Como funciona a festa do dia dos mortos no México

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Não é conhecer lugares históricos e muito menos paisagens espetaculares. A melhor coisa de viajar o mundo é que você descobre mais sobre as pessoas.

A estrada nos ensina que os seres humanos -- no Brasil ou do outro lado do planeta -- não são tão diferentes assim e, ao mesmo tempo, diferem em coisas simples, que muitas vezes tomamos como verdades absolutas.

Veja o caso da única certeza que todos dividimos: a morte.

Isso é um cemitério. E tem povo que não vê a morte como nós vemos a morte
Isso é um cemitério. E tem povo que não vê a morte como nós vemos a morte

Causadora de tantos medos, ela é encarada de forma bem diferente dependendo da sua localização geográfica. Em muitos países, é motivo de choro e luto demorado. Em outros, os doentes e idosos fazem de tudo para morrer em determinado lugar.  E existem os países que encaram a morte de frente.

E com festa.

Link YouTube | Apresentação bem bonita da festa para os mortos realizada na Praça de Constitução, a principal da Cidade do México

Percebi essas diferenças quando morei na Ásia, onde as pessoas não têm os valores cristãos com os quais estamos acostumados. Mas não é preciso ir tão longe para notar isso. Um exemplo é o México, que tem um feriado parecido com o nosso, pelo menos na data: o Día de Muertos, comemorado entre 1 e 2 de novembro.

Sim, a melhor palavra para definir essa época lá é “comemoração”, afinal a festa é das grandes.

De origem indígena, o Dia de Finados mexicano comemora as vidas dos ancestrais, que nessa época voltam do outro mundo para visitar os vivos. Os povos indígenas tinham cerca de um mês inteiro dedicado aos mortos: o nono do calendário asteca, equivalente ao nosso agosto. Quando os espanhóis chegaram naquelas terras, se assustaram com esses costumes e logo trataram de cristianizar a festa, que teve a data alterada para coincidir com o Dia de Finados católico.

O resultado desse sincretismo religioso é uma festa única, que mistura Virgem Maria, crucifixos e vários elementos da crença asteca.

As famílias preparam verdadeiros banquetes, as pessoas se enfeitam e as crianças se divertem.

Detalhe: se divertem nos cemitérios. De noite. E com os mortos.

Músicos tocando ao lado de uma sepultura em Oaxaca, sul do México (foto: Beers and Beans)
Músicos tocando ao lado de uma sepultura em Oaxaca, sul do México (foto: Beers and Beans)

As tumbas são decoradas e os vivos levam oferendas aos mortos. Um dos símbolos mais tradicionais da festa é a caveira doce, feita de açúcar. Essa guloseima é um presente para mortos e vivos, mas não é a única comida típica da época. Vale também levar a comida que o morto gostava, brinquedos para crianças e tequila para os adultos, tudo para animar a celebração.

A festa tem até cronograma organizando a chegada dos antepassados. Entre 31 de outubro e 1º de novembro, os mexicanos celebram as almas que morreram quando crianças, no Día de los Angelitos, ou anjinhos. Já o dia seguinte é dedicado a quem foi para o outro mundo durante a vida adulta.

Muitos dos antepassados preferem comparecer de forma espiritual mesmo, afinal de contas, eles já estão no outro plano e largaram completamente as coisas materiais. Mas há quem apareça em carne e osso.

Ou melhor, só ossos. É que algumas famílias têm o costume de abrir os túmulos, retirar os mortos de lá e limpar os restos mortais deles. E depois colocam os mortos nas tumbas para mais um ano de descanso, claro.

A festa dos mortos afeta vários aspectos da sociedade mexicana. Os jornais ficam cheios de charges e quadrinhos de esqueletos. E também são comuns as peças de teatro que contam a história de Don Juan Tenorio, drama escrito pelo espanhol José Zorrilla y Moral, mas que aparece de várias formas na cultura latina.

Don Juan é um sujeito que vive para seduzir mulheres e lutar com homens. Essa é uma parte da festa que talvez muitos brasileiros conheçam: uma das versões da história de Don Juan é contada pelo turma do Chapolin (e do Chaves), no episódio "A História de Don Juan Tenorio".

Uma frase clássica desse episódio é de Ramón Valdés, o Seu Madruga, que canta para os mortos, no cemitério: “não tava morto, só andava falecido”.

Frase, inclusive, que parece refletir bem o que significa a morte na cultura mexicana.

Obs: abaixo, algumas fotos da noite nos cemitérios da Cidade do México. Cores e luzes muito bonitas (todas as fotos do The Huffington Post).

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Os antepassados estão vivos em outro mundo, mas não distantes. É possível não só dar uma festa com toda a família reunida - vivos e mortos - mas até se divertir bastante com eles. Se um episódios te convence que no México até o Dia dos Mortos é uma festa legal, então eu não sei mais o que dizer.

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Dia de Los Muertos
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publicado em 26 de Novembro de 2013, 08:53
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Rafael Sette Câmara

Virou mochileiro ao mesmo tempo em que se tornou jornalista. Desde então, se acostumou a largar tudo para trás - inclusive empregos - e cair na estrada. Ele escreve sobre viagens no 360meridianos, mas pode ser encontrado também no Facebook e no Instagram.


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