Icamiabas na Amazônia de Pedra: o desenho animado paraense digno de TV a cabo

Com amazonas protagonizando o heroismo da série, os curtas de animação unem entrenimento pop e cultura brasileira em um tempero só

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Arrisco dizer que boa parte de nós crescemos em épocas de televisão na mesa da sala.

Enquanto crianças, o volume alto que preenchia a casa a partir das nove da manhã era resultado de vozes fictícias que, escondidas sob traços muito coloridos, interpretavam personagens. E suas aventuras eram capazes de prender nossa atenção por horas a fio se assim nos fosse permitido.

Frequentemente essas produções eram dubladas. As aberturas que cantamos até hoje foram todas traduzidas. Consumíamos, mesmo na tevê aberta, aquilo que exportavam pra nós em termos de entretenimento infantil.

Engraçado que, mesmo sendo jovem, eu não consiga nomear um cartum brasileiro que tenha feito o assunto da roda na escola – o que não é necessariamente ruim, mas implica em uma escassez de referências culturais acessíveis para uma criança.

O que vemos ao nosso redor na primeira década de vida nem sempre está posto como forma de arte e didatismo lúdico no entretenimento importado que consumimos. E se levarmos em conta o papel que as telas – sejam elas de televisão, computador ou quaisquer aparelhos eletrônicos – têm na nossa rotina hoje, dá pra chegar à conclusão de que é preciso que esse tempo seja aproveitado para a formação intelectual dos pequenos.

Por isso foi tão interessante ver que a série Icamiabas na Amazônia de Pedra está repercutindo por aí em lugares como o Hypeness e a Folha.

O protagonismo feminino não é tão comum na maioria dos desenhos animados que importamos

Composta de curtos episódios de animação protagonizados por quatro indígenas superpoderosas, a mistura de desenho de heroínas com a cultura do Norte do país ficou nada menos do que foda. 

Evidência de que a nossa cultura típica e tradição também pode servir de panorama pra exemplos, benfeitorias e características positivas de caráter como coragem, força, gentileza e autonomia – emblemas de diversos dos desenhos animados infantis no mundo todo.

Otoniel Oliveira, o criador da série e talentoso desenhista, tirou a inspiração da lenda das icamiabas, amazonas que viviam em uma comunidade sem homens. Juntou nesse tempero situações cotidianas, do nosso próprio século e rotina, sotaques típicos e bonitas cores.

Isso porque também há a intenção de aproximar a cultura indígena da atualidade. Foi o que Otoniel disse pra Folha de S.Paulo: "Estamos acostumados a um pensamento colonialista sobre os indígenas e vê-los parados no tempo."

Ficam aqui três episódios de cerca de um minuto e a promessa de alguns mais longos, que devem ser lançados em 2017. Ansiosos no aguardo, não é não?

 


publicado em 19 de Fevereiro de 2016, 15:58
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Marcela Campos

Tão encantada com as possibilidades da vida que tem um pézinho aqui e outro acolá – estuda Jornalismo na Universidade de São Paulo, mas também cursa Saúde Reprodutiva Holística no Justisse College. Compõe a equipe de conteúdo do PapodeHomem, modera uma comunidade de quase dez mil mulheres e não tem preguiça de bater um papo bom.


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