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Em busca de Shonagh Marshall

 

ARG? WTF?

ARG, ou Alternate Reality Game, é um tipo de "jogo real". Várias mídias são utilizadas para gerar uma narrativa que misture ficção e realidade, fazendo com que os jogadores tenham que interagir com o jogo não apenas nos meios tecnológicos normais como também na vida real. Ou seja, é um jogo que não existe apenas em uma tela, mas sim em telefonemas, cartas, entregas surpresas, atividades em locais reais ou ações estilo gincana.

A recompensa inclui a própria experiência e um ou mais prêmios para os primeiros a resolver o enigma proposto.

Esse artigo é a nossa ideia de um ARG absolutamente foda. E nele, em algum local do conteúdo, há outro ARG feito por nós. Ao leitor mais sagaz, espera um prêmio.

***

Imagine um vídeo.

Mas não apenas um vídeo comum, desses com gatinhos tocando teclado ou pinguins dando rasteira em outros pinguins. Nada disso, precisaria ser um vídeo com uma garota. Pode ser o da Shonagh Marshall que saiu no nosso último Bom Dia, claro.

Vimeo

É uma segunda-feira qualquer, de uma semana normal, e você está lá começando sua semana vendo essa garota de camisetinha caminhar em slow motion na sua direção, enquanto pensa na reunião da manhã, na avaliação de projeto da tarde, no futebol society da noite e repara que num dado momento do vídeo você consegue ver, num dos cantos da tela, o endereço encurtado de um site.

Sua primeira reação, claro, é se perguntar como diabos você conseguiu notar o endereço de um site no canto da tela enquanto uma garota de barriguinha de fora estava no centro dela com o dedinho na boca, mas imediatamente depois de se convencer de que você é apenas detalhista e isso não afeta a sua sexualidade, você resolve testar o endereço que viu.

No site tem um outro vídeo, dessa vez da Shonagh tomando um banho de mangueira. Por exemplo. Mas enquanto você ainda está se vangloriando de ser o único a notar esse bônus e tentando virar de lado a tela do monitor pra que sua chefe não perceba que você tá vendo garotas de camiseta molhada às dez da manhã de uma segunda, o vídeo trava e nele aparece um joguinho que pede que você se registre.

Você se registra, certo, por que não?, que mal pode fazer?, é só um joguinho e talvez até rolem mais uns vídeos secretos depois. Mas logo após fechar o jogo – um tetris bobo da vida, vamos lá – em vez de mais imagens deliciosinhas em movimento, aparece na tela algo como “Wanna meet?” Sim, ‘Wanna meet?”. E aí, bem, aí it’s on.

It’s on like Donkey Kong.

Primeiro é um telefonema. (Você colocou seu telefone no cadastro do joguinho, né, safado? O que você não faz por mais um vídeo de gostosa?) Um telefonema em inglês, com uma voz feminina, dando uns risinhos. Você de começo não dá atenção, pensa que é um trote, pensa que é alguma brincadeira, mas quinze minutos depois lembra da quantidade de coisas estranhas que têm acontecido desde aquele vídeo, começa a pensar que aquela risadinha era simpática e resolve retornar a ligação.

Dessa vez você ouve um endereço, na mesma voz feminina, falando aquele português com sotaque. A ligação termina com outra risadinha e você fica pensando que nunca teve tanta vontade de se enfiar em uma rua desconhecida lá da puta que pariu da zona sul. Você sabe que pode ser uma cilada, algum novo golpe na internet. Repassa na sua cabeça tudo que sabe sobre tráfico de órgãos. Mas lembra do vídeo, lembra que o tema em questão envolve gostosas e apenas pega o casaco, entra no carro e vai.

No endereço tem um envelope pardo, do lado de fora uma marca de batom. Ele recebeu um beijo. O envelope, não você.

Sentindo um leve perfume, você abre o envelope e encontra absolutamente nada. Vazio, desprovido de conteúdo, nada, nadica, nadinha mesmo.

Coloca aquilo no bolso, mais pelo valor simbólico e pela microaventura da noite, e vai pra casa, meio desconsolado, meio se perguntando que viagem é aquela em que você se meteu e se aquele excesso de café durante a apresentação do projeto não te fez mal.

Em casa, já meio desconsolado, você encara o envelope pela última vez antes de esquecer aquilo numa gaveta quando nota que no cantinho tem a marca e o site do fabricante. Coisa boba, todo envelope tem marca, mas você já está com a curiosidade estimulada.

Isso só piora quando você digita o endereço no seu navegador e em vez de topar com um fascinante portfólio de papéis e envelopes em geral você é redirecionado pro blog de um tal de Saxton Johnson. Após ler uns dois posts, topa com uma foto desse cara junto com...a Shonagh.

E claro, amanhã à noite ele vai estar de DJ numa festa na sua cidade. Coincidência engraçada, certo?

 

Tão engraçada quanto o cabelo dele

O dia seguinte passa lento como uma lesma, mas você consegue sobreviver, ainda que não tenha prestado atenção em nada do que fazia, ido trabalhar usando All Star e terno e aprovado um relatório de contabilidade sendo que você na verdade trabalha na comunicação. Mas OK. É a hora da festa e, logo depois de escolher sua melhor roupa e sua melhor pronúncia de “Shonagh” – “Xonag? Chonaugh? Xena?” –, você vai tentar perguntar pro amigo DJ que diabos tá rolando.

Não que você consiga achar o cara, é claro. Você chega na festa, fica até o final, mas ele apenas não está lá. Já desanimado e se preparando pra voltar pra casa, você resolve perguntar ao segurança se ele sabe alguma coisa sobre o DJ que faltou. Estranhamente, ele parecia estar esperando por você. Te dá uma caixinha com uma chave e um celular. Porque, claro, as coisas ainda não estavam esquisitas e intrigantes o bastante daquele jeito.

Olhando para a chave, a lembrança é de Fringe, aquele seriado em que dá pra verificar em um sistema a procedência de qualquer chave. Pena que não estamos em Fringe.

Olhando para o celular, a aporrinhação é a senha. Não é uma numérica, mas sim uma frase.

Nessa hora você desiste de pensar. Foda-se. Decide voltar pra casa, dormir, dar por encerrada essa fanfarronice toda. Amanhã é um novo dia, sem Shonagh Marshall, sem #SherlockFeelings, sem nada disso. Você nunca ganhou nem rifa de paróquia na qual o prêmio é uma bola de futebol do time de várzea local e estava achando que ia ganhar esse jogo maluco? Hah.

 

Serião, cara, cansei dessa vida de ficar resolvendo misterinho

No outro dia, o celular que estava na caixinha tem uma SMS não lida:

 

"Vc n esta com saudades d mim? :'("

Remetente: S. Marshall.

"Estou, caramba! Isso não faz sentido, mas estou!" Mas você cansou dessa brincadeira de gato e rato e resolve matar a saudade da gatinha que nunca esteve com você da forma mais fácil e descomplicada possível: assistindo de novo ao vídeo dela.

Ao dar play, surpresa! O vídeo é o outro. Começa igual, mas muda bruscamente para uma cena que mostra o cara do blog de antes (lembra?) naquela festa que era para ele ter sido DJ. Mas ele não está tocando nada, nem se divertindo. Ele está completamente desesperado, procurando pelo seu celular perdido. Em determinado momento, aparece falando com o segurança que te deu a caixinha. Ele faz um sinal de "não sei, não vi, desculpa", e logo depois dá uma olhadinha de meio microssegundo para a câmera. Para você. Corta.

Então quer dizer que o celular da caixinha é o do cara. Você gasta alguns minutos tentando pensar em alguma senha possível. Não consegue pensar em nada. Afinal, você não sabe nada sobre o cara. Exceto o nome... como era mesmo?

 

"SaxtonJohnson"

Bingo. O celular é destravado, e o papel de parede mostra um lugar que você conhece. A rodoviária da sua cidade. No detalhe, um número impresso em uma pequena porta de metal: 402.

Você ainda tem uma chave, aquela que estava na caixinha junto com o celular. Não custa nada correr até lá e tentar. Você vai até o guarda-volumes, cada vez mais ansioso, cada vez mais suando igual um porco, cada vez mais se perguntando por que diabos você não está fazendo algo de realmente produtivo na sua vida em vez de agir como um ratinho de laboratório correndo atrás de migalhas de queijo, cada vez mais chegando perto do armário 402, cada vez mais girando a chave, cada vez mais vendo um envelope, cada vez mais pensando "porra, outro envelope", cada vez mais abrindo o envelope e cada vez mais lendo um papelzinho impresso cheio de informações, mas cuja frase mais proeminente é "parabéns, você venceu o ARG mais incrível do mundo e ganhou um jantar comigo. Assinado: Shonagh Marshall".

Isso pra não falar do celular maneiro.

 

MECENAS: Sonic Chevrolet

O lançamento do Chevrolet Sonic será um pouco diferente do usual: o carro foi escondido em algum lugar do Brasil, e os participantes precisam encontrá-lo através do ARG que será lançado na timeline do carro no Facebook. O ARG começa hoje, à meia-noite em ponto.

O prêmio será o primeiro Chevrolet Sonic do Brasil, cuja versão top chega ao mercado por R$60.000 (não conseguimos convencer a Chevrolet de que jantar com a Shonagh seria melhor).

Ficou interessado? Entre no desafio pelo primeiro Chevrolet Sonic por aqui.


publicado em 23 de Abril de 2012, 13:27
Selfie casa antiga

João Baldi Jr.

João Baldi Jr. é jornalista, roteirista iniciante e o cara que separa as brigas da turma do deixa disso. Gosta de pão de queijo, futebol, comédia romântica. Não gosta de falsidade, gente que fica parada na porta do metrô, quando molha a barra da calça na poça d'água. Escreve no (www.justwrapped.me/) e discute diariamente os grandes temas - pagode, flamengo, geopolítica contemporânea e modernidade líquida. No Twitter, é o (@joaoluisjr)


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