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Homens frígidos

Sobre o medo masculino de negar fogo

"Homem que nega fogo, não é homem!"

Ouvi isso de um jovem de trinta anos que sofria há muito tempo de um comportamento sexual quase nada comentado: frigidez masculina.

A ideia estereotipada do homem sexualmente hiperdesejoso jogam uma penumbra sobre as discussões. A ideia contrária, de alguém heterossexual que não quer transar com uma mulher é tão inconcebível que a primeira hipótese levantada é de que o sujeito seria um homossexual reprimido. A segunda "explicação" é de que ele estaria passando por algo passageiro e que, no fundo, ele continua sendo o cabra macho caçador.

Como sabemos, respostas prontas costumam esconder camadas e mais camadas de negação da realidade.

Antes de começar, vamos descrever esse comportamento frígido, até porque ele não compõe um quadro na nosologia médica, é uma dinâmica psicológica e não biológica.

A primeira imagem mental de frigidez é a normalmente atribuída às mulheres. A da mulher que faz sexo sem sentir prazer ou orgasmo. Ou, até mesmo de alguém que nem consegue ter uma relação efetiva. Essa comparação já dá um nó na cabeça, pois como um homem poderia manter uma ereção sem vontade?

O desejo surge em diferentes graus de intensidade e tem duas fases: a vontade e a manutenção. A frigidez acontece tanto quando o desejo se recusa a surgir ou quando ele vem oscilante, sem manutenção, carregado de emoções aflitivas.

O principal mecanismo de recuo sexual é evitar a exposição a uma situação de intimidade. É quando o sujeito diz que está cansado, cabeça cheia, sobrecarga profissional ou qualquer outro motivo circunstancial. Da mesma forma, quando consistentemente não consegue sustentar sua libido conectada ao outro e isso se torna um padrão de interação sexual. O impotente crônico seria um tipo de frígido.

O certo é que o sexo escapa ao hábito civilizatório de lógica, racionalidade e coerência. Uma pessoa polida ou cortez pode se sentir animalesca e com linguajar esdrúxulo na cama sem que isso sacrifique um senso de identidade pessoal. É como se o sexo fosse considerado uma outra dimensão social que distingue dentro e fora da cama.

Uma personalidade pouco habituada a fazer essa transição emocional entre racionalidade e emocionalidade, supremacia da mente sobre o corpo e vice versa pode ficar paralisada sexualmente. Não raramente o uso de alguma substância é usada como recurso de atenuação psicológica e relaxante nessa hora. Mesmo assim, existem pessoas que permanecem chumbadas ao chão, incapazes de permitir a si mesmas "sujarem-se" numa dinâmica sexual real.

A obsessividade meticulosa, daquela que torna a pessoa cheia de pudores, moralismo, preocupação catastrófica pelo futuro e necessitada de segurança e previsibilidade excessiva, predispõe um homem a muitas barreiras sexuais. A impetuosidade sexual fica domesticada em fantasias, pornografia e masturbação porque ali ela sente algum tipo de controle e ritmo próprio. Sexo real de qualidade, em essência é mais parecido com uma noite improvisada de jazz do que com uma música tomada por um refrão grudento.

Sexo bom faz o desejo correr como um riacho, imprevisível e refrescante, mas a sexualidade frígida está presa em uma simetria paralisante em que a dança dos corpos causa mais pânico do que alegria. Mesmo num relacionamento o sujeito prefere a fantasia à realidade, pois ali o fluxo segue na rédea curta.

Em última instância a frigidez masculina está apoiada num controle extremo do desejo, em especial pois está inconscientemente associada à sujeira, imoralidade e perversão. Na prática o que ocorre é um tipo de aflição misturada com prazer que de tão insuportável faz diminuir a procura sexual.

Em alguns casos, isso se manifesta também pela via oposta. A pessoa tem uma vida sexual recheada de transas relâmpagos onde o desejo flui pelo calor do tesão súbito, ou seja, um tipo de distanciamento de qualquer possibilidade de relação sexual dentro de um vínculo duradouro, o cara travado (e isolado socialmente) ou o Don Juan.

Nota do editor: este artigo foi atualizado em 23 de agosto de 2017, para atender melhor ao título e ser mais útil a homens que possam ter problemas relacionados à falta de libido.

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publicado em 23 de Março de 2011, 14:34
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Frederico Mattos

Sonhador, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, oferece treinamentos online em A Mente Humana e escreve no blog Sobre a vida.


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