O blues não é americano e o Songhoy Blues não me deixa mentir | Eu ouvi pra você #15

Cada africano sabe muito bem a verdadeira origem do estilo

O blues tem a sua história. Há alguns bons filmes que retratam a vida de muitos homens e mulheres negros, vivendo como escravos nos Estados Unidos e cantando seus lamentos nas lavouras. 

Os americanos se orgulham disso e se autointitulam os donos do blues. Para eles, o estilo musical é americano, com origem a região do delta do rio Mississippi.

Praticamente não há dúvidas quanto a isso e qualquer acadêmico do estilo vai confirmar, mas se você perguntar a algum africano, a história que você vai ouvir será bem diferente. 

Para eles, o blues é africano de Timbuktu, onde as areias do Saara se encontram com o rio Níger.

Essa recomendação veio pelo Ismael dos Anjos, nosso amigo viajante, que no momento, caminha por Hamburgo, na Alemanha. A banda é Songhoy Blues, e a mensagem que ele me mandou foi: "Ouça. Suei de dançar no show dos caras por aqui. A guitarra é bem foda – um blues com pegada de dança 'guitarrada' – e o vocalista é o James Brown de Mali. Sem noção. Rindo e dançando o tempo todo, colocou os alemães todos para dançar".

O som tem o pé na tradição do blues, com as inegáveis raízes africanas ainda mais exacerbadas, mas sem deixar de puxar a eletricidade do som que Muddy Waters lapidou. É muito bonito ver como é difícil saber exatamente onde começa a influência de um som sobre o outro.

Vale a audição. E vale repetir também.

Music in Exile (2015)

 

Vídeos

 

Onde acompanhar o som deles

 

As fotos do show 

O Ismael também fez alguns registros que mostram a pegada do show. Siga o rapaz no Instagram para ver as fotografias que ele captura por aí! 

A energia durante o show do Songhoy Blues é contagiante – os alemães até ensaiaram coreografia
O guitarrista Garba Touré
O vocalista Aliou Touré. Os sobrenomes são iguais, mas os músicos não são parentes.

publicado em 12 de Agosto de 2015, 17:25
Avatar01

Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura