50 momentos marcantes da olimpíada no Rio de Janeiro

Vou morrer de saudade. Não, não vá embora.

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O maior evento esportivo do mundo chegou ao fim e deixou pra trás uma ressaca enorme em nós brasileiros. Como os organizadores da festa de encerramento definiram muito bem no último domingo, o que nos resta agora é saudade, esse sentimento único que só pode ser descrito em bom português.

Durante 17 dias, os Jogos Olímpicos pelos quais aguardamos durante tanto tempo chegaram, rolaram e nos deixaram, mas não sem antes nos proporcionar alguns momentos inesquecíveis. Para relembrar e cutucar essa ferida aberta um pouquinho mais, listamos 50 momentos marcantes e convocamos você para nos ajudar a aumentar essa lista nos comentários.

1. Gisele foi a Garota de Ipanema

Depois de quase oito anos de espera, o Rio finalmente teve os olhos do mundo inteiro voltados para si. E o primeiro grande evento foi justamente a abertura. Realizada no Maracanã, a cerimônia teve vários momentos marcantes, mas destacamos aquele que talvez tenha sido o mais comentado internacionalmente.

Ao som de Garota de Ipanema, interpretada na voz e piano de Daniel Jobim (neto de Tom), Gisele Bündchen desfilou pelos 128 metros do palco montado no gramado que serviram de passarela para a modelo mais bem paga do mundo relembrar também as curvas das obras de Oscar Niemeyer.

2. Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a pira olímpica

Mas além de Gisele, um outro momento marcante e já tradicionalmente aguardado nas cerimônias em geral é quando, como e por quem a pira olímpica será acesa.

Nesse caso, após a desistência de Pelé, o atleta escolhido para realizar tal feito foi o único brasileiro a receber a medalha Pierre de Coubertin, honraria máxima do esporte olímpico: o maratonista Vanderlei Cordeio de Lima – famoso pelo incidente em Atenas 2004 quando era líder da maratona e foi atrapalhado por um ex-padre irlandês e acabou terminando a prova em terceiro lugar.

3. Felipe Wu conquistou a primeira medalha brasileira em casa

Quis o destino que a modalidade que rendeu ao Brasil sua primeira medalha na história olímpica, fosse a mesma da primeira medalha olímpica conquistada no nosso próprio território: o tiro esportivo.

Há 96 anos, Guilherme Paraense foi o primeiro brasileiro a subir ao pódio nos jogos da Antuérpia de 1920. Em 2016, Wu, paulista, foi o primeiro brasileiro a subir ao pódio nos jogos do Rio de Janeiro.

4. E Rafaela Silva conquistou o primeiro ouro

O começo da participação brasileira seguiu no ritmo do "tiro, porrada e bomba". Depois da pistola de Felipe Wu abrir caminho, Rafaela Silva pavimentou.

A primeira medalha de ouro do Brasil no Rio veio com uma judoca carioca. Nascida na favela Cidade de Deus, Rafaela emocionou o Brasil com sua história de superação que culminou no topo do pódio olímpico.

5. Mayra Aguiar atacou para defender sua medalha de bronze

Abrindo a contagem também das medalhas de bronze, a judoca Mayra Aguiar derrotou três adversárias e só perdeu uma luta (por punição, na prorrogação) para defender a medalha de bronze que já tinha conquistado em Londres 2012.

Além de subir ao pódio no seu próprio país, Mayra se tornou a primeira judoca brasileira a conquistar duas medalhas olímpicas.

6. Rafael Silva não teve vida fácil, mas chegou lá

O sobrenome mais popular do Brasil seguiu sendo escrito na história desta edição histórica. Também Silva e também judoca, Rafael quase não é conhecido pelo nome tão parecido com a xará campeã olímpica. Atleta mais pesado da delegação brasileira, ele é conhecido carinhosamente como Baby.

Mas não teve melzinho na chupeta. Após o sorteio dos confrontos, o caminho desenhado para chegar à medalha ficou complicado, ele porém não esmoreceu e lutou até o final. Mesmo perdendo para o francês campeão mundial e, posteriormente, bicampeão olímpico nas quartas de final, Rafael não deu mais chances aos adversários e faturou a medalha de bronze.

6. Kosovo comemorou pela primeira vez

Muito além do Brasil, o judô também deu espaço para outras nações comemorarem. Se o Japão, nação que mais conquista medalhas na modalidade, ficou um pouco abaixo das expectativas, sobrou pra quem nunca tinha conquistado nada. É o caso do Kosovo.

Majlinda Kelmendi já era bicampeã mundial e europeia. Nos jogos de Londres participou sob a bandeira da Albânia mas foi eliminada na segunda luta. Desta vez, porém, com todos os problemas políticos resolvidos, a primeira participação de Kosovo na história dos jogos olímpicos já veio premiada. Além de ser porta-bandeira do seu país, coube à judoca também conquistar a primeira medalha da história do Kosovo. E foi de ouro.

7. O Vietnã também

Se Kosovo participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, o mesmo não se pode dizer do Vietnã, nação olímpica desde 1952. Porém, ambos os países compartilham o primeiro sorriso dourado no Rio de Janeiro. Sorriso que eu aposto que você, brasileiro, torceu contra.

Na mesma prova em que Felipe Wu conquistou a medalha de prata, um vietnamita chamado Xuan Vinh Hoang superou o brasileiro no último tiro (202.9 a 202.1) para dar a primeira medalha de ouro ao seu país depois de 64 anos.

8. Djokovic, o número 1 do mundo, chorou

Ele não tinha dado sorte em Londres e acabou derrotado na disputa do bronze, mas no Rio de Janeiro, o destino foi ainda mais cruel com Novak Djokovic.

Número 1 do mundo no tênis, ele ganhou a torcida brasileira com detalhes em verde e amarelo na roupa e na raquete. Nem precisava de tanto. Bastava dizer que do outro lado da quadra tinha um argentino. Del Potro foi o algoz de quatro anos atrás e coube a ele novamente vencer. Desta vez na primeira rodada da competição.

Campeão de tudo no tênis, faltava ao sérvio apenas a medalha olímpica. Mas ela não veio e Djoko chorou.

9. Um fenômeno chamado Phelps se aposentou

Além do judô e do tênis, a primeira semana também contou com a natação. E se o melhor do mundo das quadras não tem sorte em olimpíadas, o mesmo não se pode dizer das piscinas.

Michael Phelps chegou ao Rio de Janeiro já consagrado o maior medalhista olímpico de todos os tempos. Depois de campanhas históricas sobretudo em Pequim 2008 e Londres 2012, coube ao Rio 2016 receber a lenda para suas últimas braçadas olímpicas.

Phelps não fez por menos. Mostrou-se mais experiente, leve, desinibido e somou ao repertório mais cinco medalhas de ouro e uma de prata para chegar aos seus números finais: 23 ouros, 3 pratas e 2 bronzes.

10. O aprendiz superou o mestre

A performance de Phelps só não foi perfeita no Rio de Janeiro por conta de um nadador de Cingapura chamado Joseph Schooling. Após pedir um autógrafo e tirar uma foto com o astro da natação na infância, Schooling não se intimidou com a presença do ídolo, passou à final com o melhor tempo dos 100 metros borboleta e confirmou o resultado na final para mudar a cor de pelo menos uma medalha de Phelps no Rio.

Após a façanha, o nadador de 21 anos foi recebido como herói e até desfilou em carro aberto na sua cidade natal. 

11. Katie Ledecky deu start expressivo na sua trajetória olímpica

E Phelps parece mesmo ter inspirado as pessoas certas. Se o grande campeão está parando, parece que já deixou de herança uma esperança para os americanos se apegarem na natação que atende pelo nome de Katie Ledecky.

A nadadora americana também pediu um autógrafo e foto ao campeão no passado e agora, no Rio de Janeiro, ela mesma começou sua trajetória olímpica de maneira impressionante com nada menos do que quatro medalhas de ouro e uma de prata. Só pra registrar: a vantagem de Ledecky sobre suas adversárias é tão grande que apostar nela nas casas de aposta em Londres significava perder dinheiro mesmo que você estivesse certo.

12. Anthony Ervin renasceu para ser o mais rápido das piscinas, de novo

Apesar de tudo que Phelps e Ledecky fizeram no Rio, talvez a história desse outro nadador americano seja a mais impressionante desta edição. Anthony Ervin tem uma tatuagem clichê no braço, mas pra ele faz todo sentido: uma fênix.

Especialista na prova mais rápida da natação, ele foi, aos 19 anos, o nadador mais jovem a vencer os 50 livre numa Olimpíada. Agora, aos 35, no Rio de Janeiro, Erwin se torna também o mais velho.

No intervalo de 16 anos, Erwin fez de tudo. Parou de nadar durante oito anos. Leiloou sua primeira medalha de ouro para ajudar vítimas do tsunami na Indonésia. Usou drogas. Bebeu demais. Sofreu acidentes. Montou uma banda de rock. Fugiu da polícia. Tentou se matar. E renasceu para subir ao degrau mais alto do pódio e conquistar novamente uma medalha da qual ele não pretende mais se livrar.

13. "Dama de ferro" arrasa adversárias e leva marido à loucura

Mas nem só de Estados Unidos vive a natação mundial e para dividir o protagonismo no feminino com Katie Ledecky, uma nadadora húngara apelidada de Iron Ladie também fez história na piscina olímpica do Rio de Janeiro.

Katinka Hosszu escolheu pra nadar justamente algumas das provas mais difíceis da natação, entre elas os 400 metros medley, onde pulverizou o recorde mundial anterior baixando a marca em mais de dois segundos.

No fim da competição, Katinka estava com três medalhas de ouro e uma de prata no peito e uma atuação excepcional nas piscinas, mas um outro elemento também chamou a atenção: a reação de seu técnico e marido do lado de fora.

14. Fu Yuanhui quebrou tabus

Nem tanto pela performance, mas pela espontaneidade, Fu Yuanhui também se destacou nessa edição olímpica. Depois de sua reação espontânea ao descobrir que foi medalhista durante uma entrevista, a chinesa roubou a cena por ser muito sincera.

Com um desempenho abaixo do esperado no revezamento chinês, a nadadora pediu desculpas às companheiras depois de terminarem em quarto lugar e não teve pudor ao apontar o motivo: sua menstruação desceu na noite anterior e ela estava se sentindo muito mais cansada do que o normal.

A reação das pessoas à atitude da atleta de falar abertamente sobre sua menstruação numa entrevista nos Jogos Olímpicos reabriu a discussão a respeito do tratamento que as mulheres recebem na medicina esportiva.

15. As mulheres seguiram fazendo história

Se Fu Yuanhui abriu discussão sobre gênero nas Olimpíadas, Simone Manuel abriu discussão sobra raça.

Ao dividir a medalha de ouro dos 100 metros livre com a canadense Penny Oleksiak, a nadadora americana se tornou a primeira negra a ganhar uma medalha de ouro na história da natação olímpica. O feito reabriu involuntariamente o debate: por que não temos atletas negros nadando? Nos Estados Unidos, país de Simone, 70% das crianças negras não sabem nadar.

16. Os refugiados emocionaram o mundo

O Rio de Janeiro também ficará marcado por ter sido a primeira edição que contou com uma delegação de refugiados. A equipe de 10 atletas foi composta por dois nadadores sírios, dois judocas do Congo e seis corredores – um da Etiópia e cinco do Sudão do Sul, que nos emocionaram com suas histórias de superação e foram ovacionados pelo público no Maracanã durante a cerimônia de abertura. Entre elas, Ysra Mardini.

17. Ryan Lochte passou vergonha

Multicampeão olímpico, Ryan Lochte robou a cena por dois motivos nessa Olimpíada. Nenhum deles relacionados a sua performance na água.

O primeiro foi pela cor de seu cabelo. Na foto abaixo você pode tirar suas conclusões. O segundo foi por fazer o papelzinho de mentir sobre ter sido assaltado no Rio de Janeiro, ser pego, acabar tendo que se retratar e ainda assim perder todos os patrocinadores que tinha.

18. Um fenômeno chamado Simone Biles surgiu

No Rio de Janeiro, o mundo pôde se acostumar com o nome da ginasta Simone Biles. Aos 19 anos, em sua primeira participação olímpica, a ginasta conquistou uma medalha de bronze e quatro de ouro, entre elas a do individual geral, confirmando o seu posto de melhor ginasta do mundo e superando a lenda do esporte Nadia Comaneci.

Além das façanhas, Biles mostrou muita simpatia e ganhou muitos fãs com declarações como: "Não sou o próximo Bolt ou Phelps, sou a primeira Simone."

19. Rolou dobradinha brasileiro com toques dramáticos

A ginástica olímpica que encheu os olhos dos americanos, também rendeu bons frutos ao Brasil. Veio do aparelho solo na prova masculino a única dobradinha brasileira no pódio.

Diego Hypólito deu a volta por cima, fez a execução quase perfeita de sua série e saiu com a medalha de prata. Depois de, segundo ele mesmo, cair de bunda em Pequim, de cara em Londres, dessa vez ele caiu de pé no Rio e finalmente conquistou sua primeira medalha olímpica.

Nem tanta espera teve Arthur Nory. Nono colocado na semifinal, o brasileiro só conseguiu vaga para a disputa da medalha porque, pelo regulamento, no máximo dois atletas por nacionalidade poderiam disputar a final. Sendo assim, um japonês teve que sair, Nory herdou a vaga e fez a prova de sua vida para sair com o bronze no peito.

20. Arthur Zanetti mostrou ao Brasil o valor de uma prata

A ginástica seguiu fazendo história para o Brasil. Além da dobradinha, alguns atletas que não subiram ao pódio também contribuíram para a uma bela campanha brasileira na modalidade. Mas talvez o que tenha faltado foi o ouro de Londres 2012.

Arthur Zanetti, porém, o ex-campeão olímpico das argolas, e grande esperança de repetir a medalha de ouro no Rio parecia o brasileiro mais satisfeito com o resultado. Ele precisou saber o que é o ouro para falar com propriedade sobre o sabor de uma prata. "Essa medalha tem gosto especial por ser em casa e pelo tanto que trabalhei. O problema de muita gente é só julgar o ouro. Vocês não sabem o que eu passei para estar aqui e ganhar essa medalha. Veio a prata, estou muto feliz. Acho que é um resultado incrível."

21. Robson Conceição passou a vida lutando pela medalha de ouro

Se o ouro tão esperado com Zanetti não veio, o ouro inesperado de Robson Conceição veio.

O lutador baiano venceu todos os seus adversários, incluindo o número 1 do ranking mundial, para dar ao Brasil a primeira medalha de ouro olímpica da história do boxe. Oriundo das brigas de rua, Robson teve a sabedoria de canalizar sua agressividade para o esporte e nos emocionou com sua história de superação e simplicidade.

22. Maicon Siqueira deu seu cartão de visita

Também das lutas e também de maneira inesperada, outro brasileiro humilde subiu ao pódio no Rio de Janeiro.

Quase completamente ofuscado pelo resultado de minutos antes do futebol, Maicon Siqueira conquistou a penúltima medalha brasileira nos Jogos Olímpicos e alcançou um feito inédito: depois do bronze de Natália Falavigna em Pequim 2008, foi a vez do primeiro representante masculino conquistar uma medalha na modalidade. Bronze para o Brasil.

23. Mongols foram à loucura na luta olímpica

Além das glórias, as lutas também renderam um outro momento inesquecível nessa Olimpíada. Numa disputa pelo bronze na luta olímpica, um atleta da Mongólia começou a comemorar antes da hora e sofreu uma punição da arbitragem que acabou dando a vitória ao seu adversário.

Diante das circunstâncias, os treinadores foram a loucura e resolveram protestar de um jeito diferente: tirando a roupa. Vale a pena ver o vídeo completo. É, sem dúvidas, um dos momentos mais marcantes dos Jogos Olímpicos.

24. Cazaque foi a loucura no levantamento de peso

Pelo motivo contrário, mas igualmente engraçado, um levantador de peso do Cazaquistão também protagonizou um momento memorável.

Campeão olímpico e recordista mundial ao levantar 214 quilos, o triplo de seu peso, Nijat Rahimov dançou ainda na área de competição e levou a torcida à loucura.

25. Usain Bolt levou o mundo à loucura, pela terceira vez

As dancinhas continuaram no atletismo, principalmente por conta de Usain Bolt, um completo fora de série.

No Rio de Janeiro, o jamaicano repetiu Pequim e Londres: disputou três provas, venceu as três, sobrou perante seus adversários e quebrou tantos recordes que não dá nem pra citar.

Fora da pista, não foi diferente: Bolt continuou dando show. Ele cantou, dançou, zoou os repórteresrespeitou os adversários e saiu do Rio de Janeiro ainda mais consagrado do que chegou.

26. Corredoras ensinaram o que é espírito olímpico

O atletismo, porém, reservou muito mais do que Usain Bolt. Numa prova muito menos badalada, atletas quase completamente desconhecidas ganharam destaque por darem um exemplo claro de espírito olímpico.

Nos 5 mil metros feminino, a americana Abbey D'Agostino e a neozelandesa Nikki Hamblin se enroscaram e caíram feio na pista de atletismo do Engenhão. Num primeiro momento, a americana ajudou a adversária a se levantar, mas pouco depois ficou evidente que a lesão de D'Agostino era pior. Foi então que a outra retribuiu e deu forças para que ela seguisse adiante.

No final, ambas terminaram em último lugar e uma aguardou a outra para dar um abraço antes da americana ser retirada da pista numa cadeira de rodas. Em reconhecimento ao espírito olímpico, a organização resolveu convocar ambas para a final da prova.

27. Perder um tênis não foi o suficiente para parar etíope

A organização dos Jogos Olímpicos teve decisão semelhante em relação à corredora etíope Etenesh Diro.

Depois que uma adversária tropeçou, caiu e acabou tirando uma de suas sapatilhas, Diro tentou colocá-la de volta. Sem sucesso, resolveu não perder mais tempo e deixou o calçado de lado para continuar descalça. Mais alguns passos e a meia também ficou pelo caminho.

Dessa maneira, com um pé calçado e outro não, ela completou a prova do 3000 metros com obstáculo muito longe da zona de classificação para a semifinal. Mas Etenesh ganhou o apoio da torcida e o reconhecimento da organização de que foi prejudicada. Acabou convocada para a próxima fase da competição e competiu mesmo com muitas dores no pé.

28. Campeão olímpico cai, levanta e anda para nova vitória

A música "Levanta e Anda" parece ter dado mesmo o tom das provas de corrida no Engenhão. Além de Abbey D'Agostino, Nikki Hamblin e Etenesh Diro, o britânico Mo Farah também foi ao chão, mas se levantou e correu atrás do prejuízo.

Após esfolar o ombro numa queda quase na metade da prova de 10 km, o campeão olímpico levantou, alcançou o pelotão de frente novamente e assumiu a liderança há poucos metros do fim da prova para conquistar o bicampeonato e fazer seu famoso gesto de coração.

29. Maratonista criticou seu país e agora está com medo de morrer

Outro gesto, também na linha de chegada, não simbolizou a mesma paz que Mo Farah. Pelo contrário. O etíope Feyisa Lilesa fez o gesto de seu grupo étnico na Etiópia e atraiu os olhos do mundo para a opressão que seu grupo vem sofrendo no país. Agora, o medalhista de prata da maratona está com medo de voltar pra casa e ser morto.

Segundo ele “a situação dos oromo na Etiópia é muito complicada. Em nove meses mataram mais de mil pessoas em manifestações”. Por isso, Lilesa fez questão de escancarar a situação e parece que deu certo: um crowdfunding realizado para ajudá-lo a encontrar moradia já coletou mais de 35 mil euros (cerca de 127 mil reais).

30. Francês passou mal, mas se negou a desistir

Ele literalmente se cagou durante a marcha olímpica. Quando ainda liderava a prova aos 9 km, o francês Yohann Diniz começou a defecar, mas pareceu não se importar e seguiu adiante. Na estação seguinte, se queixou de dores abdominais, mas continuou, até que com quase 2h45min de prova, ele desabou no chão e lá ficou, desacordado por alguns segundos.

Acodido por voluntários, ele pediu água, um pouco de gelo e, mais uma vez, não desistiu. Cruzou a linha de chegada da marcha atlética de 50 km na oitava posição em 3h40min58 (quase uma hora depois de ter desmaiado) e só então parou para ser encaminhado ao posto médico. Sua persistência parecia ter uma razão: recordista mundial em 2014, ele não tinha conseguido completar a prova nem em Pequim 2008, nem em Londres 2012. Desta vez, decidiu que nada o impediria. E cumpriu.

31. Thiago Braz surpreendeu o país

Ainda dentro do atletismo, o salto com vara no Brasil teve um único nome nos últimos anos: Fabiana Murer. Mas se a saltadora brasileira nunca teve sorte nas Olimpíadas, Thiago Braz precisou de apenas uma chance para chegar lá.

Até então desconhecido do público brasileiro, mas já campeão mundial, Thiago era um dos candidatos ao pódio olímpico, mas alcançar o ouro foi superar todas as expectativas. Foi dele a única medalha brasileira no esporte mais tradicional das olimpíadas. E foi de ouro.

32. A torcida vaiou

Mas a medalha de Thiago não veio sem muita polêmica. Após garantir a prata, a disputa pelo ouro ficou polarizada entre o brasileiro e o francês Renaud Lavillenie, atual campeão e recordista mundial.

Foi então que a torcida brasileira presente no Engenhão resolveu dar uma forcinha para o brasileiro. Ainda que essa forcinha fosse atrapalhar o adversário. Assim, as vaias ecoaram no estádio toda vez que o francês ia saltar.

Irritado e derrotado, Lavillenie reclamou da torcida e chegou a fazer comparações infelizes com Jesse Owens. Depois, reconheceu o equívoco, mas reforçou que a torcida agiu mal.

33. E a torcida vibrou por absolutamente tudo

A torcida no Brasil, inclusive, foi alvo de muita discussão internacional. Além das vaias, muitos outros incidentes mereceram destaque:

a. Torcemos para o árbitro no boxe porque era o único brasileiro envolvido.

b. Cantamos Mamonas Assassinas para um lutador chamado Mina.

c. Enlouquecemos os árbitros de tênis com muito barulho.

d. Levamos a faixa "joguem como bebemos" ao patamar olímpico.

e. Chamamos de Biro Biro um jogador de vôlei de praia que nem era tão parecido assim.

f. Vestimos uma sacola das Lojas Americanas para torcer pelo Japão.

g. Vibramos no tênis de mesa como se não houvesse amanhã.

h. Gritamos "uh, vai morrer" na esgrima.

i. Perseguimos Hope Solo com o canto de zika em todo canto.

34. O futebol feminino ganhou o país

E o futebol feminino foi realmente um capítulo a parte no Rio 2016. Com a eliminação precoce dos Estados Unidos e a goleada brasileira sobre as fortes adversárias suecas, parecia que o Brasil já tinha uma medalha garantida. Mas não foi bem assim.

A seleção feminina fez atuações brilhantes na primeira fase e ganhou o coração dos brasileiros. Mas na segunda fase o caminho foi duro. A eliminação na semifinal e a derrota na disputa de terceiro lugar deixou a equipe sem medalha, mas o golpe poderia ter sido ainda mais forte se a eliminação tivesse vindo após um pênalti perdido de Marta. Por sorte, a goleira Bárbara defendeu a cobrança seguinte e deu sobrevida ao Brasil na competição, num dos momentos mais angustiantes da Olimpíada.

34. Formiga virou sinônimo de raça e fez um pedido

A campanha da seleção brasileira feminina teve espaço ainda para uma outra personagem. Com a participação no Rio de Janeiro, Formiga chegou a sua sexta olimpíada e mesmo veterana parecia uma garota, estava em todos os lugares do campo, dando carrinho no segundo tempo da prorrogação. Dessa maneira, se tornou a atleta com o maior número de participações olímpicas da história e, se aposentando da seleção brasileira, fez um último pedido: "não desistam da gente".

35. O futebol masculino conquistou o que faltava

Se a trajetória da seleção feminina começou bem e terminou mal. Justamente o contrário ocorreu com a seleção masculina de futebol.

Após dois empates por 0 a 0 na primeira fase, o Brasil correu risco de eliminação e foi duramente criticado pela torcida e pela imprensa, ambos acostumados aos recentes vexames da equipe. Mas o grupo comandado por Rogério Micale não esmoreceu, não negou sua proposta de jogo e começou a vencer as partidas até alcançar o inédito ouro olímpico.

A medalha era a única conquista internacional importante que faltava ao Brasil. E ela veio em casa, sofrida, nos pênaltis, contra a Alemanha, algoz da última Copa do Mundo.

36. O alemão derrotado provocou o Brasil com o símbolo do 7 a 1

Mas a vitória do Brasil sobre a Alemanha não passou impune. O jogador alemão Robert Bauer, lateral reserva da equipe sub 23 que disputou as olimpíadas, saiu de campo irritado fazendo um número sete com as mãos, em alusão a você sabe o quê.

Mais tarde, arrependido, Bauer pediu desculpas em português e postou foto com a camisa do Brasil agradecendo a oportunidade de jogar no país e parabenizando pela conquista brasileira.

37. O mascote das Olimpíadas representou o Brasil

A dupla de mascotes olímpicos ganhou o nome de dois mestres da MPB: Vinícius (de Moraes) e Tom (Jobim). Mas Vinícius deixou toda a classe de lado e fez em quadra o que pode para consegui o que estava proposta: animar a torcida. Ao dançar a famosa música "Turn down for what", o mascote resolveu dar uma estrela sem usar as mãos. Usou, portanto, a própria cabeça.

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38. O amor esteve no ar

Mas nem só de zoeira, viveu as Olimpíadas. Também teve gente aproveitamento o momento para pedir a mão do parceiro em casamento. Foram pelo menos seis casos, dos quais destacamos dois.

O saltador chinês Kai Qin aproveitou a cerimônia de entrega de medalhas do trampolim de 3 metros feminino para pedir sua namorada, a também saltadora chinesa Zi He, em casamento. A medalhista de prata aceitou.

Mas no rugby feminino, foi o Brasil que protagonizou o momento. Também após a cerimônia de premiação da modalidade, a jogadora Isadora Cerullo foi pedida em casamento ainda no gramado por sua namorada Marjorie Enya, e disse sim.

39. A pequena Fiji também teve motivos pra sorrir

O arquipélago de Fiji não tem mais de 19 mil km² de área, mas tem muito orgulho. A seleção de rugby do país é o principal motivo.

Favoritos ao ouro, os jogadores chegaram ao Rio de Janeiro com dois títulos mundiais no currículo. E não decepcionaram. Conquistaram o ouro, trouxeram a primeira medalha olímpica pra casa e se tornaram verdadeiros heróis. Para ter noção da importância do esporte no país, o primeiro-ministro Voreqe Bainimarama acumula também a função de presidente da federação de rugby do país.

40. O primeiro role-in-one olímpico aconteceu no Rio

Seguindo a linha das performances históricas, um britânico muito habilidoso, mas igualmente sortudo conseguiu fazer o que nenhum jogador de golfe conseguiu na história das olimpíadas: acertar o buraco em apenas uma tacada.

A façanha de Justin Rose aconteceu no quarto dos 18 buracos do percurso do Campo Olímpico e contribuiu muito para que o jogador se consagrasse, ao final da competição, como campeão olímpico.

41. A água da piscina olímpica esverdeou

Verdinha como a grama do campo de golfe (ou quase) foi como ficou a água do Parque Aquático Maria Lenk onde as provas de salto foram disputadas.

Por conta do erro de um produto colocado na água, a piscina de saltos esverdeou, mas a competição não parou. A organização garantiu que a qualidade da água seguia boa e corrigiu o problema assim que ele foi descoberto (substituindo a água). Tudo isso não evitou que imagens como essa rodassem o mundo:

42. Das águas veio, pela primeira vez, uma medalha brasileira feminina

Se a natação brasileira decepcionou e saiu sem nenhuma medalhinha, a maratona aquática impediu que nossas braçadas passassem completamente desapercebidas e garantiram uma medalha sofrida, suada e inédita.

Da praia de Copacabana, Poliana Okimoto descobriu que uma de suas adversárias tinha sido desclassificada. Após sair da água como quarta colocada na prova de 10 km, ela acabou herdando a medalha de bronze e custou a acreditar, mas tinha se tornado a primeira nadadora brasileira a conquistar uma medalha olímpica.

43. Ouro em dose dupla

Também de onde menos se esperava, o Brasil conquistou uma medalha que salvou uma modalidade tradicional de passar em branco no Rio de Janeiro.

Já no último dia de disputas da vela, Martine Grael e Kahena Kunze competiram longe dos holofotes, mantiveram as chances de medalha vivas até o final e venceram a última regata de maneira emocionante para conquistar um ouro em dose dupla na Baía de Guanabara.

44. Prata em dose dupla

Dentro das projeções de medalhas do Comitê Olímpico Brasileiro, a dupla feminina de canoagem praticamente compensou a expectativa do vôlei de praia feminino.

Com duas duplas entre as melhores do mundo, o Brasil esperava muito das mulheres de areia, mas o que já foi até dobradinha de primeiro e segundo em Atlanta 1996, acabou apenas na prata de Ágatha e Bárbara. Não foi pouca coisa, longe disso, mas ficou um gostinho de quero mais. Principalmente para quem presenciou a semifinal em que Talita e Larissa foram eliminadas pelas alemãs como eu.

45. Dupla egípcia fez história e nos mostrou os contrastes do mundo

Também das duplas de vôlei de praia feminino veio uma das imagens mais bonitas dos Jogos. Pela primeira vez na história, uma dupla egípcia conseguiu classificação para a modalidade e escancarou as diferenças culturais tão ricas que as Olimpíadas abrigam.

Doaa el-Ghobashy e Nada Meawad jogaram com o corpo completamente coberto, como manda sua religião, enquanto a maioria das outras duplas desfilavam de biquini. Doaa, inclusive, usou um hijab para cobrir a cabeça e eternizou uma das fotos mais marcantes do esporte ao lado da jogadora alemã Kira Walkenhorst.

46. Favoritos vão a forra banhados em chuva e lágrimas

O vôlei de praia, porém, continuou sendo um esporte extremamente vitorioso para o Brasil. A força brasileira na modalidade é tão grande que ela foi a única na qual o país chegou na final em ambos os sexos. E se as meninas ficaram com a prata, Alisson e Bruno Schmidt conquistaram o ouro com chuva e lágrimas.

Isso porque a disputa da final ocorreu à meia noite de uma quinta-feira chuvosa. Os torcedores presentes na arena em Copacabana encararam as gotas e não arredaram o pé. Como prêmio viram a dupla brasileira superar os italianos na final, conquistar o ouro, entoar o hino nacional e chorar muito.

47. Vôlei brasileiro chegou à quarta final consecutiva e venceu

E a receita para o sucesso parece mesmo ser Brasil de um lado, Itália do outo, bola pra cima e uma rede no meio.

Assim como na areia, na quadra a final foi entre brasileiros e italianos. E assim como na areia, na quadra, deu Brasil. Após passar um susto tremendo na primeira fase correndo risco de eliminação precoce, a seleção de Bernardinho se recuperou para chegar à quarta final olímpica consecutiva e vencer pela segunda vez contra a Itália, como em 2004, mas dessa vez em casa. Afinal, nossa casa, nossas regras, nosso ouro.

48. Serginho entrou para a história

Mas assim como a Formiga no futebol feminino, apesar da coletividade podemos destacar um jogador especial. Poderia ser os pontos decisivos e numeros de Wallace, a superação de Lucarelli, a distribuição de Bruninho, a frieza de Lucão e até a loucura de Bernardinho, mas o dono de todo destaque da medalha de ouro do vôlei masculino foi: Serginho.

Aos 40 anos, o líbero já tinha se aposentado da seleção, mas manteve a forma em tão alto nível no clube que pediram pra ele voltar. E ele voltou pra escrever o último capítulo de sua história com chave de ouro.

Na primeira fase, quando o Brasil perigava ser eliminado, ele fez um discurso emocionante contando que aquela era sua última chance olímpica e que ele estava na UTI, mas confiava na capacidade do time de tirá-lo de lá. O time não só o tirou como consagrou o melhor líbero da história do voleibol como melhor jogador da competição e maior medalhista olímpico do Brasil nos esportes coletivos: dois ouros e duas pratas.

49. Isaquias indicou o futuro do esporte brasileiro

Serginho passa, agora, a representar um passado glorioso. E o futuro já vem vindo.

Do interior da Bahia, Isaquias Queiroz surgiu para se consagrar logo na primeira participação olímpica, o maior medalhista brasileiro de uma única edição. Na lagoa Rodrigo de Freitas, o canoeiro mostrou talento bruto e conquistou duas medalhas de prata (uma delas ao lado de Erlon da Silva) e uma de bronze. O ouro não veio como quem diz: talento nós temos, mas ainda falta um pouquinho de incentivo.

50. E o Brasil se despediu

Com a enorme contribuição de Isaquias, o Brasil alcançou o melhor resultado olímpico de sua história justamente aqui, dentro de casa. Mas muitas metas passaram longe de ser atingidas e a sensação que fica é de que ainda tem muito trabalho a ser feito para nos declararmos uma potência olímpica.

Por enquanto, todos nós nos despedimos das Olimpíadas e aguardamos, já com saudades, o mundo girar 1432 vezes até parar lá do outro lado do mundo para mais uma edição. Vem aí, Tóquio 2020.


publicado em 24 de Agosto de 2016, 20:30
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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