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Rachas e arrancadas: legalmente furiosos?

Cinco anos atrás, quando começamos com o projeto PapodeHomem, minha primeira contribuição foi trazer o relato de um amigo entusiasta de velocidade e de corridas de rua ilegais. Contava não só a história daquele criminoso, mas falava de todo um submundo ao redor dos rachas de rua. Em meados de 2006, era mais comum ouvirmos o sopro de turbinas em ruas desertas nas madrugadas.

Os rachas se tornavam problemas de ordem pública. O excesso de velocidade e a irresponsabilidade matavam mesmo. E nem sempre as vítimas eram os pilotos ilegais, mas muitas vezes famílias inocentes que com os pilotos dividiam as ruas. A sociedade cobrou providências e a repressão aumentou. O Código de Trânsito Brasileiro aboliu a maioria das modificações em automóveis sem aprovação de órgão competente e o excesso de velocidade hoje pode ser punido com suspensão imediata do direito de dirigir. Racha dá cadeia.

A polícia e os órgãos municipais de fiscalização de trânsito foram às ruas. Em pouco tempo os pilotos ilegais perceberam que se continuassem a desafiar as autoridades acabariam se dando muito mal.

Link YouTube | Corre que a polícia vem aí, versão tupiniquim

Eu trazia naquele texto também a história de iniciativas como o Campeonato Metropolitana de Arrancada em Porto Alegre. Era um evento que organizava rachas em locais seguros e com infraestrutura necessária para que pilotos pudessem aprimorar suas habilidades e o público pudesse se divertir sem colocar a vida de ninguém em risco. Hoje, esses eventos se multiplicaram pelo Brasi afora e já se pode dizer que de norte a sul existem lugares para acelerar seu automóvel até o limite, dentro da lei.

Mesmo na franquia de mais sucesso nos cinemas a tratar do assunto, Velozes e Furiosos e continuações, há personagens que buscam abandonar a vida criminosa de racha para ingressar no competitivo mundo das arrancadas. No primeiro filme de 2001, Hector menciona que não iria mais colocar seu carro para correr na rua pois estava contanto os dias para estrear na NHRA. A NHRA dos Estados Unidos é a maior e mais organizada associação de arrancada do mundo. Os eventos gigantescos conseguiram profissionalizar os rachas de tal forma que um mercado bilionário de peças de alta performance surgiu ao redor do esporte.

E o Brasil segue o mesmo caminho. O Festival Brasileiro de Arrancada marcou o início de uma era. Com uma organização e promoção primorosa, um dos maiores eventos do gênero no mundo reúne anualmente em Curitiba os melhores carros de arrancada do país.

Na época da ilegalidade, as rixas entre jovens eram acertadas nas avenidas movimentas das metrópoles brasileiras. Com a evolução da Internet, todo preparador e dono de um bólido modificado gosta de compartilhar online o resultado de seu trabalho. As rixas, provocações e desafios deixaram a esfera local e assumiram um alcance continental. É comum um piloto nordestino desafiar um piloto gaúcho e, ao invés de ficarmos relegados à discussões infrutíferas de Internet, é lá em Curitiba que o tira-teima realmente acontece.

Opalas em Curitiba

O preconceito com as corridas em linha reta desapareceu.

O torcedor envolvido sabe que não é nada fácil diminuir tempo naqueles poucos segundos durante os 402 metros. Controlar a arrancada de automóveis extensamente preparados significa dosar aceleração, manter tração, não permitir que a rotação fuja para faixas de giro pouco eficiente, lutar contra o volante para manter as cadeiras elétricas em linha reta e desenvolver uma concentração acima do normal para eliminar por completo os erros.

Link YouTube | Fusquinha de arrancada, moleza segurar...

Hoje em dia, encarnar um Toretto tupiniquim é mais fácil do que parece. Procure um evento de arrancada em sua cidade e inscreva seu carro de rua na categoria "Desafio". Essa é a categoria em que muito poucas ou nenhuma modificação são realizadas nos automóveis. É o início da coisa, para se pegar gosto pelo esporte. Logo em seguida você começará a procurar onde ajustar seu automóvel na briga pela redução de milésimos de segundos.

Redução de duas libras nos pneus, remoção do estepe, depois dos bancos... assim vai. Você sempre vai querer usar alguma artimanha para chegar na frente. Não tardará para abrir a carteira e começar a adquirir peças de performance. Começa com um filtro aqui, uma turbininha ali e depois não para mais.

À medida em que os resultados aparecem, você constrói seu nome como piloto. E o prestígio é justamente a porta de entrada para o mundo dos patrocínios. Os primeiros patrocinadores vêm de sua própria oficina. Seu preparador lhe isenta de mão de obra caso você estampe na lataria vencedora a marca do artista responsável pelo que está de baixo do capô. Depois pode vir o supermercado onde sua esposa faz as compras, a loja de móveis do seu sogro, não importa. Arrancada hoje em dia possui visibilidade e inúmeras empresas estão dispostas a exibir suas marcas.

Outdoor eficaz

E, afinal, quanto se gasta para montar um carro realmente rápido? A resposta obviamente depende do tempo em que se pretende cruzar a linha dos 402 metros. No próximo texto desse canal apresentarei diferentes opções de preparações leves, médias, pesadas para conversaremos sobre os custos envolvidos.

Caso você, leitor PdH, esteja interessado em embarcar nessa, basta deixar nos comentários que carro possui, que nível de preparação busca e em que cidade mora para que possamos deixar algumas dicas.

Enquanto isso, um vídeo para deixar um gostinho do que espera todos os anos os pilotos lá em Curitiba:

Link YouTube | Festival Força Livre de Arrancada

Oferecimento: Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio

Link YouTube | Site oficialVeja a intervenção simulando 3D no YouTube que está rolando hoje!


publicado em 02 de Maio de 2011, 11:33
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Rodrigo Almeida

Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.


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