Selva Mundo mostra os frutos da longevidade do Vivendo do Ócio | Eu ouvi pra você #20

Selva Mundo (2015) contém uma compilação de músicas que vão do rock ao pop, do dançante ao catártico e mostra um bem-vindo amadurecimento

Sei  que é fácil romantizar tempos antigos, aquele dos idos do monopólio das gravadoras sobre a distribuição da música. Quando olhamos pra trás, não vamos rememorar dos operários musicais, mas sim dos Beatles e Led Zeppelins da vida.

Assim, tudo parece grandioso. É das enormes multidões perseguindo bandas pra cima e pra baixo que vamos lembrar. Não dos outros rapazes e moças que se amontoavam em pequenos clubes almejando a chance de mostrar o sangue e o suor que dedicaram aos seus trabalhos.

Apesar de tudo isso, esses anos 10 do século XXI parecem oferecer um terreno bem difícil para quem decide se aventurar pela música. Apesar do que se diz sobre bandas terríveis conseguindo grande visibilidade, a verdade é que a popularização dos meios de produção não diminuiu a qualidade. Pelo contrário, aumentou o crivo muito mais do que o imaginado. É por isso que não é raro ver um monte de projetos promissores que esbarram em dificuldades para conseguir simplesmente sobreviver.

Disputa-se espaço no tapa, os grandes veículos não estão lá muito interessados, falta conhecimento sobre como e o que fazer para sustentar uma iniciativa artística profissional. 

Basta fazer um exercício simples e tentar puxar pela memória a quantidade de artistas com seus dez anos de carreira que você conhece. Aposto que sua lista não vai muito longe. É mais fácil preencher uma lista com as "novas promessas" ou com os "melhores de todos os tempos".

O Vivendo do Ócio é um desses raros casos. A banda está em atividade desde 2006. Passaram por algumas renovações de estilo, foram do rockzinho estilo Strokes ao que agora parece ser um muito bem vindo (e bonito) amadurecimento. O disco mais recente, Selva Mundo (2015), contém uma compilação de músicas que vão do rock ao pop, do dançante ao catártico.

Em matéria de rock'n roll é uma das coisas mais gostosas de ouvir que experimentei nos últimos tempos. As canções são fluidas, cantaroláveis e positivamente memoráveis. Você vai cantar, mas não vai se ver perseguido por elas. 

Há quem diga que o disco não tem nada de inovador a mostrar, tem letras genéricas. E eu concordo até certo ponto. Nem tanto como um demérito da banda, mas considerando-se o rock como um estilo senil, cansado, exaustivamente explorado, acho que inovar, ser substancial, nem é a proposta. O que queremos aqui é ouvir um rock que desça macio, que nos faça cantar, que nos impulsione com mais energia e melhore nosso humor. Isso o disco faz muito bem.

E, como você já deve saber, o show deles é um dos melhores que temos hoje em dia. Se puder, vá assistir.

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publicado em 20 de Janeiro de 2016, 00:05
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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