Não consigo terminar o que começo | Pesadelos Criativos #1

Quando você muda de ideia e tenta outra coisa e outra e outra...

Mais uma tarde de trabalho. O sol forte entrando pela janela, pego o violão, arranho o caderno com a caneta. Alguns versos. Alguns acordes. Mudo de ideia, tento outra coisa e… nada.

Às vezes caio nesse buraco.

Quero criar algo, uma música ou texto. Então, meio sem saber para onde ir, rabisco vários fragmentos que não chegam a lugar nenhum. Tento o primeiro, o segundo, o terceiro… quando dou por mim, passou-se um dia, uma semana.

Já cheguei a ficar meses assim.

Algumas vezes, claro, essa situação vai desembocar em algo bem interessante. Afinal, você tentou mover o moinho das ideias, certamente, em algum momento esse monte de retalhos acaba fazendo sentido e se unindo em algo que lembra uma colcha um pouco mais coerente.

Mas não podemos confiar apenas na sorte de, lá na frente, encontrar um caminho que faça sentido.

O que eu faço quando percebo que estou assim? Concluo mesmo as ideias ruins.

Claro, há diferentes abordagens, mas eu tendo a pensar que concluir mais ideias é melhor, especialmente para quem ainda está começando e precisa reunir repertório. Quando você termina uma ideia, ganha mais experiência.

Você só é tão bom quanto já é agora. Não adianta martelar infinitamente um mesmo texto ou música, o que você tem é o que está lá. Quando conclui e parte pra outra, você dá espaço a si mesmo para estudar, reunir novas referências, aumentar seu repertório e, ao se exercitar com mais frequência, progredir mais rápido.

Bloqueios criativos são uma praga bem poderosa, especialmente para quem é muito perfeccionista. Você olha e pensa em mil formas de aperfeiçoar algo que está fazendo. Porém, muitas vezes, essas ideias não estão tão claras assim, afinal, se estivessem, você simplesmente faria aquilo que pensou.

Já ouvi chamarem isso de paralisia de análise. Ou seja, um tipo de ansiedade que surge quando o processo está em um certo ponto e você acha que não está bom o suficiente para ser considerado terminado e, então, fica ali em cima pensando, analisando, tentando achar uma saída. O bom e velho overthinking.

Quando tudo trava, é melhor respirar fundo, aprender a passar por cima disso e fazer o que for necessário para ter o seu melhor no momento. É mais importante ter algo rolando do que ficar esperando pelo mundo ideal milagrosamente se manifestar na sua frente.

Tudo o que começar, termine. Uma ideia pela metade dificilmente vale alguma coisa, mesmo que esteja guardada na sua gaveta para, por milagre, ser usada posteriormente, quando encontrar seu lugar.

Já uma ideia completa pode ser reaproveitada, unida a outras, até mesmo separada em várias menores… no mínimo, é algo que você compreendeu e levou a cabo.

Quando você termina algo, isso vira um tipo de experiência muito útil, que é a de pensar até o fim, de saber onde vai, o porquê de ir até certo ponto e, claro, também saber a hora de parar.

Quando terminar, se achar que está horrível, jogue fora, sem piedade.

Mas termine.

Você ganha muito mais concluindo uma variedade de ideias do que lapidando uma só à exaustão. Pode confiar.

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Nota: este texto foi originalmente publicado no meu Medium.


publicado em 16 de Outubro de 2017, 12:22
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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