Velha infância

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Estas são apenas algumas lembranças de milhares de outras vividas por mim durante a minha infância. Lembranças marcadas por coisas boas e coisas ruins que me fizeram ser o que sou hoje. 

"Amanhece. Eu acordo no quarto da casa dos meus avós. Meus pais trabalhavam. Era muito novo. Perto do meio-dia, abre a porta. Ainda lembro do meu velho pai entrando e eu correndo para lhe dar um abraço."

"Na minha antiga casa, apresentava-se Balão Mágico no Xou da Xuxa. Enquanto a música 'Amigo Velho' tocava, a saudade do meu pai aumentava e aumentava. Até eu pedir pra minha mãe ligar pra ele pra eu dizer que estava com saudades."

"Fã de seriados como Jaspion, Changeman e Jiraya, eu gostava de imitar as cenas. Mas precisava de alguém para receber meus golpes. O oponente escolhido? Minha irmã. Fui praticar uma voadora de cima do sofá da sala e, se não fosse a minha mãe me pegar no ar..."

"Lembro das tardes na casa da minha outra vó. Aquele canteiro enorme, propício para pegar um balde de lavar roupa e catar umas formigas para fazer um parque de diversão para elas."

"Os velhos bonecos do He-Man! Coitados das cirurgias que lhes eram feitas, a base de faca aquecida no fogão. Era uma deformação sem igual."

"Bolinha de gude na rua? Rapava a gurizada da quadra diariamente."

"Todo dia, por volta das 20 horas, minha mãe preparava um copo de leite morno com Nescau, dava pra minha irmã e pra mim. E cama! Não sabia o que era programação após esta hora."

"E os botões panelinha? Tinha campeonato diário entre Brasil de Pelotas x Farroupilha, time do meu pai. Sempre ganhava dele (e demorou pra eu saber que ele deixava eu vencer)."

“E o velho e bom Atari? River Raid, Frostbite, Keystone Kasper, Pac-Man, Enduro...  As jogatinas na TV de tubo eram mágicas!”

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"Na praia do Cassino, onde passávamos o verão todo ano, campeonatos de taco entre os moradores das ruas vizinhas eram jogos de campo cheio, com muita torcida."

"As velhas festas de garagem (ou na sala mesmo), com direito a dança da vassoura. Era a chance de chegarmos nas gurias e elas na gente (mas sempre vinha alguém com a maldita vassoura pra te tirar a vez)."

"No colégio, futebol de 7 e handebol todos os dias. As aulas que esperassem! O importante era praticar esportes.”

“Minha professora me chamou e fez um convite: queria que eu escolhesse e treinasse o time feminino de handebol do colégio para os campeonatos estaduais. Fui chamado porque eu representava a escola nos torneios de handebol."

“Estava quase sendo expulso do colégio por não me comportar na sala de aula. Lembro da cara de furiosa da minha mãe dizendo:  'Roberto, se a diretora reclamar mais uma vez...' Fui pra aula com aquilo na cabeça, tentei ao máximo me comportar. Adivinhem o resultado."

“E as tarde eram de muita leitura. É, minha infância também era de educação! Muitos gibis da Turma da Mônica espalhados pela cama da minha mãe, e eu, minha irmã e meu irmão, sem piscar os olhos.”

Quem poderia imaginar que a Mônica viria a ser "namolada" do Cebolinha?

“Meu primeiro PC? Um XT velho de guerra, a base de muito DOS e um jogaço: CAT (aquele gato que ficava de manemolência).”

“E as coisas escondidas? Ficar de castigo, esperar os pais saírem pra descer e jogar futebol na grade do apartamento também valia. Os amigos eram tão fiéis que se revezavam nas esquinas pra ver a hora que o carro dos pais aparecessem. Aí tinha que voltar correndo, senão o bicho pegava.”

“Brincar de médico dentro do carro da mãe da vizinha, minha paciente, também era válido...”

“Trinta dias deitado, sem levantar. Status: pneumonia dupla. Naquele época era perigoso demais. Era o meu fim, achava que morreria de tédio. Que nada! Minha família fez tanto para que eu não ficasse pra baixo que os trinta dias passaram rapidinho.”

“Sessão da Tarde não poderia faltar: O rapto do menino dourado, Kickboxer, Titãs, Massacre no bairro japonês, entre outros. Diversão garantida. E depois disso, nada melhor que assistir Mundo da Lua.”

Link YouTube | "Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando!"

“Ver minha mãe sorrir era divino. Nada melhor que sair para comer pizza, pegar minha mesada, comprar uma rosa escondida de um vendedor na rua e dar para ela.”

“Jogos do Xavante (Brasil de Pelotas). Meu pai me levava para assistir o campeonato gaúcho. Era uma emoção sem igual ver os times da capital porto-alegrense irem lá jogar.”

“A primeira volta na bicicleta sem rodinha e sem alguém segurando a gente nunca esquece. Primeiro sentimento de liberdade pós-retirada das fraldas.”

“Abrir bombinha pra ver o que tinha dentro e acender um fósforo pra ver o resultado também era divertido.”

“Jogar vôlei no corredor, dardo... Pogobol e Comandos em Ação estão na lista dos brinquedos também.”

“Fazer pulseirinha e vender na porta de casa também era uma diversão e rolava sempre uma graninha extra.”

“Tomar café colonial com a família no domingo à tarde, num lugar chamado Cascata, lindo por suas cachoeiras, riachos e árvores.”

“Espiar a vizinha trocando de roupa da janela do banheiro era emocionante.”

“Descobrir que o teu pau servia para outra coisa a não ser mijar. Servia pra bater punheta. Ver filmes pornô finalmente servia para alguma coisa.”

A trajetória inicial da minha vida, a minha essência, o meu legado... Isso tudo está compreendido nas minhas lembranças. Estas aqui narradas vão do meu nascimento até uns 11, 12 anos de idade, que por coincidência é a mesma idade que hoje tem o meu filhão, Gabriel. Ele deve estar com várias recordações que eu não faço a menor idéia.

E vocês? O que ficou marcado na infância de cada um?


publicado em 01 de Novembro de 2011, 05:08
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Roberto Del Grande

Menino selvagem, com raízes fortes e ideais inabaláveis. É o cara que tem os contatos que ninguém mais tem e que nem você mesmo sabe que precisa. Pra se contar faça chuva ou faça sol.


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