds e KFC (bem apimentados, diga-se de passagem) para aliviar os momentos mais tensos.

No geral, come-se bem.

O café da manhã dos hotéis era o maior problema, já que, em vez de suco de frutas e pães, tínhamos sempre arroz frito, macarrão, frango xadrez e sopa de noodles. Somente em hotéis internacionais encontramos café da manhã ocidental. Nos mais simples, nem pão tinha.

Tudo muito diferente daqui.

Se você acha que o seu cartão de crédito pode resolver os seus problemas, sinto lhe informar que na China não funciona bem assim, principalmente em cidades do interior. Grande parte dos estabelecimentos não aceita cartão, portanto, tenha sempre dinheiro em mãos.

Nos hospedamos em um hotel em Datong, interior da China, que, além de aceitar o pagamento somente em moeda local, nos obrigou a pagar a mesma quantia referente às diárias em forma de caução. Foi uma peregrinação maluca atrás de um banco onde conseguíssemos sacar dinheiro. O único em que conseguimos realizar saques em toda a viagem foi o Bank of China.

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Boa parte da população não sabe falar inglês. Mas quem disse que saber falar inglês é requisito indispensável para qualquer viagem?

A linguagem dos sinais se mostrou muito eficiente na maioria dos lugares. Fizemos um bate e volta de Xangai até Luoyang para ver as cavernas de Longmen, a 14 km dali. O que ninguém tinha nos avisado é que absolutamente ninguém no aeroporto sabia onde ficava o lugar!

É de se estranhar que o único ponto turístico da região não fosse conhecido por ninguém, não é? Depois de muitos sinais e gestos, finalmente uma pessoa soube informar onde ficava o local. Ótimo! Agora que sabíamos a localização, tivemos que negociar com o taxista para nos levar até lá, esperar e nos trazer de volta a tempo de pegar o voo de volta.

Fácil não?

Mas como explicar isso para o motorista? O fato é que tudo deu certo sem pronunciarmos uma única palavra em inglês, muito menos em mandarim.

Então, para que não haja imprevistos, o ideal é ter o nome dos locais onde se pretende visitar escrito na língua local para poder apresentar ao taxista ou ao motorista.

Isso facilita as coisas.

E muito cuidado com os tuc tucs, o preço tem que ser negociado antes! Pegamos um tuc tuc na rua mas, na hora de pagar, o motorista queria cobrar um preço exorbitante. Nós nos recusamos a pagar e quase fomos agredidos!

As pessoas sempre te abordam na rua para poder praticar inglês. Achamos estranho porque ouvimos dizer que as pessoas usam esse artifício para surrupiar os turistas, para que paguem seu café ou lanche. Mas, isso não aconteceu com a gente.

O que observamos é que existe uma curiosidade natural com os ocidentais, já que existem poucos por lá. Durante toda a viagem, cruzamos com pouquíssimos ocidentais e, na maioria das vezes, nas grandes cidades. Também é comum te abordarem para tirar fotos, como aconteceu comigo.

Pequim

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Iniciamos a viagem por Pequim. Lá, tudo impressiona pela imponência e grandiosidade. A Cidade Proibida é o complexo arquitetônico mais majestoso da China e foi terminado em 1420.

Diz-se que ela possui 9.999 cômodos. Além da imponência, o que chama a atenção são os detalhes da construção. Fora o sem número de palácios e jardins, todos em harmonia com os princípios do yin e do yang.

A Grande Muralha

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Um dos lugares mais esperados da viagem, sem dúvida, foi a Grande Muralha (221-10 a.C). Contratamos o passeio com um motorista indicado pelo hotel.

Existem três pontos de visitação. Optamos pelo segundo, distante aproximadamente uns 70 km (Mutyanu). Subimos de teleférico e descemos em uma espécie de carrinho de rolimã.

A recompensa de ir até esse ponto é a vista estonteante da muralha que serpenteia pelos morros. Uma vez lá em cima, não se consegue saber aonde começa nem aonde termina a muralha.  E, como fomos no período do inverno, não tinha quase ninguém, o que nos rendeu ótimas fotos!

Cavernas de Yungang

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Não consigo encontrar um adjetivo que consiga expressar a emoção de estar nesse lugar. São 51 mil estátuas de Buda escavadas em rochedos de arenito. O complexo constitui uma das mais famosas obras de arte budista da China e teve influências da Grécia, Pérsia, Ásia Central e Índia por causa da rota da seda.

Em cada caverna uma surpresa, budas de todos os tamanhos expostos nas paredes e também no teto.

Templo suspenso

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Esse foi o lugar que mais me impressionou. Principalmente pela ousadia da sua arquitetura. Imaginem um templo suspenso por finos pilares de madeira pendurado precariamente no rochedo de um cânion.

Difícil imaginar não é?

Pois esse templo escavado em pedras naturais e cavidades na rocha, todo em madeira foi erguido no ano de 491, em uma das cinco montanhas toístas sagradas da China. Possui 40 halls irregulares com imagens de estátuas de deidades budistas, confucionistas. A sensação de estar num lugar desses é emocionante.

Parece que estamos flutuando.

Cavernas de Longmen

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Nesse complexo impressionante, construído no período de 386-534, existem cerca de 2 mil cavernas e mais de 100 mil estátuas! Tem estátua de todos os tamanhos, algumas tão pequenas que fica até difícil perceber a sua forma.

Outras, de tão grandes faz com a gente se sinta muito pequeno. Impossível não se emocionar com a presença dos grandes Budas que margeiam o rio Yi. Muitos budas estão desgastados por causa da ação do tempo, mas mesmo assim ainda conservam a sua beleza e majestade.

Xian

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A maior atração de Xian é o exército de terracota. Impressionante o número de soldados em tamanho natural, cada um com uma expressão diferente no rosto.

Essas estátuas foram descobertas em 1974 por agricultores que cavavam um poço. Além dos soldados, é possível também ver os cavalos. A trincheira mais chocante tem mais de 6 mil guerreiros em formação de batalha. Muitos ainda estão em processo de restauração e acredita-se que, em virtude do tamanho da propriedade, muitas estátuas ainda devam ser encontradas nas próximas escavações.

Xangai

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Essa cidade mistura modernidade e história. Ela se divide em duas grandes regiões:

O lado oeste, chamado Bund, representa a velha Xangai, onde ficam os pontos históricos, edifícios coloniais, restaurantes e a vida noturna.

Já no leste, está Pudong, a área nova e centro financeiro da cidade. Lá está localizada a famosa Torre Pérola Oriental com 468 metros de altura, e também o World Financial Center (com 492 metros). A cidade é fascinante.

O velho e o novo em perfeita sintonia.

No centro antigo de Xangai, encontra-se o jardim Yuyuan, um oásis no meio da cidade. Repleto de árvores, templos, flores, esse jardim foi uma propriedade particular e foi criado e somente em 1961, após um longo trabalho de recuperação, e foi aberta para a visitação pública.

Hong Kong

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Importante centro financeiro, Hong Kong é um cidade bonita e moderna. Tecnicamente a “cidade” ainda não é 100% parte da China, mas sim uma região administrativa especial.

Hong Kong possui uma das maiores densidades populacionais do mundo e se concentra principalmente em 3 áreas principais: a ilha principal de Hong Kong, a península KowLoon e a ilha Lantau.

A Baia Vitória, com seus prédios coloridos por neon, realiza um espetáculo com suas luzes no início da noite. A vista fica mais bonita do alto do prédio Sky 100. Simplesmente deslumbrante.

Um fato que chama a atenção é que cidade possui inúmeras passarelas para que os pedestres possam circular com segurança. Dificilmente você vê pessoas circulando nas ruas. Outra coisa interessante é que a maioria dos bares e restaurantes da cidade se localiza em shopping centers.

É muito difícil encontrar um bar fora dessas áreas.

A cidade faz jus à fama de cidade mais ocidental da Ásia. Todas as placas de ruas, sinais de transito, menus de restaurantes, são traduzidas em inglês e praticamente todo mundo fala Inglês: o motorista de táxi, o garçom, o recepcionista do hotel...

Outro ponto interessante é o Pico Vitória. De lá se tem uma das mais bonitas vistas da cidade.

(Fotos 89 a 92)

Macau

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A colônia ficou sob o domínio de Portugal por 450 anos e só foi devolvida à China recentemente, em 1999.

Para chegar até lá, é só pegar um ferryboat.

A cidade é interessante. Possui alguns prédios históricos no centro velho, mas a principal atração são os cassinos.

Um detalhe curioso é que muitas informações estão escritas em português com legenda em mandarim. Embora todas as atrações tenham placas escritas em português, o fato é que não se fala mais português em Macau e, segundo informações dos próprios habitantes, atualmente existem pouquíssimos portugueses por lá.

Ilha de Lantau

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A ilha de Lantau tem o dobro do tamanho da ilha de Hong Kong. O monumento mais interessante da ilha, que também é a principal atração do Mosteiro de Po Lin, é o Grande Buda, uma estátua de 26 metros no alto de um lance de 268 degraus.

E a volta para Hong Kong é feita por um teleférico, considerado o maior da Ásia, com aproximadamente 6 km que se percorre em um passeio de 25 minutos. As cabines têm vista de 360° e existe a opção da Cristal Cabin, com chão de vidro.

Emocionante!

Resumo da coisa toda? Vá para a China!


publicado em 08 de Outubro de 2013, 21:00
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Simone Faleiros

Advogada tributarista e aspirante a professora de yoga. Tem dois gatos, adora filosofia, preza o silêncio, é apaixonada por viagens e está sempre planejando a próxima!


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