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O Ranking de uma Vida: Eu e o Amor | Listas descaralhantes #17

Continuando a saga de listas que jamais se acabam, segue aqui mais um pouco de mim, ainda em forma de ranking.

Tentarei escrever sobras as coisas, da maneira que me lembro delas, fugindo do auxílio de sites ou mesmo sem olhar novamente para elas, assim alerto a vocês que muitas vezes o que estarão vendo não será a coisa em si, mas o resultado do que ela produziu em mim.

Mas quem sabe, você fique curioso ou curiosa por causa disto e descubra que algo aqui também te pertencia, que vocês apenas não tinham sido apresentados.

Caso não funcione, espero ao menos entretê-los, como sempre.

E vamos as listas:

5 histórias em quadrinhos que dizem Amor

1. Namor – nas Profundezas

1 - namor

O fundo do oceano não é claro, as fábulas tem lições, mas nem sempre finais felizes. Minha aventura predileta é uma história de amor triste e impossível, entre o mar e seus marinheiros.

Pra se ler em domingos frios.

2. Dylan Dog – O Longo Adeus

2 - dylan dog

Quantas vezes se vive um amor adolescente?

A história que me deixou com mais saudade de uma vida que eu nunca tive. Como poderia ser, se eu nunca tivesse deixado minha terra?

3. Blues – Crumb

3 blues

Você não ama uma música, mas se apaixona pelo que ela te faz ser.

O pervertido mais querido da vizinhança nos mostra aqui que o som e a alma estão mais próximos do que imaginávamos. O barulho sai todo em nanquim, rabiscado e no fim de tudo você ainda consegue sentir os pés daquele velho safado, sacolejando ritmados enquanto ele desenha. Bastardo.

obs: senhores fãs, preparem-se para a inveja mortal, eis aqui, um exemplar assinado pela lenda, Robert Crumb, bem na estante em cima da minha cabeça.

4. The Fountain

4- the fountain

Quando a ciência falha e a religião não emite nenhum parecer, o que você faz?

É história fantástica de um cavaleiro que desbravou entre selvagens, que atravessou o mundo e foi até os confins do universo em busca da Fonte da Vida, em nome de sua Rainha.

Para mim, é para isso que os quadrinhos foram feitos, para dar força e lutar contra todas as injustiças quando mais nada pode ser feito, quando só os heróis podem combater o inimigo.

Há fábulas em que o inimigo é um câncer, há heróis que são apenas maridos e esposas. Pois estes todos, é assim que eu os vejo.

5. Conan – A Torre do Elefante

5 - conan

Não se enganem amigos, até o bom cimério pode nos ensinar algo sobre amor, neste caso, compaixão.

Me lembro, ainda moleque, eu vibrando a cada estágio avançado, esperando a hora que outra armadilha tentaria ceifar a vida deste Ronin às avessas quando, de repente, ele encontra algo muito maior que um tesouro, a chance de alterar o destino de alguém está em suas mãos.

Entendido o real tesouro, a vida segue sem lamúrias, este é Conan, um cara cabreiro que levava com simplicidade até um reinado nas costas.

5 Livros que ninguém se importa

Algumas pessoas me pediram esta lista e é com pesar que irei desapontá-los: vocês não encontrarão nenhum Hemingway transbordando virilidade ou um Thoreau chutando o consumismo.

Aqui estará, meus amigos, a escória da leitura.

Aventura infanto juvenil, auto-ajuda, poesia ("quem ainda lê isso?"). Tudo que você já leu ou pensou em ler, mas que nunca te ajudou a fazer moral com ninguém!

1. Harry Potter

6 - harry poter

Seja você também um herói, suporte os dois primeiros livros da saga e se depare com uma história incrível de pessoas em formação.

Esqueça o Harry e seu estilo gótico de dor “Oh vida, papai, mamãe, tudo culpa minha, Dumbledore tô dowwn”. Agora se apaixone pela primeira vez por uma personagem, assim como eu me apaixonei, só poderia ser uma ruiva mesmo. Ah, Gina!

E quero saber quem será o sem imaginação que não morrerá de frio antes de adentrar a Hogsmeade, ou o beberrão sem graça que não irá querer nunca tomar uma cerveja amanteigada.

2. A Arte da Felicidade

7 - a arte da felicidade

Este é da época em que eu achava que Dalai Lama e Buda eram a mesma pessoa. Um nato conhecedor da cultura oriental, com certeza. Li no começo da adolescência e lembro até hoje que pancada foi aquela.

Eu, com toda a minha urgência, conseguindo entender a impermanência das coisas foi algo que moldou muito de quem sou hoje. Na época não me saia uma coisa da cabeça: um cara meio gordinho, de óculos, careca e que só usava vestido, como poderia ser tão feliz?

Com certeza ele sabia de algo que eu não sabia.

Acredito que foi a leitura que mais me influenciou na vida, por favor, não contem pra ninguém, foi um livro de auto-ajuda cara!

Obs: se as pessoas parassem de rotular as coisas, quem sabe elas poderiam aprender mais sobre elas, gastar o tempo tentando entender me parece muito mais interessante do que gastar tentando nomear.

3. Manoel de Barros (TUDO!)

8 - manoel de barros

Poesia é um porre? Para mim era, até encontrar um velho doido varrido que, no mato, só escrevia molecagens.

Não leu? Leia, leia tudo. Devore o pensamento torto deste que, para mim, é o maior escritor que o Brasil já teve. Porque você não o conhece? Provavelmente porque ele está vivo e sabemos que a vida não aceita bem quem entre os seus está.

Ou talvez porque falar de felicidades e infâncias não seja algo que adultos apreciem.

Comece por um documentário, chama-se Só 10% é mentira, será um prazer, para mim, ler o seu agradecimento aqui embaixo nos comentários.

4. Matisse – escritos e reflexões sobre arte

9 - matisse

Admito que de todos, esse é o mais pessoal. Aos que, como eu, querem ser pretensiosos artistas um dia (afinal, criar vida não seria pretensão?), este, é O livro.

O próprio Matisse mostra aqui que não é só o que você cria que importa, mas onde e como você faz isso. Tensão e Composição nunca tinham feito tanto sentido até eu ler esta obra. Muito obrigado seu velho gordo. Como você sabia das coisas, hein!

5. Viagem a Ixtlan

10 - viagem a ixtlan

Aos que apreciam brisas, bem vindos.

Castaneda cria aqui o melhor livro que eu não li.

Explico.

Nem só de conclusões vive um homem. Comecei a ler esse livro e, ao entrar em sua atmosfera, passei a adotar algumas coisas em minha vida, respeitar o ar, o mar, não ficar em um lugar se o lugar não me aceitar e assim vai.

Uma Brisa sem fim? Com certeza. Mas depois dela minha vida ficou mais divertida e misteriosa (quem não quer uma vida misteriosa?). Eu não tinha chegado nem na página 100 quando parei de ler o livro.

Ele já tinha me dito o que eu queria saber, não poderia arriscar que ele mudasse de ideia no final.

5 "Minha vida de Amores"

Separei 5 momentos bestas que me fizeram entender mais sobre o amor.

1. “Isso não vai te levar a lugar algum”

11---isso-não-vai-te-levar.

Ouvi isso de uma professora quando estava na quarta série. Eu estava desenhando enquanto ela ditava algo sobre crases. Me lembro até hoje. Foi como um desafio lançado a mim, foi ali que acreditei que uma paixão, qualquer que fosse, só poderia existir se tivesse uma grande antagonista.

Eu jamais teria desenhado com tanto afinco se não tivesse sido provocado. Com certeza não. Sem oposição não existe reação, assim eram as paixões para mim.

Hoje eu vivo dos meus desenhos. Agora... me pergunta se eu consigo encaixar o raio de uma crase em qualquer frase?

2. Viagem para Paraty

12 - paraty

O Senhor todo Poderoso dos quadrinhos, Robert Crumb, estava no Brasil. Não faço o tipo “fã”, mas devo admitir que piro no trabalho do cara.

Ele iria ser sabatinado em um sábado, na FLIP. Eu estava sem grana nenhuma, mesmo assim fui comprar o bilhete que já tinha esgotado 2  horas depois da abertura das vendas. Mas o que não é um amor de fã, não é mesmo?

Alistei dois intrépidos amigos, o castelhano Juan e o rabugento Ferraz, e resolvemos que poderíamos ir de carro de São Paulo para Paraty e lá daríamos um jeito com os convites. Foi numa madrugada chuvosa que descemos a serra no saudoso Celta manco do Juan.

Ao chegarmos milagrosamente inteiros, lá fomos nós em busca de convites esgotados. Desenfreados, conseguimos 3 deles de maneira incrível (e grátis). Era chegada a hora de dormir depois de muito caminhar, a espera do grande dia.

Nada de grana para o hotel, foi quando o Celta serviu não só de veículo, mas também de abrigo para três bravos aventureiros que com certeza amanheceriam com dor em todos os pedaços do corpo.

O dia seguinte foi de expectativa e bebedeira à beira mar para comemorar. Chegou a noite e mal seguíamos a linha reta da sarjeta até o auditório, eu não entendi praticamente nada do que ele falava, o inglês se misturava com minha manguaça, mas eu sabia que aquele momento era especial por algum motivo. A palestra acabou e saímos como um tiro em busca de um autógrafo e uma foto.

O Crumb dá autógrafos, o Crumb não tira fotos.

Foi então que, após um plano mirabolante bem sucedido, saímos com a única foto onde o senhor Crumb estava junto de um fã, Eu!

14 - paraty

"E para que serve o amor de fã", você pode estar se perguntando.

Para mim serviu e muito. Eu ganhei uma história, eu tenho amigos que a viveram junto comigo. Daqui 30 anos o senhor Crumb será só pó, mas minhas risadas e lembranças estarão mais vivas do que nunca.

Cara, que fim de semana.

E isso porque eu nem contei da gente tendo que entrar num Motel em 3 caras só pra poder tomar banho, se matando de tanto dar explicação no interfone da cabaninha:

“Então, ahn... amigo, nós três, a gente queria uma hora. Mas oh, é... pra tomar banho, tá ligado? Só banho, tá ligado?”

“O que acharem melhor.”

“Mano, é só banho.”

3. A Carta

15 - a carta

Era sétima série. O Lucas, meu melhor amigo.

Eu gostava da Marília. O Lucas gostava da Marília.

A Marília, ah.. a Marília, ela gostava meio que de nós dois! Cara, eu tenho certeza que sim!

Naquela situação, parecia que o rapaz mais corajoso que chegasse a frente roubaria seu coração. O que poderíamos fazer então? Chegar na surdina sem que aquilo magoasse o amigo ou escancarar a paixão e tentar ganhar a disputa como um pavão, nos chacoalhando para chamar o máximo de atenção que podíamos da doce menina?

Amigo, é hora de se surpreender, esta não é uma história de amor entre um garoto e uma garota! Esta é a história do amor à camaradagem e tudo que ela representa.

Resolvemos escrever em conjunto uma carta de amor e enviar pra ela. Sim senhor, ela teria que se decidir da maneira mais justa possível, os dois apresentariam os mesmos argumentos, nada de tirar vantagem ou aproveitar-se de algum subterfúgio escuso, seria uma escolha totalmente baseada no que ela sentia, não no que iríamos oferecer.

Chegou o dia seguinte e lá fomos nós, carta entregue, com certeza até o final da aula ela iria dizer algo.

Sino tocando, lá vem a Marília:

“Bruno, adorei a carta de vocês, Lucas, vem cá, queria falar com você.”

Aquela menina estraçalhou meu coração. No dia seguinte, eles estavam namorando e assim foi durante mais de um ano ( e todo mundo sabe quanto dura um ano quando se está na sétima série). Até que eles terminaram.

Mas, passado tanto tempo, a Marília já não era mais meu grande amor, acho que também não era mais o do Lucas, com certeza também não éramos o dela.

Agora você se pergunta, e ela, onde está?

Fiquei sabendo que a Marília casou, infelizmente nunca mais ouvimos falar dela. O Lucas? O Lucas divide o apartamento aqui comigo em São Paulo e continua um folgado que sempre esquece de deixar o prato em cima da pia.

4. A batida no pé da Ana Tereza.

17 - batida no pé da Ana Tereza

Meu primeiro amor. Quarta série talvez?

A menina mais inteligente e alta da classe, daqueles amores que você tem e nem sabe por onde começou, era platônico, até o dia que resolvi contar para o meu pai:

“Ô pai, eu gosto da Ana. Que que eu faço?”

“Fala pra ela filho, eu perdi uma garota uma vez porque não falei nada”

“Como assim?”

“É muito difícil alguém gostar de alguma coisa que não conhece. Ela não conhecia meus sentimentos, então nunca poderia gostar de mim.”

“Vixe pai, preciso avisar a Ana então!”

Não lembro bem como foi direito depois, só lembro que deu meio certo.

Um tempo depois que ela descobriu que eu gostava dela, começou a me dar balas. Um dia, sentada atrás de mim, ela até bateu no meu pé umas três vezes. Lembro até hoje que suei frio com isso, um pé encostar no outro, mais de uma vez, cara, você não tinha ideia do que era isso.

Por alguma razão que a memória me esconde, acabamos não ficando juntos, mas eu nunca esqueci o conselho do meu pai: é muito difícil gostar de algo que não conhecemos. Desde então, tento conhecer o mundo inteiro.

5. Camila Coração de Pedra

18 - esta é Camila, coração de pedra e meu amor

A Camila foi uma menina que fiquei quando tinha 15 anos. Ela era da capital e ia pra Marília (minha cidade) nas férias. A Camila era minha paixão e eu era o verão da Camila.

Situação injusta, mas tão divertida!

Ela simpatizava com loiros narigudos e caipiras. Eu adorava aquele jeito dela de menina “sabe-tudo-tô-nem-ai” da capital. A gente se beijava como fazem os adolescentes, num campeonato de quem engole quem primeiro. Era demais!

O verão acabou, alguns emails trocados e cada um foi pro seu canto. Eu nunca esqueci a Camila.

Há 5 anos me mudei para São Paulo e foi pra ela a minha primeira ligação. Penei como quando era adolescente, ela continuava com a mesma pose, só que dessa vez eu não queria ser só mais um verão caipira.

Depois de muita luta, consegui.

Hoje temos 28 anos e estamos juntos desde quando cheguei aqui. Além de namorados, nos tornamos também sócios, abrimos uma marca de camisas, a Conto. Tem sido difícil, mas também muito bom. De segunda à sexta gato e rato e muitos arranhões e mordidas, mas nos finais de semana, sempre é verão.

Que saber por que “Camila Coração de pedra”?

Cinco anos juntos, com direito até a um término relâmpago. Sabe quantas vezes eu a vi chorar?

Apenas uma! Uma vez! Ô mulher bruta!

O motivo: um sujeirada na louça da cozinha que eu fiz durante uma janta.

Foi então que notei, nós não tivemos um amor impossível, não sofremos com os devaneios do destino, nem travamos batalhas épicas com a vida para estarmos juntos.

Escrevendo aqui posso soar um cara bem romântico e bacana, mas o que eu mais ouço é que sou um tanto grosso demais, na maioria das vezes sei que ela tem razão. Ela, por sua vez, é a pessoa mais difícil de se roubar um “eu te amo” que eu já vi, “tô com saudades”.

Eu conto posso contar nas mãos as vezes que ouvi. Então onde está o amor, cara?

Em todas as vezes que ela não tinha motivo nenhum para me ligar, mas o fazia só porque dormia melhor ouvindo eu falar “boa noite”.

O amor está em todas as vezes que a gente briga e, 10 minutos depois, eu ligo pra ela dizendo que sou estúpido e que ela tem mesmo razão, mesmo que não tenha (embora sempre tenha!). Acho que o amor de verdade não aparece em grandes desafios, ele vem sorrateiro em momentos que a gente nem imaginava que fosse amor.

Ele vem assim, pra dizer que não se namoram os livros ou os filmes ou mesmo os sonhos. O que namoramos e amamos são pessoas e nossos dias juntos, feitos de carne e osso. Para me fazer de bom moço e tentar um elogio, posso dizer o seguinte: minha garota ri de tudo que eu falo, tem nariz de raposa e a cada dia que passa fica mais linda e gostosa.

Algumas pessoas passam a vida inteira procurando um grande amor, outras passam a vida vivendo um.


publicado em 29 de Maio de 2013, 07:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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