Gamer profissional e a distância de afetos | Gabriel "Kami" | Caixa-preta #15

Amizades à distância também suprem nossas necessidades? Para Gabriel Kami, jogador profissional do League of Legends, sim

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No país do futebol, o sonho de assistir a um grande campeonato mundial não gira em torno apenas de estádio, gramado e bola. Para os amantes de League of Legends, um jogo eletrônico do gênero multiplayer online desenvolvido pela Riot Games, essa vontade também fica guardada.

"Se o cenário continuar crescendo, o mundial pode ser realizado aqui", disse Jarred Kennedy, diretor de eSports da empresa responsável pelo LoL, em uma entrevista à ESPN Brasil. E essa possibilidade só mostra a força que o jogo tem construido ao longo dos últimos anos. 

Ronaldo e Lee "Faker" Sang-hyeok, considerado o melhor do mundo em "LoL", no Mid-Season Invitational 2017 - o 'Mundialito' de "League of Legends" que aconteceu no último dia 21 de maio.

O LoL vem ganhando um número cada vez maior de adeptos, e movimenta paixões e dinheiro. Em 2013, o prêmio do torneio foi de $1 milhão e teve 32 milhões de espectadores online. Já em em 2014 teve o quinto maior prêmio da história de eSports, dando ao time vencedor 2,3 milhões de dólares. 

Mas quem são os personagens reais por trás de toda essa estrutura?

Nós conversamos com um dos principais nomes do cenário brasileiro de LoL e descobrimos que os fãs são parte essencial do processo. 

Gabriel, ou "KamiKat" como é conhecido, tem 21 anos e alguns troféus na estante. Ele é o jogador mais caro de League of Legends do país e ganhou seu primeiro jogo aos 3 anos de idade. Com a infância e a adolescência acompanhadas pelo mundo gamer, profissionalizar seu hobby não demorou muito para acontecer.

Em 2011, a convite de Gabriel "Mit", ele passou a integrar uma equipe online, e em 2013 foi chamado para integrar a Pain Gaming, uma gaming house. Lá, ele dividiria uma casa com outros garotos que também estavam buscando se profissionalizar no mundo dos games, e isso significaria ter que mudar de Florianópolis, sua cidade natal, para São Paulo. 

Desde que aceitou o convite, a vida de Kami tomou rumos diversos, tendo ele participado de torneios internacionais e se tornado uma figura pública. Sobre esse último aspecto, nossa conversa mostrou que o contato com os fãs é um elemento primordial para o gamer. Eles se tornaram amigos com os quais Kami divide a vida, os problemas e as conquistas. 

Ainda como parte desse elo, Kami assumiu sua homossexualidade em 2014, para quase meio milhão de pessoas que o acompanhavam em suas redes sociais: 

Vocês vivem me perguntando se eu fico incomodado com “Kami, você é gay?” nas streams. Pois bem, agora que eu posso responder: não, nunca me senti incomodado, e de verdade eu queria muito responder “sim”, mas tinha medo das reações. Sempre falei pra vocês que sou eu mesmo e sincero com vocês nas streams, e realmente procuro não criar um personagem. Meu objetivo é que quando vocês me encontrem nos eventos ou na rua, não consigam notar nenhuma diferença do Kami na stream, pro Kami pessoalmente. Mas pelo fato de eu não poder responder a pergunta que eu mais li no ano, eu sentia como se estivesse enganando vocês, mesmo que um pouquinho, haha. Agora não mais!

- Trecho da publicação feita no Facebook do gamer.

A decisão de contar a respeito da orientação sexual fez parte dessa relação íntima e de parceria que ele mantém com seus seguidores. O post teve mais de 45 mil reações, 11 mil comentários e pouco mais de 3.480 compartilhamentos:

Talvez estejam se perguntando por que eu resolvi fazer isso do nada. Primeiro, vamos estabelecer que eu me assumir não vai mudar em nada o meu modo de pensar sobre as coisas, não vou começar a falar fino, jogar de Taric, me vestir de mulher, jogar de Taric, ou sei lá o que mais costumam pensar que gays fazem, haha. Ser uma pessoa pública vem com algumas consequências, e uma delas é que muita gente vê o que eu escrevo/falo! Se eu puder, com isso, ajudar pelo menos uma pessoa a entender melhor desse mundo tão cercado de preconceito e visões errôneas, então, pra mim, já valeu a pena.

Abrir um aspecto tão pessoal e que poderia ser lido como um algo negativo só deu mais elementos de aproximação entre o público e o gamer.

Construir e manter laços familiares, dos quais Kami tanto falou conosco, pode ser uma das chaves de sucesso desse jogo, que está tomando o mundo. É o perfeito casamento entre estratégia e trabalho em equipe, seja ele real ou virtual.


publicado em 15 de Junho de 2017, 09:00
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Carol Rocha

Leonina não praticante. Produziu a série Nossa História Invisível , é uma das idealizadoras do Papo de Mulher, coleciona memes no Facebook e horas perdidas no Instagram. Faz parte da equipe de conteúdo do Papo de Homem, odeia azeitona e adora lugares com sinuca (mesmo sem saber jogar).


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