Estamos procurando um autor para escrever sobre saúde do homem no PdH! Topa? Mais informações aqui.

Você não torce pro seu time, você torce pra cores. Só.

No exato momento em que começo a escrever esse texto estou em uma padoca na Vila Madalena. É sábado. São Paulo acaba de marcar seu segundo gol em cima do Bragantino, para absoluto delírio de meia dúzia de pessoas assistindo ao jogo em suas mesas.

A moça que anota e traz os pedidos – uma moreninha feinha com a tintura loira do cabelo desesperadamente precisando de um retoque – está encostada no balcão dos salgados e comemora com gosto: “VAI, SÃO PAULO!”.

Como todo esse circo acontece? Como essas pessoas pensam, o que as move? Para mim, é loucura.

Loucura

Imagine um grupo de pessoas numa varanda de um prédio assistindo a um bando de pombas brigando por uma migalha particularmente grande.

Do nada, metade do grupo começa a “torcer” especificamente por alguma das pombas. Quando ela acaba ficando com a migalha, esse grupo de pessoas começa a gritar “chupa!” pro outro grupo de pessoas, que torce pra outra pomba.

Eles começam a tentar se comunicar com as pombas. “Corre! Voa pra lá! Ô, pomba burra, assim nunca vai conseguir a migalha!”

Rola uma chance. “Vai, vai, vai, vai, VAI!” Subitamente, a segunda pomba consegue roubar a migalha. O segundo grupo de pessoas comemora, se abraça. Compra camisetas. Canta hinos e gritos de guerra na varanda do prédio.

O primeiro grupo racionaliza: “O importante é que tivemos a posse da migalha por mais tempo. Além do mais, vocês tiveram sorte. Se o vento não tivesse mudado…”.



"Haaaaaaja coração!"


Inexplicável

Vamos inventar um brasileiro normal. Ele torce para o Flamengo.

A única coisa que faz dele um flamenguista é que o avô e o pai disseram para ele, desde criança, que ele é flamenguista. O “amor à camisa” vem bem depois, como justificativa. “Já que eu sou flamenguista, quero ser mais flamenguista que os outros.”

O pior é que o Flamengo nem existe, cara.

O que o avô dele chamava de Flamengo era outra coisa. Era um grupo de jogadores completamente diferente, comandado por um técnico diferente, jogando um futebol diferente. Além do nome e das cores, nada mais é igual.

Quando o jogador tira sua camiseta colorida - ou é demitido -, quem torce pra ele?

E sabe quem mais enxerga como eu? Jerry Fucking Seinfeld, um dos maiores gênios da comédia americana:

YouTube

“Ser leal a qualquer time esportivo é algo bem difícil de explicar. Os jogadores estão sempre mudando, o time pode mudar para outra cidade, e por isso você está na verdade torcendo para as roupas, no fim das contas. Você está de pé, torcendo e gritando para as suas roupas vencerem as roupas da outra cidade.

Os fãs adoram um jogador, mas se ele vai para outro time, eles vaiam o cara. É o mesmo ser humano, com uma camiseta diferente, e agora eles o odeiam. Uuu! Camiseta diferente!!! Uuuuu!"

É assim que eu vejo os fanáticos por futebol. Basicamente como malucos torcendo para um time de pombas usando roupas coloridas, ou algo parecido. Se isso não é caso de hospício, não sei de mais nada.


publicado em 25 de Abril de 2012, 15:37
File

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal.\r\n\r\n[Facebook | Twitter]


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura