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Os caracóis dos Andes, Rio Canoas e as gaiolas flutuantes de Machu Picchu | Na estrada #1

Na Estrada é a nova série do PapodeHomem, iniciada pelo Guilherme com um concurso que deu uma belíssima mochila da Nordweg para o autor do melhor relato - de preferência vivido com o pai.

Além do relato vencedor, recebemos inúmeros outros, com imagens sensacionais e histórias interessantíssimas que não podíamos deixar de lado. O conceito proposto foi:

Falta aventura na casa. Temos papo demais, ação de menos.
Portanto, decidimos abrir novo espaço, a ser conhecido pela alcunha “Na estrada“. Queremos publicar relatos viscerais dos mais árduos percalços. No meio da mata, em locais inóspitos, locais próximos, montanhas, oceanos, lagos, no asfalto, na terra, no ar. Expedições planejadas ou obstáculos imprevistos. Todos valem.

Reunimos aqui trechos das melhores aventuras.

 A vista dos caracóis dos Andes | por Renato Dallora

Caracoles dos Andes, a Hilux guerreira, Pumamarca e lagunas altiplanticas com meu pai | Fotos: Vinícius Orsini

Desde criança sempre foi assim: meus pais, minha irmã e eu entrávamos no carro e decidíamos o rumo da viagem durante a estrada. A única pergunta que minha mãe fazia para meu pai era: “Roupa de frio ou de calor, amor?”. Na maioria dos casos, frio. Nesse primeiro de Julho de 2010, minha irmã não pôde viajar conosco, sobrando a aventura na mão de nós três.

A subida em direção aos Andes é extraordinária. Pegamos a estrada e subimos mais ao Norte e na primeira bifurcação à esquerda. As estradas seguem sempre o fundo de vales e, por consequência, rios perenes que ficam cheios na época do degelo. Esse caminho é conhecido por suas montanhas coloridas devido as diferentes camadas de solos.

Esse dia de viagem foi curto já que logo depois paramos no vilarejo de Pumamarca para passar o dia. Pumamarca, que na língua local significa "cidade do deserto", é um povoado dominado pela cultura inca, toda feita de pau a pique com produção local. Pode-se considera-la turística pela presença de uma feira de artesanatos e o Cerro de Los Siete Colores.

Seguimos em frente. A partir desse vilarejo, a estrada começa a subir os Andes. Indescritível. Os "caracoles" são curvas cotovelos, ou seja, quase 180 graus. Chega uma hora que você olha pela janela e percebe que ficou acima das nuvens. Fico arrepiado lembrando desse trajeto. Principalmente por que este é o local onde o motor do carro começa a chorar devido ao ar ficar mais rarefeito.

Cachoeiras no Rio Canoas, cobras e uma cabana no meio do nada | por Matheus Zili

Ponto inicial: Urubici–SC. Um dos lugares mais radicais que se possa conhecer no Brasil, e diria que até do mundo. Uma espécie de recanto das boas energias e onde as pessoas podem encontrar muita paz com doses extras de esportes radicais.

A missão: encontrar a primeira cachoeira do Rio Canoas, um importante rio da Bacia Hidrográfica Sul que vai desaguar no Rio Uruguai.

Os perigos: o trajeto exige caminhar longas distâncias durante o dia, algo em torno 8 a 10h batendo pé com mochilas de 10 a 20kg penduradas nas paletas. Cobras e outros animais peçonhentos são companhia constante, tanto pelo verão quanto pela umidade do lugar. Lá a bicharada tira o dia para tomar banho de sol.

Como os antigos | Foto: Matheus Zili

Éramos eu, Juca Pirão (meu pai), Chiquinho (meu primo), Evandro Badin (amigo da família) e Pedrão (afilhado do Evandro).

Caminhamos por subidas e descidas, pontos onde entramos na mata alta e que tinhamos que tomar muito cuidado para não nos perder, até que seguimos por um caminho feito por búfalos que viviam perdidos e abandonados naquelas regiões. Ao longe, avistamos uma casinha, modesta, de madeira, a qual parecia estar se torcendo devido aos fortes ventos e as grandes intempéries daquele ecossistema hostil. Nos aproximamos.

Sabe filme de terror? Bem dos clássicos mesmo? Faríamos muito dinheiro com um filme do momento da nossa entrada na casa. Sim, nós invadimos a tal casinha. Uma penumbra dos últimos raios se sol passando pelas frestas de madeira misturados com a poeira do chão batido davam o toque final na beleza da simplicidade daquele local. Alguns vidros velhos de arroz e feijão e um pedaço de charque extremamente seco se enconstavam na beira do fogão, como se estivessem nos esperando para o jantar. Usamos as camas e as cobertas que ficavam no andar de cima para descansar o corpo naquela noite, pois a mente e a alma estavam completamente em paz naquele local.

Machu Picchu e as gaiolas flutuantes | por Max

Estávamos em Cuzco com pouquíssimo tempo e dinheiro pra chegar a Machu Picchu. Partimos na madrugada pra Santa Tereza de carona numa perua Towner super lotada e o motorista dirigia bruscamente - a estrada era num desfiladeiro em que só passava um carro mas era mão dupla. Ele seguia acelerado e só parava para dar carona para alguns peruanos. Em algum momento já eram tantos que foi necessário dois irem sentados no teto. Demorei até descobrir que isso é completamente normal no Peru.

O cara deixou a gente no meio do mato e eu embarquei numa trilha com um casal de mochileiros espanhóis. Depois de meia hora chegamos em umas piscinas naturais de água quente e tiramos a roupa para relaxar. Ainda faltariam cinco horas e meia de caminhada até chegar a Águas Calientes, a cidade que fica na base de Machu Pichu. Caminharíamos todo o percurso para não ter de pagar o trem – que era cobrado em dólares.

Caiu, acabou | Foto: Max

Quando o dia começou a esquentar, partimos para a estrada e fomos seguindo o rio até chegarmos numa gaiola que os peruanos usavam para cruzar o rio. Algo totalmente alucinante, pois aquilo não era nada mais do que umas barras de ferro soldadas e um monte de cordas gastas pra cruzar um rio poderoso, cheio de pedras e corredeiras.

Logo depois, entrei na gaiola e vi aquela correnteza maluca passando debaixo de mim e eu sozinho, puxando aquelas cordas podres, cortando e mão e sentindo a adrenalina de quase desabar no rio dentro daquilo. Por dentro, aquele sentimento de "see you, man"!

Mandem seus relatos para as próximas edições do Na Estrada

Queremos mais histórias viscerais, queremos ver vocês saindo da cadeira e rodando por aí. Queremos saber das trilhas, escaladas, caminhadas, comidas exóticas, animais selvagens e tudo mais que vocês ousarem desbravar em suas expedições. Queremos inspirar vocês.

Instruções para envio:


  • o e-mail é naestrada@papodehomem.com.br

  • faça um contexto rápido, contando quem estava lá, onde e quando foi a aventura

  • escrevam textos curtos, concisos, contando o melhor, como se estivessem narrando os feitos para um amigo

  • não esqueçam de ler as orientações para novos autores

  • inclua as fotos mais descaralhantes da aventura; se tiver vídeo, mande também

Vamos sentir a qualidade e quantidade dos relatos para decidir a frequência da série. Relatos fracos serão negados, já avisamos pra ninguém ficar tristonho. Além do que, mais importante do que ter a história publicada na web é ter vivido tudo na pele.

Até breve!

ps: Se você enviou um relato para a promocão e ele não saiu aqui, pedimos que reenvie para naestrada@papodehomem.com.br para avaliarmos novamente. Recebemos uma porrada de emails e aprontamos certa confusão com eles, alguns podem ter desaparecido na floresta.


publicado em 15 de Agosto de 2012, 12:03
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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