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Mudança de hábitos

No final do ano passado, eu planejei as minhas 10 metas para 2011. Esses compromissos assumidos comigo mesmo eram direções que eu tomaria para me desenvolver e melhorar como ser humano. Uma das metas soava impossível:

Ter uma vida mais saudável.

Eu nunca fui um grande praticante de exercícios físicos, tampouco de esportes. Toda a minha vida futebolística se resumiu em atuações como goleiro. Ou no vídeo game. Com exceção de alguns anos praticando natação, poucos foram os exercícios de grande movimentação que fiz durante os 28 da minha vida. Sempre estive ciente de que deveria me exercitar mais. Aliás, acho que todas as pessoas sabem o que precisa ser feito.

Por que nunca fiz isso? Preguiça.

Contudo, na vida de todas as pessoas existem tipping points, momentos em que algo muda e, a partir destes instantes, uma série de coisas se encadeiam, o que surte um efeito poderoso. É o efeito dominó que muda vidas. Como a minha.

O começo

Pensando que essa nova diretriz iria ter uma série de ações e consequências, eu imediatamente me convenci de que precisaria consultar um especialista para me ajudar a criar um plano anual. Em algumas semanas, fui visitar uma nutricionista que criou um plano de três meses de alimentação controlada, sendo os 14 dias iniciais de detox, ou seja, desintoxicação do corpo por todos os anos de má alimentação. Ela usou uma analogia que eu achei muito interessante:

Felipe, o seu corpo é como se fosse um copo. A cada alimentação, o copo vai enchendo e seu corpo trabalha para por a água para fora. Contudo, em detrimento de alguns alimentos serem danosos para o corpo humano, o copo não consegue expelir tudo e, aos poucos, ele vai enchendo. Com o copo cheio, qualquer exercício físico tem menos resultados – você deve ter dores de cabeça, cansaço etc. O objetivo é esvaziar o copo e, posteriormente, você ter uma alimentação saudável a ponto de não deixá-lo encher.

Lembro que abri um sorriso e pensei: "em que diabos estou me metendo?"

Não, leitores, a desintoxicação do Felipe não é a mesma da Lindsay Lohan.

A detox tem como base proibir alimentos derivados de aveia, trigo, centeio, cevada, lactose e que contenham glúten. Por exemplo massas, laticínio, pão francês e até mesmo a cerveja sagrada! E além do controle sobre quais alimentos não deveria consumir, tive que conviver com quatro obrigações para ajudar na desintoxicação:


  • 1 dose (50ml) de suco de clorofila por dia. Ficava bem palatável depois de diluído em suco de laranja.

  • 600ml de chá de dente de leão.

  • 20 gotas de tintura de cártamo duas vezes ao dia.

  • 2 colheres diárias de óleo de coco.

Lembro muito bem do meu péssimo humor nos primeiros dias da dieta, inclusive causando atritos aqui no QG do PapodeHomem. Mas sabia que se tratava de algo importante relacionado à minha alimentação. Além disso, duas semanas de controle alimentar não é grande coisa.

Minhas dicas para uma boa alimentação

Após o período da detox, minha alimentação ficou mais balanceada e hoje sigo algumas regras que, apesar de funcionarem para mim, podem não dar o mesmo resultado com todo mundo.



    • Eu tomo café às 10 horas, almoço às 13, faço um lanche às 17 e outro às 19 horas, janto às 22 horas. Quando não consigo manter este volume de refeições, procuro me alimentar o mais seguido possível.

    • Evito ao máximo a ingestão de doces. Qualquer doce.

    • Leio o rótulo de qualquer alimento de ingiro. Procuro sempre manter a ingestão de gordura e sódio o mínimo possível.

    • Quando vou comer carboidrato, dou preferência ao integral.

    • Adotei o uso diário de um mix de cereais que compro pronto e é composto de aveia, linhaça, farelo de trigo, uva passa, germen de trigo, maçã seca, semente de girassol, castanha de caju, gergelim preto e canela. Para tornar a ingestão desse caminhão de cereais mais gostosa, eu criei um café da manhã de campeões: adiciono frutas, mel e iogurte.

    • Ingiro água. Muita água. A única forma que consegui introduzir água na minha rotina foi deixando uma garrafinha de 600ml na frente do meu computador. É impossível não querer beber enquanto o dia avança.

    • Procuro consumir a menor quantidade possível de produtos enlatados e industrializados.

    • Cortei fast food. Sempre fui um devorador de McDonald's e afins. Sempre gostei muito. Ainda gosto. Entretanto, hoje comemoro muitos meses sem comer um x-colesterol ou um hot dog. Eu faço uma analogia com o ato de trair. A partir do momento que você trai uma vez, trair novamente vira uma ação menos difícil. Pois é, comer porcaria é assim. Depois de abrir a porteira, você vai continuar entrando nos McDonald's e Bob's da vida que estão em toda esquina. Resista!


Link YouTube | Quem já assistiu Super Size Me sabe os males do fast food

Durante esse período de adaptação de hábitos, o importante é não ser totalmente radical, pois você terá muitas chances de detestar essa nova vida e voltar à "moda" antiga. Vá de acordo com o seu ritmo e implementando o que você conseguir. O importante é você gostar dos novos hábitos e, aos poucos, incorporá-los para a sua vida definitivamente.

Exercícios físicos e esportes

O segundo pilar macro da minha mudança dizia respeito a tirar a bunda do lugar e me movimentar. Hoje temos talvez uma centena de atividades físicas disponíveis. Para quem não gosta de nadar, existe o tênis. Para quem não curte musculação, existe o spinning e assim por diante. Portanto, a questão é fazer uma escolha – optar por uma modalidade que dê prazer. Neste processo de escolha eu voltei à minha lista de metas do ano. Lá estava determinado mais uma ação que eu deveria por em prática:

Fazer esportes radicais.

Comecei fazendo cursos de mergulho e hoje estou em um curso de longa duração de escalada e montanhismo. O meu próximo será me formar paraquedista. Para um cara que jogava futebol no gol apenas duas vezes por ano, eu estou tendo o ano mais movimentado da minha vida e me colocando à prova para enfrentar os riscos inerentes aos esportes radicais. Por outro lado, estes esportes não são praticados semanalmente. Precisei incorporar alguma modalidade que fizesse parte da minha rotina.

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Enfim, comecei pela primeira vez na vida a ir frequentemente à academia.


  • Para aqueles que, como eu, não gostam de academia, mas estão pensando em dar uma chance a ela, vou listar algumas considerações que me ajudam a lidar com “ter que ir à academia”:

  • Eu me programei para ir à academia às 19 horas. Neste horário, geralmente já estou de saco cheio de trabalhar e, assim, promovi uma pausa forçada no meu dia. Paro o que estiver fazendo e vou malhar. Se ainda tiver que trabalhar, faço na volta. Isso causou uma diminuição incrível no meu estresse e uma melhora na minha qualidade de vida. Volto sempre da academia com endorfina em alta e com sorriso no rosto.

  • Não me obrigo a ir todos os dias. Assumi que tenho uma vida caótica e trabalho pra caramba, e que a academia precisa ser algo a auxiliar na minha rotina. Nos dias que não tenho condições de ir, simplesmente não vou e não me culpo por isso.

  • Naqueles dias em que estou com preguiça e a tendência natural seria não ir, eu me obrigo a fazer o exercício. Em 100% das vezes eu agradeço por ter ido.

A combinação de esportes com um exercício físico rotineiro não só entrega benefícios gigantes para o nosso corpo, mas nos ajuda a manter a sanidade. Eu demorei 28 anos para perceber o quão importante era mudar algumas das regras do jogo. Durante os primeiros meses, certamente é um pouco penosa essa adaptação, mas é indescritível a satisfação em ver que o que parecia difícil e distante são hábitos que você já incorporou na sua vida. Agora é hora de colher os resultados.

Oferecimento: Desafio Pharmaton

O pessoal do polivitamínico Pharmaton convidou o PapodeHomem para participar do Desafio Pharmaton (www.desafiopharmaton.com.br), composto por uma série de etapas focadas em melhorar o eixo corpo-mente. Nosso "atleta" Felipe representou o PdH e participou de corridas, fez avaliação com nutricionista e check-up médico para se preparar para desafiar a si próprio. Assista ao vídeo e entenda como você também pode fazer o mesmo.

Link YouTube | Sessenta pessoas. Sessenta vidas mudadas para melhor


publicado em 23 de Julho de 2011, 05:00
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Felipe Ramos

Um realizador nato, de coração sem tamanho. Transformar pedra em banquetes é a especialidade desse MacGyver gaúcho. Notório por seu apetite festeiro, nunca recuse quando for convidado a uma de suas frequentes celebrações e aventuras. O imprevisível é seu prato favorito. No Twitter, @felipemktg.


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