Ah, Cruzeiro...

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E ainda dizem que Libertadores é fácil. Mas só diz isso quem não participa.

Desde que o Cruzeiro veio jogar em Sete Lagoas, lá estou eu com minha camisa azul, faça chuva ou faça Sol, joguem os titulares ou reservas, seja Mineiro, Brasileiro ou Libertadores. Acostumada a ficar atrás do gol xingando o goleiro ou no rumo da linha do meio de campo (xingando quem não canta), cheguei à Arena na quarta como uma criança chega à Disneylândia.

Arena do Jacaré ainda vazia

A intenção era acompanhar o pessoal que vinha de BH e que também ficaria no camarote Santander - dono do perfil @JogandoJunto, que nos cedeu o ingresso para o camarote -, desde a "concentração" e durante a viagem. Por falta de tempo, seria muito complicado sair da cidade em que aconteceria o jogo, para ir a outra e voltar. Até tentei, mas não foi viável. Cheguei ao estádio antes das vans vindas da capital e, um tanto ansiosa, fui para o camarote. Do outro lado, o público ia chegando e nada dos "meus amigos". Quando chegaram, percebi que a maioria se conhecia e eu, obviamente, não conhecia ninguém. Eu estava fora do meu elemento.

Antes do início do jogo, recebemos atônitos a notícia de que o Inter estava desclassificado. Ah, Internacional, que papelão.

Durante o hino nacional, emoção mesmo só no trecho "A imagem do Cruzeiro resplandece", gritada a plenos pulmões pelas mais de 14 mil pessoas que ali estavam. Tudo pronto pra mais uma noite feliz. Até começar o jogo...

A imagem do Cruzeiro resplandece

Com o nervosismo apresentado pelo time logo nos primeiros minutos, a torcida começou a chiar lá pelo meio do primeiro tempo. O Cruzeiro parecia fora do ar e isso refletia nos torcedores. E eu? Continuava fora do meu elemento.

Quando Roger foi expulso, senti um certo pânico. A classificação da Libertadores poderia escapar dentro de casa, depois de uma vantagem contruída fora. Mas o Cruzeiro não deixaria isso acontecer, pensei inocentemente.

Roger deixa o campo precocemente

O fim do primeiro tempo com o placar em branco era bom sinal, com um a menos e com o Once Caldas pressionando, segurávamos a classificação. Era simples, era só tocar mais a bola no segundo tempo e conseguir um golzinho.

Pra aliviar, logo no começo da etapa final, um colombiano a menos. Ufa. Agora vai, pensamos todos. Mas dez minutos depois...

Expulsão do jogador do Once Caldas

Pra variar, Fábio faz uma grande intervenção e teve seu nome gritado. Recebíamos agora, a notícia de que o Fluminense também não estava em situação confortável e rimos. Ah, Fluminense, que papelão. Mas no lance seguinte, numa cobrança de escanteio, o primeiro gol colombiano. Aí quem apareceu foi o silêncio.

Era o começo do inacreditável, eu que comecei tímida, sem "chamar a atenção" dos jogadores passei a distribuir puxões de orelhas. E de nada adiantou. Pouco tempo depois, o Fábio trabalhou novamente, a bola voltou pra um colombiano que acertou a trave e eu gritei de alegria porque era óbvio que alguém ia chutar aquela bola pra lua e afastar o perigo. Na noite de ontem, nada foi óbvio. Cruzeiro 0 x 2 Once Caldas. E mais silêncio.

Ouvi alguns dizerem "Calma, gente! Nós vamos fazer um golzinho" até os segundos finais. E, de fato, fizemos um golaço. Que não valeu. Os "meus amigos" comemoravam tanto, gritavam tanto e eu, que tinha os olhos fixos no bandeira, fiquei parada. Alertei-os de que o gol não tinha valido mas era muita festa. Tive então que aumentar o tom da voz pra que eles me ouvissem e parassem de comemorar pois aquilo estava me deixando ainda mais triste.

A cada bola, a cada passe, a cada tentativa de arrancada mal sucedida, minha esperança se esvaía. Mas entrar com André Dias e achar que ele ajudaria numa competição tão importante, num jogo tão complicado? Cheguei a pensar que era melhor colocar o zagueiro Léo e deixá-lo plantado na área adversária, pra tentar uma cabeçada certeira. Ainda tivemos tempo de ver, e isso vi de muito perto, o descontrole do Cuca. Muita confusão, nenhum gol.

Eu ali, desolada e fora do meu elemento. O Cruzeiro fora da Libertadores.


publicado em 06 de Maio de 2011, 09:37
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Rafaela Araújo

Publicitária, cruzeirense enlouquecida e colunista da Geral do Cruzeiro no site Os Geraldinos, com muito prazer! Twitter: @rafashandshake.


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