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Adoro pau mole

Dentre as poesias, sou de poucos e poucas. Eduardo Galeno, Drummond, Mário Quintana, Matilde Campilho.

Lembram do "Poeminha do contra" de Quintana? É uma delícia.

 

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

E Fevereiro, de Matilde, cantado com alma?

Mesmo assim, sou mais de prosa. Só que um trabalho arrebatador da poetisa e dizedora (não conhecia o termo dizedora) Maria Rezende me fisgou. Sem muito preâmbulo, lá vai.

 

 

Adoro pau mole


Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e a-d-o-r-o pau mole.
Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.
Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.
Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
– ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.
Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.
É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

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Escutem mais de Maria Rezende no YouTube. Deixo para nossas leitoras o poema "Musa do século 21".

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Palmas!


publicado em 07 de Janeiro de 2012, 11:14
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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