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Como a Champions League transforma jogos em espetáculos

Não é necessário viver in loco ou ser um grande aficionado por transmissões esportivas para chegar à seguinte conclusão: as partidas válidas pela UEFA Champions League sobressaem o caráter de mero jogo de futebol e avançam para o patamar de espetáculo – independente dos times envolvidos.

Na última sexta-feira, o PapodeHomem, a convite da Heineken Brasil, esteve no Rio de Janeiro para acompanhar o lançamento da Exposição Trophy Tour no Brasil. Além de ver de pertinho a cobiçada “orelhuda” e uma espetacular exposição de fotos, vídeos e materiais de partidas históricas, foi uma oportunidade ímpar de discutir a competição com Bebeto, Seedorf e Guy Laurent Epstein, diretor de marketing da UEFA.

Foi possível compreender que grande parte da transformação mundial na grife da UEFA Champions League passou por cinco inevitáveis pontos: fortalecimento mundial da marca, identificação com o patrocinador, estrutura de transmissão, valorização da história e grandes jogos.

Portanto, solta a trilha da Champions League e vamos a eles.

Link Youtube

Fortalecimento mundial da marca

Uma verdade citada por Bebeto na entrevista coletiva foi:

“A Champions League sempre foi Champions League. Hoje, com tudo sendo assistido ao vivo de qualquer canto do mundo, só fortalece a marca”.

Não há como discordar do ex-atacante do La Coruna, mas é preciso destacar o trabalho global da UEFA para a popularização da Champions League fora do continente.

Por mais que a Champions League seja um produto que se venda sozinho, é preciso ajeitar – ou adaptar - a fachada. De acordo com o site da UEFA , a final do ano passado entre Chelsea e Bayern de Munique teve nada menos que 829 jornalistas cadastrados. Um número 5 vezes maior que a final de 10 anos antes. Isso só é possível com um trabalho gradativo de envolvimento dos fãs de futebol com a competição.

Uma das principais estratégias para esse tipo de sucesso, e brilhantemente executada pela UEFA, foi o que vimos na sexta-feira: não esperar o torcedor, mas levar a competição para os 4 cantos do mundo - seja isso com exposições, embaixadores regionais ou eventos para a mídia.

Identificação com o patrocinador

O trabalho conceitual que a Heineken faz pra UEFA Champions League é um dos maiores cases que o marketing esportivo tem a oferecer. A cervejaria holandesa é mais que uma patrocinada, incentivadora ou parceira, ela é um conceito que se confunde com a competição.

“A Heineken representa tudo o que a Champions League faz no papel de interlocutora do futebol: história, estilo e, especialmente, o primor da qualidade” –Guy Laurent.

Um exercício fácil e corriqueiro é o seguinte: o que é mais estranho? Ver uma Champions League sem beber Heineken ou beber Heineken no meio de semana sem ver um jogo da Champions League?

Pois é.

Link YouTube | Que tal descobrir que ganhou o estágio... assim?

Estrutura de transmissão

Hoje, entre competições internacionais de futebol, nada se compara à transmissão de jogos da Champions League.

Eurocopa, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos não chegam nem perto da qualidade que a UEFA exigiu e implantou na hora de produzir vinhetas de chamada ou organizar as transmissões ao vivo para o resto do mundo. Para nós, brasileiros, acostumados com os tolerantes atrasos, as imagens conseguem surpreender a cada jogo.

Mais uma vez, entra a importância de vender um sonho. “Sabemos do número de torcedores assistindo de suas casas, bares ou até mesmo pela internet. É preciso que tudo seja perfeito – principalmente – na transmissão. Ele precisa assistir aqui e pensar ‘uau, eu tenho que ir num jogo desses’”, resume Guy Laurent.

Algumas peças em exposição no Trophy Tour

Valorização da História

Junto da taça, uma exposição completíssima da Champions League acompanha o Trophy Tour. São dezenas de belas fotos, painéis com informações, camisas, bolas e chuteiras que fizeram parte de grandes jogos. A ideia, que como entretenimento é fantástica, fortalece aquilo que o futebol europeu faz infinitamente melhor que o sul-americano: vangloria os craques do passado.

A consagração de jogadores é vista como uma demonstração de valor por parte da UEFA. Mas trata-se, principalmente, de elevar ainda mais o profissionalismo da entidade. Quanto mais destacados e valorizados são seus ex-jogadores, mais a competição ganha em história. Sem contar que a estrutura é um enorme ensinamento para os mais jovens sul-americanos, órfãos da história tão bonita quanto que povoa o continente - porém, não divulgada.

Franz Beckenbauer, o Kaiser, presidente honorário e eternamente elogiado pela UEFA

Grandes jogos

“Só se faz um grande campeonato com grandes jogos e grandes jogadores”, foi o que disse Seedorf quando questionado sobre o impacto dos craques na Champions League. Certíssimo. A estrutura – e premiação envolvida – que engloba a Champions League é essencial para que a presença desses grandes times seja garantida.

Destaca-se também a exposição que os clubes possuem nesse campeonato, possibilitando o interesse cada vez maior dos jogadores de migrarem ao velho continente.

Todos os grandes jogadores do mundo querem jogar a Champions League. Motivo: todos os outros grandes jogadores do mundo estão jogando. E se não estão jogando, já jogaram. Já ganharam. E gostaram.

Link YouTube | Milan 3 x 3 Liverpool, em 2005. Para muitos, a maior final da história.

Se vamos ter algo parecido na América do Sul um dia? Talvez. Basta profissionalismo e, assim como eles reaprenderam a jogar futebol com nosso estilo, admitir que ainda há um longo caminho a trilhar até a excelência do espetáculo.


publicado em 28 de Março de 2013, 18:29
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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