"Venho de uma educação na qual os homens não têm espaço e as mulheres são dominantes. E agora?" | Mentoria PdH #6

A cada semana, uma pergunta. E a comunidade responde e ajuda coletivamente, com base em suas vivências pessoais com o tema. Assim vamos cultivar mais parcerias, na prática.

Nota do editor: é dia 10/05, às 20h, o primeiro encontro online de nosso Clube do Livro! Ainda dá tempo de participar, em especial por ser um livro de contos breves. Venham.

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Pergunta da semana:

"Caros mentores,

desde já quero agradecer a todos por esta oportunidade de deixar aqui minhas dúvidas e confio no seu interesse real em me ajudar com minha situação.

Sou um homem jovem de 28 anos, mas estou com alguns problemas na minha vida. Sempre tive problemas em namorar, me posicionar com e conhecer mulheres.

Venho de uma educação profundamente religiosa evangélica e matriarcal, onde os homens não tinham espaço para mostrar sua força e as mulheres são dominantes.

Tenho pai, mas ele nunca foi um homem muito presente em minha vida. Ele sempre esteve em casa, é trabalhador, mas não tinha voz ativa para uma série de coisas. Além disso, ele nunca me orientou e nem sequer conversou comigo sobre relacionamentos, sexo e mulheres, nunca falou nada sobre isso mesmo, creio eu que por uma questão religiosa! Talvez por isso esses assuntos foram tão tabus. 

Nunca me mostrou como me posicionar diante da vida, e nunca me mostrou como ter voz ativa! Durante toda a minha vida fui um estudante tímido, que não chamava a atenção das mulheres (com pouquíssima coragem para abordá-las) e sou uma pessoa praticamente sem amigos. 

Não tenho autoconfiança e fui superprotegido pela minha figura materna a vida toda. Com tanta superproteção e proximidade com as mulheres da família, me tornei "o melhor amigo" das moças, que sempre ouve seus problemas e se torna seu confidente, não tive um referencial masculino e me sinto perdido sem saber como agir com uma mulher no quesito relacionamentos.

Todas as garotas por quem me interesso só me veem como um amável amigo e não me enxergam nunca como potencial homem de um relacionamento. Recentemente falei com uma amiga que estava interessado e ela nem mesmo cogitou a possibilidade de tomar um lanche comigo! 

Sinto muita falta de uma namorada em minha vida. Só namorei uma vez em toda a minha vida e minha ex terminou comigo pouquíssimo tempo depois. Acho que talvez eu não fui o melhor que podia ser. 

Na escolha da faculdade, fiz um curso por pressão de entrar na faculdade e não escolhi uma boa carreira, algo com que de fato me identificasse e na verdade me decepcionei muito com o curso. Mesmo assim me formei. Sou uma pessoa que gostaria de ser um homem independente, ter voz ativa com as pessoas, me sentir mais macho alfa, mas não consigo.

Desde muito novo eu tenho algumas obsessões e compulsões (toc) que se agravaram muito na idade adulta com as pressões da vida e problemas que eu tive, que me pressionaram muito até que explodi e precisei de ajuda psiquiátrica e hoje tomo remédios (antidepressivo e antipsicótico) para controlar.

De certa forma aceitei alguns aspectos e outros com ajuda consegui melhorar, mas às vezes acho até que me acomodei. 

Resultado: sou um homem tímido, frustrado profissionalmente, sem amigos homens em quem me espelhar, nunca fui pra cama com  uma mulher na vida (não quero fazer com uma profissional do sexo porque quero alguém legal na minha vida), castrado emocionalmente, não me acho interessante, não tenho referencial masculino a seguir (e só tenho referenciais femininos que não colaboram), tenho vergonha de procurar uma namorada, e ainda sim sei que nenhuma mulher que eu goste vai ter interesse em mim. 

As pessoas não fazem questão de minha presença e, pra finalizar, depois de tanto ignorar, fui diagnosticado com transtorno mental obsessivo-compulsivo (me deixou muito afetado). O que posso fazer para mudar isso?

Preciso de ajuda!

Isso, além de pergunta, é também um desabafo. Quero falar com outros homens para saber se eles passaram pela mesma situação.

Peço que as pessoas não zombem nos comentários. Eu agradeço. Quero me tornar um homem de fibra. Alguém melhor.

Desde já agradeço a atenção de todos e todas, e espero uma resposta...

Atenciosamente."

— Tadeu

Como responder e ajudar no Mentoria PdH:

  • comentem sempre em primeira pessoa, contando da sua experiência direta com o tema — e não só dizendo o que a pessoa tem que fazer, como um professor distante da situação
  • não ridicularizem, humilhem ou façam piada com o outro
  • sejam específicos ao contar do que funcionou ou não para vocês
  • estamos cultivando relações de parceria de acordo com a perspectiva proposta aqui, que vai além das amizades usuais (vale a leitura)
  • comentários grosseiros, rudes, agressivos ou que fujam do foco serão deletados

Como enviar minha pergunta?

Você pode mandar sua pergunta para posts@papodehomem.com.br . O assunto do email deve ter o seguinte formato: "PERGUNTA | Mentoria PdH" — assim conseguimos filtrar e encontrar as mensagens com facilidade.

Posso também fazer perguntas simples e práticas, na linha "como lido com um divórcio? Como planejo minha mudança de casa sem quebrar? Como organizar melhor o tempo pra cuidar de meu filho? Como lidar com o diagnóstico de uma doença grave?" ?

Sim, com certeza.

As perguntas recebidas até agora dão ênfase a obstáculos emocionais mais profundos e amplos, mas queremos tratar também de dificuldades práticas enfrentadas por nós no dia-a-dia.

Então, quem tiver questões nessa linha, por favor, nos enviem. Assim vamos construindo um mosaico bem interessante com o Mentoria.

Onde encontro as perguntas anteriores?

Basta entrar na coleção Mentoria PdH.

Alô, homens de Belo Horizonte! Vamos oferecer um curso de equilíbrio emocional nesse final de semana

Feliz em levar esse curso pra minha terra natal!

Aqui um artigo explicando toda a metodologia por trás do curso.

E aqui o link de inscrição (ainda há vagas).

Se não tem interesse em fazer, mas conhece alguém que pode se beneficiar, compartilhe com essa pessoa.

Importante, domingo acaba meio-dia, pra dar tempo de ir no almoço de dia das mães. E não há nenhuma previsão de quando esse curso vai acontecer em BH novamente, já que temos sido chamados pra levar a outras cidades do Brasil. ;-)

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Mentoria PdH é uma coluna por meio da qual vamos ajudar coletivamente outras pessoas da comunidade, compartilhando relatos de nossas vivências, em primeira pessoa.


publicado em 08 de Maio de 2018, 12:04
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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