Tradição é uma coisa boa?

O Bruno Passos explica as tranquilidades e buracos da tradição na hora de pensar em vestir uma roupa

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No texto anterior, eu tinha dito que hoje falaríamos sobre como transformar características físicas em posicionamento social. Porém, antes de irmos para o finalmente, é necessário contextualizar o ambiente que estamos inseridos e um dos fatores principais do nosso meio é, exatamente, a tradição.

Afinal, tradição é algo bom ou ruim?

Chalky White, o cara mais bem vestido em Atlantic City na década de 20. É assim que devemos nos vestir?

Eis a dúvida que não quer calar. Cada vez mais temos sido senhores de nossa própria imagem e, como diria Peter, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

Sim, pois nem tudo são rosas no campo da liberdade. Não à toa, o PF persiste existindo, mesmo num mundo cheio de self services.

A rigidez das tradições no vestuário nos acompanha desde os primórdios e, se ela é um problema por limitar nossas opções, é também uma solução, por facilitar nossa inserção em ambientes que não dominamos.

Pessoalmente, desgosto de tradições, elas nos limitam, nos enquadram em modelos pré estabelecidos de comportamento e de imagem e são, em última instância, um convite a inércia.

Então por que raios as pessoas gostam tanto de tradição?

Calma. Só a pergunta correta nos trará a resposta que precisamos, Padawan: 

Qual é a busca principal de todo ser vivo? 

 O amor, diria Lennon.

— 
O poder, Diria Anakin.

— 
O conhecimento, diria o ET Bilu.

É, meu amigo, bem que poderia ser poético assim. Mas, basicamente, a busca primária de todo ser vivo é bem mais simples, ele apenas deseja muito... ser vivo.

Ok, perdoem o irmão pelo trocadilho desgraçado e foquemos na resposta. Seguindo esta lógica, um dos fatores mais almejados pelo ser humano será, talvez até com mais intensidade do que a própria felicidade, a segurança.

E é aí que a tradição ganha terreno, por se tratar, em essência,  de continuidade, seja ela de visão, cultura, convenção ou representação. Tal continuidade age como um mecanismo de proteção e nos permite saber como lidar com um meio, antes mesmo de adentrá-lo. Ao reproduzirmos os padrões do ambiente, nós nos comunicamos com mais qualidade e somos vistos de uma maneira positiva.

O mesmo cara, o mesmo estilo, se utilizando da tradição, só que em um contexto bem mais atual

Impossível negar o caráter facilitador que as tradições exercem quando o assunto é se enturmar. Este tipo de comportamento perdura desde os primórdios da vida em sociedade e é uma das maiores armas no combate a insegurança.  

Entretanto, minha visão é de que a continuidade só é benéfica em momentos introdutórios (resista a piadinha mental), em que respeitar os códigos de vestimenta, fala e gestual  trarão uma conexão mais rápida e forte com o próximo, pois tal mimetismo permitirá que o outro enxergue em você, um pouco dele mesmo, fazendo com que aumente a empatia entre os dois.

Depois que o indivíduo estiver inserido, as convenções se tornam nocivas e agem, na maioria das vezes, como inibidores de novos comportamentos, o que diminui a margem para qualquer tipo de evolução.

Ainda que acima estejamos atribuindo qualidades negativas e positivas, é importante não julgarmos a tradição por um viés de valor. Dizer que ela é uma coisa ruim ou uma coisa boa só serviria para anuviar nossa reflexão e nos afastar de uma resposta satisfatória.

Se a tradição só pode ser julgada boa ou ruim perante a interação entre dois agentes por determinado período de tempo, então ela não é uma qualidade, mas sim uma ferramenta, tal qual uma faca, que fere ou protege.  

Por fim, se imagem é contexto e não existe razão absoluta de beleza ou feiúra, ao sabermos mais sobre tradição, passamos a entender melhor uma parte crucial do nosso ambiente, o que nos possibilitará um maior controle acerca de nossa imagem.

Agora que você já está ninja nas tradiças, o próximo artigo será o tão aguardado:  como transformar características físicas em posicionamento social.

Como sempre, espero que tenha sido útil ou, ao menos, divertido!

Obs.: reflexão dica do He man: 

Mecenas: Dafiti

Criar empatia e se comunicar em diversos meios sociais não é tarefa fácil e exige um guarda-roupas versátil. Para isso, a Dafiti pode te dar uma mãozinha: são mais de 100.000 produtos a venda na loja deles, para o seu visual dialogar em qualquer meio, do mais quadrado ao mais descolado.  

A cada quinze dias, pelos próximos seis meses, Dafiti vai ser mecenas de conversas sobre estilo e moda sem frescuras. Com artigos práticos e conceituais vamos explorar a fundo esse território.


publicado em 28 de Abril de 2015, 00:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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