O que estamos fazendo? [Junho/2012]

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Nas últimas sextas-feiras, focamos nas nossas preferências atuais de cultura consumível: coisas para assistir, ler e ouvir. Fontes de inspiração. Hoje faremos algo parecido, mas essencialmente diferente: partiremos para a ação. O que estamos fazendo?

Perguntei à nossa equipe o que estavam fazendo da vida, além das coisas rotineiras. Comer, beber, dormir, trabalhar, trepar. Essas coisas todo mundo faz. O que está nos movendo para além? Quais as paixões que inspiram nossas ações no mundo, e que ações são essas? O que nos dá tesão de voltar para casa depois do trabalho, ou de acordar cedo num fim de semana? Coisas assim – mas não necessariamente só isso.

É uma das questões mais abertas a se perguntar para alguém, por isso mesmo você pode esperar as mais diversas respostas sempre que falarmos sobre isso. Da mesma forma, nós esperamos nos surpreender com os seus comentários.

Rodolfo Viana

Nunca publiquei livro algum e costumo dizer que "gosto muito de literatura para enfeiá-la com minha escrita". Eu não daria um bom escritor, acho. Não tenho disciplina: qualquer convite para cerveja ou episódio novo da série The Office me tira da frente do computador. E convenhamos, talvez me falte talento. Mas isso não me impede de reconhecer autores de qualidade.
Recentemente, descobri um carvão que, com um pouco de esmero, se tornaria um belo diamante. Trata-se de uma menina que é apaixonada por Drummond e que me mostrou alguns de seus textos publicados em sites distintos – ela tem um blog escondido, sem nome, sem assinatura, por mera vergonha. São textos muito bons, do jeito que eu gosto: sem ego.
Não me acho o cânone da literatura, mas tenho alguns conhecimentos acumulados nos anos de experiência em editoras e publicações. Assim, nos últimos dias, tenho trabalhado com ela alguns exercícios de escrita criativa, ensinado alguma teoria, proposto desafios e dialogado muito para que, em algum tempo, ela se torne este diamante que eu vislumbro. Para que ela consiga ir da poesia à crônica sem pestanejar, do conto ao romance sem muito esforço. Para que ela seja uma escritora completa.
Mãos escritas

Então, o que estou fazendo? Estou acreditando no talento de alguém.

Guilherme Valadares


  • Comprei um violão, após séculos flertando com a vontade de me expressar musicalmente. Um grande amigo se dispôs a me dar aulas.

  • Passei o último feriado em um mini retiro de meditação.

  • Estou me desprendendo pouco a pouco de hábitos nocivos. O primeiro a morrer foi meu Facebook.

  • Estou faltando nas aulas de Muay Thai há dois meses. Caralho.

  • Voltei a escrever com tímida regularidade. Foda, fiquei ridiculamente enferrujado. Me sinto num processo de parto a cada vez.

Jader Pires

Tenho, hoje, o Santa Maloca Hostel pra cuidar. Dá um baita trabalho deixar tudo limpo e organizado. Sai hóspede, entra outro depois de uma hora, e, nesse meio tempo, tudo tem de estar em seu devido lugar.
Mas todo trabalho é assim e não é assim que quero manter meu discurso. Ter um hostel é das coisas mais fascinantes que eu poderia viver. Lidar com pessoas do mundo todo, aprender línguas, descobrir culturas. Graças à minha curiosidade jornalística, consigo tirar muita coisa das pessoas que se hospedam lá. Suas vidas, seus anseios. É demais ver uma pessoa se abrindo de forma que não se abriria em seu cotidiano. São muitas histórias interessantes; muitas tristes, e várias boas e engraçadas. Estou lidando com pessoas.
No final das contas, estou lidando com o contato humano em potencial. Nada nessa vida substitui isso.

Luciano Ribeiro


  • Estou com um grupo de meditação, toda quinta-feira à noite, na minha casa.

  • Sigo praticando canto e composição em todos os outros dias, o que inclui também uma apreciação mais criteriosa de aspectos de produção musica, construção de climas, texturas etc.

  • Andei ajudando uma amiga a concluir a monografia dela, com dicas de design, arquitetura da informação, desenhando, lendo e ajudando a revisar.

  • Tenho estudado um pouco sobre reaproveitamento de materiais alternativos em mobiliários e otimização de espaço, para poder decorar minha casa. Tipo, como fazer móveis com papelão, usar caixotes de feira para construir estantes, prateleiras etc.

  • Tenho saído bastante, frequentado algumas festas nos finais de semana, assistido shows de bandas locais, esse tipo de coisa.

  • Estou ensaiando com o Tranze, minha banda, duas vezes por semana.

Soundcloud | Sou eu cantando

Felipe Franco

Há um bom tempo tenho vontade de aprender a tocar gaita harmônica.
Ganhei uma de uma amiga no meu aniversário e sempre que tenho algum tempo livre procuro vídeos de caras fodas de gaita e blues em geral.
Além disso, estou mergulhando em muito material sobre arte urbana e quadrinhos, para um projeto pessoal.

Fabio Bracht

Tenho me focado em aprender fotografia.
Na verdade não estou tão focado assim, é apenas um hobby ao qual dedico menos tempo do que poderia, mas eu realmente queria começar com esse trocadilho.
Não é de hoje que me interesso pela coisa de desenvolver o olhar de fotógrafo, de enxergar uma coisa mundana e procurar um ângulo, uma condição de iluminação ou um enquadramento em que a imagem daquilo passe a se parecer com arte. Tive acesso recente a uma câmera um pouco melhorzinha (ainda não é uma DSLR, mas uma hora chego lá) e comecei a experimentar as possibilidades.
Fiz uma conta no site de fotografia 500px e já joguei as primeiras tentativas por lá. Nada sensacional por enquanto, claro, mas a gente tem que começar de algum lugar, né?
Longa exposição sussa

Rodrigo Cambiaghi

Se você parar pra pensar, Diablo III é um jogo bem ruim.
A interação é repetitiva, os gráficos não são lá aquelas coisas, não tem modo single player, o servidor fica lento para quem joga no Brasil, você recebe mensagens o tempo todo de chineses querendo te vender itens, gold e ajuda para subir de nível...
Isso sem contar o fato do jogo ir exigindo cada vez mais que o jogador tenha itens bons em vez de habilidade – ou seja, o melhor player é quem joga mais tempo e não o mais habilidoso.
Matei monstros por quatro horas seguidas para conseguir juntar dinheiro suficiente para trocar uma espada. Provavelmente terei que jogar mais algumas para trocar a armadura, e depois ainda vai faltar fazer upgrade no capacete, escudo, bota, anéis, luvas...
Um cara já morreu de tanto jogar, vários namoros já devem ter terminado, crianças devem estar indo mal no colégio, e eu tenho plena consciência de que ter um Bárbaro lvl60 não significa mais Reais na minha conta, resolução dos meus problemas e muito menos uma vida mais saudável.
Minha namorada ontem me mandou a seguinte imagem:
Contrato de permissão para jogar Diablo 3

Mesmo assim, adivinha o que eu vou fazer hoje a noite?
Morra, Blizzard.
P.S.: Jogar Diablo não é exatamente o mais virtuoso dos usos de tempo nesse mundo, por isso queria dizer que também tenho nutrido um fascínio cada vez maior por motociclismo, velocidade em duas rodas. Dia desses passei um fim de semana com uma sensacional BMW 800R. Caralho, que moto! Aguardem um texto relacionado a isso em breve por aqui. ;-)

Gustavo Gitti


  • Quinta passada fizemos um mini mini mini retiro de silêncio (6 horas sentados contra a parede da minha sala).

  • Temos experimentado vinhos Pinot Noir da Borgonha e de Bordeaux. O que mais gostei até agora foi um Château Belregard-Figeac Saint-Emilion Grand Cru 2006.

  • Sábado agora entro em retiro fechado numa Cabana de madeira no meio do mato dentro do CEBB Caminho do Meio (Viamão, RS). Fico 9 dias lá. Um cara leva a comida em todas as refeições. Ficarei sem entretenimento algum, sentado contra a parede, parando só pra dormir, comer e tomar banho. Custa apenas 30 reais por dia. Parte crucial do meu treinamento.

  • Sigo conduzindo rodas de quase-TaKeTiNa nos últimos dois meses antes do meu exame final, quando receberei a autorização para liderar rodas de TaKeTiNa em workshops mais longos de 2 ou 3 dias pelo Brasil.

  • Sigo conduzindo meditação e um grupo de estudos sobre co-emergência, transformação, liberdade da mente e natureza da realidade, toda quinta, em São Paulo.

Felipe Ramos


  • Comecei há alguns dias um projeto pessoal com o qual estou muito empolgado. Vou reunir em um blog chamado The Food is on the Table receitas próprias, vídeos com dicas de culinária, review de restaurantes e tudo mais o que achar interessante sobre o universo da gastronomia, pelo qual sou apaixonado.

  • Há três meses venho fazendo um curso chamado MISSA, que tem como foco explorar a cultura digital em suas mais variadas facetas. É oferecido pela Perestroika, em parceria com três agências que muito admiro: LiveAD, Cubocc e Colméia.

  • Estou procurando conhecer mais sobre vinhos da serra gaúcha. Na última semana me esbaldei em dois em particular. Primeiro, um Don Laurindo Malbec safra 2006 e depois um excelente Lidio Carraro Cabernet Sauvignon 2008.

Agora é com você. O que você está fazendo com a vida?


publicado em 15 de Junho de 2012, 17:33
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Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal.\r\n\r\n[Facebook | Twitter]


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