Afinal, o futebol brasileiro está realmente mudando ou não?

Após o resgate técnico promovido por Tite, CBF parece estar mudando também sua estratégia comercial. Quando começam as mudanças políticas?

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A gente deixa bem claro nossas críticas à CBF. Críticas à maneira de gerir o futebol brasileiro e críticas ao apego de seus dirigentes pelo poder. Mas para que nossas críticas tenham o peso devido quando as fazemos, precisamos comentar aquilo que é positivo também, afinal de contas, "a mão que afaga é a mesma que apedreja", né não?

Essa frase é interessante porque parece ser justamente aquilo que a CBF está fazendo com a Globo nesse momento. Principal parceria comercial da Confederação, a emissora carioca têm na seleção brasileira um de seus produtos midiáticos mais importantes, ao lado de coisas como as novelas e o Big Brother. Acontece que, nessa semana, a CBF não chegou a um acordo com os Marinho's e, pela primeira vez em muito tempo, a Globo não transmitirá os jogos do Brasil.

Se tratam de dois amistosos, é verdade. O primeiro contra a seleção Argentina, em 9 de junho, e o segundo contra a Austrália, no dia 13. E pra falar a verdade, estamos muito distantes de uma realidade na qual a Copa do Mundo deixe de ser um produto global: os direitos são negociados direto com a FIFA e a Globo já tem exclusividade para 2018 e 2022.

Porém, este posicionamento pode ser o primeiro passo para um caminho que me parece muito mais acertado. A Globo paga e paga bem, então não tem nada de errado com ela em transmitir os jogos que quiser, no horário que quiser, com as condições que quiser. Mas quando os donos dos times perceberem que quem têm o produto é quem vende por quanto quer e nas condições que quer, essa relação de refém que o futebol brasileiro tem hoje com a Globo começa a mudar.

No caso, "o dono do time" é a própria CBF e por mais que nos pareça que estamos trocando um senhor de engenho por outro, esse movimento pode inspirar outros. O que, na verdade, já aconteceu.

Exemplo dos clubes

A gente fala muito sobre a má gestão da CBF porque ela é responsável por uma coisa que "afeta" todos nós brasileiros. Mas quem acompanha o futebol nacional com mais frequência, sabe muito bem que a gestão dos clubes, quase sempre, não é lá muito exemplar.

Isso, no entanto, também parece estar mudando. Com a adesão da maioria dos grandes clubes ao Profut, não só eles terão que pagar suas dívidas (teoricamente) como terão que cumprir uma série de boas práticas de gestão que, espera-se, levaram todos a ter mais responsabilidade sobretudo naqueles momentos em que dois ou mais times fazem um verdadeiro leilão para contratar um jogador e acabam não conseguindo honrar seus vencimentos em dia.

Mas não é só isso.

Neste ano de 2017, diversos clubes brasileiros resolveram dar chances para treinadores "novatos" em detrimento dos "medalhões". É o caso do Botafogo, com Jair Ventura; Corinthians, com Fábio Carile; e São Paulo, com Rogério Ceni. O Flamengo já tinha feito a mesma coisa em 2016, quando Muricy Ramalho deixou a equipe por problemas de saúde e o rubro-negro, depois de relutar um pouco, acabou efetivando Zé Ricardo. Todos eles em primeiros trabalhos.

Rogério Ceni (São Paulo), Zé Ricardo (Flamengo), Jair Ventura (Botafogo), e o já destronado Antônio Carlos Zago (ex-Internacional). 

Essa "juventude" toda se conecta com uma sensação de mudança que permeou o mundo do futebol após os famosos 7 a 1 na Copa. Mas se já citamos exemplos positivos de gestão e de comando técnico, também podemos lembrar do episódio marcante no qual Atlético/PR e Coritiba, as duas maiores agremiações do Paraná, se recusaram a vender os direitos de imagem da partida para a Globo e fizeram a transmissão através de suas próprias redes na internet.

O exemplo do "Atletiba" parece o mais cabível aqui justamente porque o caso da CBF remete à transmissão de futebol e, apesar da Confederação ter comprado um horário na TV Brasil para transmitir os jogos que não conseguiu/quis vender para a Globo, tudo indica que muitas pessoas estarão acompanhando a partida também pela internet já que a CBF TV pretende transmitir o jogo também pelo seu canal no Youtube e pelo aplicativo da Vivo, sua patrocinadora e companhia de TV por assinatura.

Há conversas de bastidores para saber se a TV Bandeirantes, de São Paulo, também transmitirá a partida, assim como negociações com redes sociais como o Twitter e o Facebook para transmitir o jogo dentro dessas mídias a exemplo do que já acontece bastante nos Estados Unidos com eventos de suas quatro principais ligas esportivas: NBA (basquete), NFL (futebol americano), MLB (beisebol) e NHL (hóquei no gelo).

Pelé voltará a ser comentarista, mas desta vez sem Galvão ao lado.

O que se sabe, porém, é que além do narrador dos canais Fox Sports, Nivaldo Prieto, contratado pontualmente para a partida, a transmissão contará com comentários do ex-jogador Denílson e do Rei Pelé. Ambos estarão no estúdio na sede da entidade no Rio de Janeiro e farão entradas "off tube" durante a partida.

A pergunta que fica agora é: após o aparente resgate técnico da seleção sob o comando de Tite, será que estamos presenciando também uma mudança comercial da entidade? Será que depois disso vêm mudanças políticas?

À conferir.


publicado em 01 de Junho de 2017, 12:49
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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