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O que aprendi com o alcoolismo do meu pai | Caixa-preta #16

Emanoel Luiz conta sobre as lembranças que tem da fase de alcoolismo de seu pai - e o que aprendeu com a experiência

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Por diversas vezes já falamos sobre alcoolismo. Poucas vezes, no entanto, olhamos unicamente para as pessoas próximas, como os familiares que vivem sob o mesmo teto, dividindo as dores e o sofrimento da pessoa que está presa ao vício. 

O relato de hoje do Caixa-Preta é sobre isso. O Emanoel, nosso décimo quinto entrevistado, conta como foi crescer convivendo com um pai alcoólatra. 

"Eu olhava a sexta-feira à noite como um fim. Sempre. Eu não sabia se no sábado eu iria acordar de manhã e ele iria sair, ou se ele iria ficar e casa e simplesmente ia ser um dia normal, um final de semana normal entre família. Toda sexta feira era aquele frio na barriga, era aquela coisa, 'o que vai ser amanhã?', será que é amanhã a noite que vão bater na minha casa e falar 'teu pai morreu' ou é amanhã que eu vou simplesmente chegar na sala e ele vai tá dormindo ou assistindo televisão."

Conta do não entender. A dor da falta, do encontrar o desgosto no lugar da admiração. E ir crescendo, se descobrindo pessoa, no meio do incômodo, da falta de referência. Do mostrar somente o que não ser. 

"Não tenho raiva dele. Pra te falar a verdade, não tenho raiva porque ele me mostrou como não ser homem."

Não é uma jornada fácil. Pra ninguém. Seja para a pessoa com a sede de mais um gole, seja pros entes próximos na esperança de que isto não aconteça. E nesse caminhar nascem rusgas, criam-se barreiras que separam. 

Nem sempre as coisas terminam bem. Harmoniosas. E as relações, que sempre seguem, se tornam distantes, são evitadas, pesam.

"Eu tive um momento que eu pude falar pra ele tudo que eu sabia que um dia não iria falar. (...) Então eu falei 'se eu não falar hoje, e amanhã calhar de ele morrer, eu não vou falar nunca mais, então vou falar agora'.

(...)

A grande cena foi essa. Desse filme de terror inteiro que eu vivi a grande cena final é essa. Acabou ali, naquele momento. Hoje a relação é outra. Hoje nós somos outras pessoas. Ainda bem."

Mas não precisa ser assim. Algumas vezes os muros caem, os lados se abrem, se recriam. As histórias mudam. Com o Emanoel, felizmente, foi assim. 

Cada pessoa é um universo em crise, continuaria, parafraseando um dos maiores versos de nossa música. Cada um de nós tem nossa história particular com o álcool e também de pessoas próximas envolvidas, em maior ou menor grau, com as bebidas. 

Fujo então de outra abordagem sobre o alcoolismo. Como disse, já fizemos isto. E o quanto você vai se identificar com a história do Emanoel é algo muito particular seu. Mas o que sugiro, e não mais que isso, é: preste atenção no relato. É visceral, profundo e fruto de uma grande reflexão no próprio mundo interno, sobre seus sentimentos. 

Depois, seguimos a conversa nos comentários. 

Porque, muitas vezes, é o que mais de transformador podemos fazer: refletir e conversar. 

* * * 
Pra se aprofundar no que já escrevemos sobre o tema:

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Quer contar seu relato ou conhece alguém que poderia estar no Caixa-Preta? Então preenche o formulário e ajude a gente! A casa agradece! :-) 

 


publicado em 22 de Junho de 2017, 12:18
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Bruno Pinho

Estagiário do PapodeHomem e estudante de jornalismo.


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