A origem dos nomes das franquias da NBA – Parte 1: Conferência Leste

Você também já parou pra pensar de onde surgiram os nomes dos times de basquete mais famosos do mundo?

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A NBA – como os americanos costumam dizer – está on fire, meus amigos.

Depois de mais ou menos 60 rodadas, estamos entrando na reta final da temporada regular e os jogos estão ficando cada vez mais emocionantes.

Tá rolando as últimas partidas de um dos maiores ídolos da sua geração: o Black Mamba, Kobe Bryant.

Tá rolando uma caçada feroz pela quebra do recorde de melhor campanha da história por parte do Golden State Warriors: 72 vitórias e 10 derrotas, do Chicago Bulls em 1996.

Tá rolando, até, o que muitos consideram o nascimento de uma nova forma de jogar basquete liderada pelo nome do momento: the baby-faced assassin, Stephen Curry.

Mas tudo isso é assunto pra outro artigo.

O crescimento do interesse do público brasileiro pelo melhor basquete do mundo também está aumentando. No ano em que o país vai receber os Jogos Olímpicos, o esporte parece estar caminhando para o status que já teve no passado em tempos onde Oscar Schmidt estava entre os melhores do mundo e o basquete chegou a ser o segundo maior esporte no Brasil – atrás apenas do futebol, é claro.

Soma-se a isso o número cada vez maior de brasileiros disputando a liga americana. Se na NFL nós só temos Cairo Santos como representante, na NBA temos Nenê Hilário (Washington Wizards), Tiago Spliter (Atlanta Hawks), Bruno Caboclo (Toronto Raptors), Lucas Bebê (Toronto Raptors), Raulzinho (Utah Jazz), Marcelo Huertas (Los Angeles Lakers), Cristiano Felício (Chicago Bulls), Leandrinho e Anderson Varejão. Os dois últimos ganhando cada vez mais tempo de quadra no Golden State Warriors – favorito ao título desta temporada.

O resultado são camisetas dos times americanos pipocando cada vez mais nas ruas. Jogos ocupando o horário nobre dos canais de TV por assinatura. E a ESPN anunciando que vai dobrar sua programação de basquete na próxima temporada.

Por todos esses motivos, meus caros, se estiver disposto a entrar nessa onda e acompanhar os playoffs, vamos fazer uma prestação de serviço e te contar o que muitas pessoas que até já acompanham basquete ainda não sabem: de onde vem os nomes dos times da NBA?

Hoje vamos tratar apenas das franquias da Conferência Leste. Na semana que vem, você confere os outros 15.

Atlanta Hawks

Assim como o time de hóquei de Chicago, o nome original da franquia era 'Blackhawks'. A alcunha era uma homenagem ao líder dos índios guerreiros nativos Sauk que habitavam o estado de Illinois onde a equipe surgiu em 1946 representando as "cidades trigêmeas" de Moline, Rock Island e Davenport.

Cinco anos mais tarde, a franquia se mudou para Milwaukee e abreviou o nome para 'Hawks'. Nas duas mudanças seguintes, para St. Louis (1955) e finalmente para Atlanta (1968), o nome permaneceu o mesmo.

Boston Celtics

Boston fica numa região dos Estados Unidos chamada de New England onde existe uma enorme comunidade irlandesa. Muitos membros dessa comunidade acreditam ser descendentes dos povos antigos chamados Celtas, assim, o nome surgiu naturalmente, mas teve que vencer a concorrência de outras opções como Whirlwinds (redemoinhos), Olympians (olímpicos) e Unicorns (unicórnios).

A escolha do nome foi uma decisão pessoal do dono da franquia, Walter Brown, ainda em 1946 mesmo desaconselhado por seus sócios que diziam que um nome irlandês nunca tinha ganhado nada em Boston. No final, o bom senso do chefão prevaleceu, ele resolveu apostar no nome consagrado pelo New York Celtics na década de 1920 e acabou enterrando de uma vez por todas esse mito: o Celtics é até hoje o maior vencedor da NBA com 17 títulos.

Brooklyn Nets

O Brooklyn tem uma das explicações mais sem graça da Liga para o origem do seu nome: Nets, em inglês, quer dizer rede, assim como a que compõe uma cesta de basquete. A decisão pelo nome ainda tem a ver com a sonoridade de outros dois times da cidade, o New York Mets (beisebol) e o New York Jets (futebol americano).

Vale citar que o time considerou mudar de nome para Swamp Dragons ou Fire Dragons por questões de marketing em 1994, mas resolveu manter o nome original, mesmo depois da mudança definitiva para Brooklyn em 2012.

Charlotte Hornets

Cara, essa é uma das explicações mais confusas, então vamos juntos pra você não se perder.

A equipe de Charlotte surgiu em 1988 com a expansão do número de times da NBA. O nome original era, na verdade, Charlotte Spirit, mas uma votação popular foi feita e o termo Hornets prevaleceu em referência ao apelido da cidade de "vespeiro" (Hornet's Nest). Esse apelido, por sua vez, é originado de uma frase famosa do General Cornwallis, que durante a Revolução Americana, descreveu a cidade como "um vespeiro de rebeliões."

Acontece que a franquia se mudou para New Orleans levando junto o apelido – o que não fazia muito sentido – e viu nascer em Charlotte, o Charlotte Bobcats, com Michael Jordan como dono. Quando finalmente, em 2014, o New Orleans abandonou o nome Hornets e passou a se chamar Pelicans, assim o Charlotte tratou de recuperar o nome tradicional. Ufa.

Chicago Bulls

O time do mascote mais carismático da NBA tem uma explicação bem engraçada para seu nome.

Chicago é considerada até hoje a capital mundial da carne por conta da sua grande produção desse produto. Sendo assim, o dono da franquia, Richard Klein, queria um nome para seu time que representasse bem isso. Ele chegou a duas sugestões – Toreadors (toureiros) e Matadors (matadores) – e foi consultar sua família.

Eis então que, diz a lenda, seu filho proferiu a seguinte frase: "Dad, that's a bunch of bull'' (aqui bull como abreviação de bullshit). O pai, então, teve aquele estalo, ligou uma coisa a outra, aproveitou que Bulls também quer dizer touro e batizou o time.

Cleveland Cavaliers

Cavaliers, em inglês, significa cavaleiros e, segundo o criador Jerry Tomko, representa "um grupo de homens destemidos, cujo pacto de vida é nunca se render, não importam as probabilidades de vitória."

Isso já explica bastante coisa, mas vale dizer que o nome também foi escolhido em votação popular conduzida pelo jornal local Cleveland Plain Dealer. Entre os concorrentes estavam outras alcunhas como Jays, Foresters, Towers e, o meu preferido, Presidents – que seria uma alusão ao fato de sete ex-presidentes dos EUA terem nascido em Ohio até a época (1970).

Detroit Pistons

Pode parecer óbvio, mas nem tudo que parece é.

Detroit é a cidade dos automóveis e todos os carros têm o que chamamos de pistões. Pistons, em inglês. Mas apesar da feliz coincidência, o nome da franquia tem uma origem bem mais egocêntrica.

O time surgiu em 1948 na cidade de Fort Wayne, Indiana, com o proprietário Fred Zollner. Ele que também era dono de uma fábrica de pistões, criou o time e resolveu batizá-lo em sua própria homenagem como Fort Wayne Zollner Pistons. Porém, quando o time se mudou para Detroit em 1957, Fred escolheu tirar o seu sobrenome da franquia e o nome Detroit Pistons caiu perfeitamente bem para a 'Motor City' americana.

Indiana Pacers

Lembra como foi difícil explicar a origem do nome do Charlotte? Pois é, a origem do Indiana é quase tão difícil.

Pacers é uma alcunha que já surgiu com o Indiana na criação da franquia em 1967, mas tem duas origens prováveis.

A primeira se deve à ligação da cidade como as 'harness racing pacers', uma modalidade de disputa à cavalo que, resumidamente, é mais elegante. Já a segunda razão, consideravelmente mais simples, se deve ao "pace car", veículos das 500 milhas de Indianápolis que dão a largada e funcionam como carro de segurança (safety car).

De maneira simplificada, o termo Pacers não tem uma tradução literal, mas está atrelado a 'ritmo veloz' e se refere à tradição de competições de velocidade de Indiana.

Miami Heat

Essa é fácil.

O nome do Miami foi definido em um concurso popular em 1988, ano de fundação da franquia, onde torcedores e entusiastas enviaram mais de 20 mil sugestões. No fim, o termo Heat, que significa calor – em alusão às altas temperaturas de uma das cidades mais quentes dos EUA –, venceu a batalha contra opções como Sharks, Tornadoes, Beaches, Barracudas, Floridians e, a minha preferida, Suntans, que significa bronzeados.

Já pensou? Miami Suntans – o time dos bronzeados.

Milwaukee Bucks

Bucks também foi definido num concurso bastante popular feito em 1968, ano em que a franquia foi criada.

Dentre mais de 10 mil opções, Bucks foi escolhido em alusão ao cervo macho muito comum no estado de Wisconsin, de onde vem a franquia. Lá, a tradição de caça esportiva é muito grande e prevaleceu na disputa. Ainda bem, porque uma das outras opções era Skunks, que significa gambás.

New York Knicks

Knicks, assim como Hawks, é uma abreviação da alcunha original da franquia, que como os Bulls e os Celtics foi escolhida exclusivamente pelo seu dono.

O nome original do time era New York Knickerbockers. Esse palavrão era um tipo de calça muito utilizada por holandeses que chegaram à América do Norte no final do século 19 e se estabeleceram em Nova Iorque.

Na big apple, um desenho do 'Pai Knickerbocker' se popularizou e se tornou um dos símbolos da cidade. Com base nessa popularidade, o fundador da franquia, Ted Irish, batizou o time que posteriormente encurtou o nome e passou a se chamar New York Knicks, um dos nomes mais sonoros da NBA.

Orlando Magic

Pode arriscar que essa você acerta.

Pouco antes da franquia realmente ser criada, o jornal local Orlando Sentinel organizou um concurso para a escolha de um eventual time de basquete da cidade e o nome mais votado foi Challengers, uma alusão ao ônibus espacial que explodiu em 1986.

Porém, quando a franquia finalmente passou a existir, um júri formados pelos proprietários escolheu Magic em alusão óbvia à principal atração turística da cidade: a Disney World.

Philadelphia 76ers

Se eu fosse torcedor do Philadelphia ficaria orgulhoso da origem do nome do meu time. Os 76ers tem um nome difícil de pronunciar, mas com certeza a raiz histórica mais forte.

A franquia nasceu em Syracuse, Nova Iorque, com o nome de Syracuse Nationals, mas logo a cidade se mostrou pequena demais para dar lucro aos seus proprietários e foi então que eles resolveram vendê-la em 1963. Assim, o time se mudou para a Filadélfia e lá a franquia foi rebatizada para 76ers em homenagem à Declaração de Independência dos Estados Unidos, assinada na Filadélfia, em 1776.

Fan fact: o escudo do time também faz uma referência histórica, trazendo 13 estrelas que representam as 13 colônias norte-americanas.

Toronto Raptors

Se você chegou até aqui, vou te dar um prêmio. O nome do Toronto se deve basicamente ao sucesso de Steven Spielberg: Jurassic Park.

Em 1994, quando a cidade canadense ganhou o direito de ter uma franquia de basquete na liga americana, um empresa de marketing tratou de realizar uma grande votação em todo o Canadá para escolher o nome do time. Entre opções como Dragons, Bobcats, Hogs e Beavers, Raptors foi escolhido por conta do grande sucesso do filme de ficção científica lançado um ano antes.

Canadá, muito obrigado por isso.

Washington Wizards

O time nascido em Chicago em 1961 teve dois nomes diferentes nas duas primeiras temporadas: Chicago Packers e Chicago Zephyrs, respectivamente.

Antes de se mudar para Washington, o time ainda passou dez anos em Baltimore, onde surgiu a alcunha de Bullets, balas de revólver. Em 1973, quando a franquia se estabeleceu na capital americana, o time jogou um ano como Capital Bullets, até ganhar o nome mais duradouro: Washington Bullets.

Porém, o dono da franquia nunca gostou da apologia às armas de fogo que seu time tinha e quando perdeu um grande amigo em 1995 (o primeiro ministro de Israel, Yitzhak Rabin) através de uma arma de fogo, finalmente resolveu mudar o nome do time.

Demorou dois anos, mas uma votação foi realizada em 1997 e o nome Wizards, que significa magos, superou Express, Stallions, Sea Dogs e Dragons (mais uma vez) – parece que os americanos não gostam muito de dragões.

***

E aí, curtiu? Qual nome é mais legal?

Confira aqui a continuação desse texto com "A origem dos nomes das franquias da NBA – Parte 2: Conferência Oeste"


publicado em 04 de Março de 2016, 18:32
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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