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Kart amador: vício a 100 km/h

Ainda lembro das manhãs de domingo, vendo os carros de Piquet e Senna disputando posições no meio de uma floresta fechada em alguma pista da Europa. Cresci e, como devem ter percebido, não consegui alcançar o sonho de ser piloto de Fórmula 1. Comecei então a procurar alternativas para saciar a vontade de acelerar, mas o automobilismo nunca foi um esporte barato, até mesmo nas categorias de base. Sem a grana necessária, deixei a ideia de lado, só brincando de vez em quando. Até que apareceu o convite para participar de um campeonato amador.

Todo mundo já passou por essa fase.

Ele começou engatinhando, com apenas 6 pessoas e um regulamento simples. Começava ali a Fórmula Kart dos Primos. Com o tempo, a quantidade de pilotos aumentou e tudo se tornou mais sério. Começamos a nos preocupar cada vez mais com as regras, tentando estruturar e deixar a brincadeira mais profissional.

Em 2011, a FKP começou sua quarta temporada e, desde o começo do ano, o número de pilotos só tem aumentado. Aquele pequeno campeonato virou uma das categorias mais bem organizadas do automobilismo do estado de Mato Grosso do Sul, contando com 17 etapas por ano e mais de 20 pilotos. Até conseguimos uma pontinha na televisão. Quem diria?

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Mas quanto trabalho dá tudo isso? Vou tentar explicar um pouco como tudo funciona.

Organizando um campeonato de kart amador

Todo homem que já tentou organizar algum evento com mais de dez pessoas sabe que é preciso um pouco de trabalho para tudo andar bem. No caso do kart não é diferente, mas é bem mais fácil do que parece.

As pistas: considerando que você já arrumou alguns empolgados para a disputa, o próximo passo é procurar onde correr. Existem dois tipos principais de pistas para aluguel de kart:


  • Indoor: é o mais comum. Normalmente feito em algum lugar coberto (daí o nome), com pista formada só por barreiras de pneus e chão de concreto. Os karts têm motores mais fracos, normalmente com 4,5 hp ou 5,5 hp que, combinados com pistas fechadas, não desenvolvem tanta velocidade.

  • De aluguel: são como chamamos os indoors que correm em pistas profissionais. Normalmente usam motores de 13 hp, mas podem chegar a 18hp. Dependendo do traçado, os karts podem chegar facilmente a 100 km/h. As pista são de asfalto com zebras e áreas de escape, o que aumenta muito a segurança.

Apesar de bem diferentes, você não precisa focar em apenas um dos dois para formar seu campeonato. Independente de qual for, sempre procure observar o estado de conservação dos karts e equipamentos de segurança. Karts normalmente têm níveis de performance bem desiguais, então quanto mais novos, melhor. Outra coisa a se observar é o nível do equipamento que estão disponíveis para os pilotos. Capacetes velhos, luvas rasgadas e macacões furados podem até não atrapalhar normalmente, mas numa situação crítica, fazem a diferença.

Granja Viana, Interlagos e Velopark. Referências em velocidade e karts.

As regras: você já tem os pilotos e as pistas, falta a cola para unificar tudo e transformar a brincadeira em um campeonato. Aqui, vale dizer que depende muito da seriedade com que todos vão levar a disputa. Vou citar o básico, mas como organizador, você pode implantar regras novas e testar o que funciona mais. Um ótimo exemplo de regulamento é do Campeonato Brasileiro de Kart Indoor, organizado pela AMIKA. Aqui vou cobrir os pontos básicos.

Tempo de corrida: a primeira coisa que precisa ser analisada e discutida é o tempo de corrida. Pode parecer fácil, mas andar de kart cansa e muitos pilotos ficam exaustos depois de 15 ou 20 minutos de prova.

Pontuação: veja quantos pilotos seu campeonato vai ter e se baseie nisso para dividir os pontos. Aqui você pode tentar algo mais nivelado ou valorizar mais uma vitória. Vai pontuar quem fez a volta rápida? E quem largou na pole position?

Equipes: o teamplay também existe no automobilismo. Então é bacana separar pilotos em duplas (ou mais, você que manda!) e criar um campeonato de equipes.

Categorias: se tiver gente suficiente, você pode separar os pilotos em várias categorias e criar mais disputas. As divisões mais normais são por peso, idade e gênero. Sim, mulheres também andam de kart.

Até Michael Schumacher curte kart. E você achando que não havia emoção...

Peso: pode parecer uma questão simples, mas não é. Com a variedade de biótipos que existem no Brasil, é muito comum um cara de 90 quilos disputar na pista com um de 60 quilos. Essa diferença já é suficiente para tirar as chances do seu amigo maior. Infelizmente, não existem muitas maneiras de resolver isso. Uma opção é estabelecer um peso mínimo (75 ou 80 quilos, por exemplo), sendo que pilotos mais leves que isso devem carregar algum tipo de lastro com ele. Outra opção é fazer categorias diferentes, como já foi dito. Nesse segundo caso, tente separá-las por até 20 quilos.

Amizade: por mais que você só convide amigos e parceiros para correr, as disputas vão fomentar rivalidades dentro da pista e as coisas podem ficar feias. Para evitar atitudes antidesportitas, você pode incluir alguns artigos no regulamento contra isso ou até mesmo fazer uma seção com regras e possíveis punições para quem for desleal. São itens que não são obrigatórios, mas faz diferença estar preparado para quando alguém tentar uma ultrapassagem mais forte e exagerar na dose. Ou até empurrar alguém para fora.

Premiação: este é uma assunto delicado. Todo mundo sabe que, quando se lida com dinheiro, tudo fica mais sério. Então é bom ponderar bem se você vai dar algum tipo de premiação em dinheiro. Até o campeonato se tornar algo realmente grande e ter uma estrutura profissional, eu indico não fazer isso e manter tudo na amizade.

O básico é isso. Dá um pouco de trabalho e alguém vai ter que perder algum tempo organizando tabelas e calculando pontos, mas vale a pena. Com um campeonato bem estruturado e bons pegas acontecendo, a diversão é garantida e em grande quantidade. Se você ainda tiver dúvidas se kart indoor pode dar boas emoções, veja esse vídeo de uma câmera onboard.

Link YouTube |

Mas cuidado. Kart vicia.


publicado em 15 de Julho de 2011, 05:02
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Lucas Neto

Um perdido que, em vez de procurar o caminho certo, segue por estradas onde pode se perder ainda mais. Piloto de kart e amante do automobilismo desde criança, adora curvas molhadas. Principalmente as das mulheres. Twitter: @lukaz.


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